Empresas tencionam contratar menos. Saiba onde (e em que sectores) a tendência mais se vai fazer sentir
Margarida Lopes
12 de Junho 2025 | 09:10
Para os próximos três meses, os empregadores nacionais demonstram intenções de contratação moderadamente positivas, mas mais cautelosas, com a Projecção para a Criação Líquida de Emprego a fixar-se nos +16%, segundo dados do ManpowerGroup Employment Outlook Survey. Este valor representa uma diminuição de três pontos percentuais face ao trimestre anterior e de dois pontos percentuais quando comparado com o período homólogo do ano passado.
Num universo de 524 empresas portuguesas inquiridas, 34% dos empregadores pretendem aumentar as suas equipas, 18% anteveem reduzir e 45% planeiam manter o seu número atual de colaboradores. Estes valores reflectem, assim, um cenário de contenção nas contratações nacionais.
Todos os sectores revelam intenções de contratação positivas para o terceiro trimestre do ano, com o sector de Energia e Utilities a destacar-se com a Projecção para a Criação Líquida de Emprego mais elevada, situando-se nos +34%. O sector dos Serviços de Comunicação acompanha este optimismo e regista também intenções de contratação sólidas, com +30%. Ambos sectores revelam um crescimento considerável entre trimestres e na comparação anual, com a Projecção a situar-se 12 e 14 pontos percentuais, respectivamente, acima do valor do período homólogo do ano passado.
Seguem-se os sectores da Saúde e Ciências da Vida e de Finanças e Imobiliário, também com um sentimento favorável às contratações e Projecções de +29% e +21%, respectivamente. Ambos mostram perspectivas em crescimento face ao trimestre anterior e ao mesmo período do ano passado.
Tanto o sector das Tecnologias de Informação como o de Bens e Serviços de Consumo revelam Projecções para a Criação Líquida de Emprego positivas de +19% e +13%, mas menos optimistas do que no trimestre anterior, com uma quebra de seis e oito pontos percentuais, respectivamente. No caso do sector de Bens e Serviços de Consumo, observa-se igualmente uma diminuição de 11 pontos percentuais face ao período homólogo do ano passado, enquanto que no sector tecnológico, essa comparação mostra uma ligeira recuperação na Projecção, de dois pontos percentuais.
No setor da Indústria Pesada e Materiais, as perspectivas de contratação são mais conservadoras, situando-se nos +10%, um valor que revela um abrandamento considerável entre trimestres, com menos 14 pontos percentuais, e ano-a-ano, com menos 12 pontos percentuais. Já as empresas de Transportes, Logística e Automóvel avançam com uma Projecção de +9%, apresentando as descidas mais consideráveis de todos os sectores: 19 pontos percentuais face ao trimestre anterior e 16 pontos percentuais relativamente ao mesmo período do ano passado.
Grande Porto, Grande Lisboa e Região Norte abrandam intenções de contratação
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Todas as regiões apresentam intenções de contratação positivas para os meses de Julho a Setembro, mas apenas duas registam um crescimento em relação ao trimestre anterior e ao período homólogo de 2024.
O sentimento de maior confiança nas contratações é observado na Região Centro e na Região Sul, com os empregadores a avançarem uma Projecção para a Criação Líquida de Emprego de +29% e +24%, respectivamente. A Região Centro apresenta a subida mais acentuada comparativamente aos mesmos meses do ano passado, crescendo 22 pontos percentuais. Já a Região Sul, impactada pelo efeito da época do turismo, é a que regista a maior evolução face ao trimestre passado, revelando um aumento considerável de 18 pontos percentuais
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Segue-se o Grande Porto, com a Projecção a fixar-se nos +20%, um valor positivo, mas que revela uma diminuição de seis pontos percentuais entre trimestres e, por fim, os empregadores da Grande Lisboa e da Região Norte que revelam as intenções de contratação mais baixas para o terceiro trimestre do ano, com +12% e +5%, respectivamente.
Empregadores das Microempresas pretendem reduzir as suas equipas, apresentando regressão mais acentuada
Cinco das seis categorias de dimensão de empresa analisadas apresentam previsões de contratação positivas para o terceiro trimestre de 2025. No entanto, apenas as Pequenas Empresas e as Grandes Empresas de mais de 5000 trabalhadores registam uma evolução positiva face ao trimestre passado.
Com a previsão mais optimista estão as Grandes Empresas de mais de 5000 trabalhadores, com uma Projeção para a Criação Líquida de Emprego de +27%. O sentimento de contratação é igualmente favorável no caso das Pequenas Empresas e das Médias Empresas, com Projecções sólidas de +25% e +21%.
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Seguem-se as Grandes Empresas de até 1000 trabalhadores e de entre 1000 e 5000 trabalhadores, com perspectivas igualmente positivas, mas mais cautelosas, e Projecções de +16% e +12%, respectivamente. Por fim, as Microempresas são as únicas que avançam com intenções de contratação negativas, com um valor de -15%, o que se traduz numa redução líquida de emprego. Estas últimas são as que apresentam a maior descida, não só entre trimestres, com menos 38 pontos percentuais, mas também face ao mesmo período de ano passado, revelando uma diminuição de 41 pontos percentuais.
Enquanto o crescimento da empresa é o principal motivo para contratar no terceiro trimestre, os desafios económicos são apontados como o maior desafio para os empregadores
No que respeita às razões dos empregadores relativamente às suas intenções de contratação, o crescimento da empresa é a principal razão apontada para a criação de emprego, sendo destacada por 34% dos empregadores. Não obstante, para 38% das organizações, os efeitos combinados da transformação nos modelos de negócio e da digitalização representam também uma das principais motivações de contratação.
Já no que respeita aos empregadores nacionais que projectam uma redução no número de colaboradores no terceiro trimestre, estes destacam os desafios económicos (26%) como principal motivo para reduzir as suas equipas. Também aqui se nota o impacto da transformação digital, com 28% dos empregadores a referir a evolução nas necessidades de competências e/ou a automação como fatores impulsionadores das reduções nas equipas.
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A nível global, embora as intenções se mantenham positivas, há um abrandamento face ao trimestre passado, revelando cautela por parte dos empregadores
O sentimento de incerteza, resultante da escalada das tensões comerciais, das mudanças políticas e do enfraquecimento das perspetivas económicas, está a diminuir a confiança das empresas a nível global, traduzindo-se num abrandamento da dinâmica de contratação, com uma queda das projecções de emprego. Face a este contexto, entre Julho e Setembro de 2025, a Projecção para Criação Líquida de Emprego global cai para +24%, um ponto percentual abaixo do registado no último trimestre.
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O impacto deste cenário está a ser sentido particularmente nos mercados desenvolvidos, com abrandamento acentuados nas perspetivas de contratação. É caso disso a América do Norte que, embora ainda revele perspetiva fortes, com uma Projecção que se situa nos +30%, revela uma redução de quatro pontos percentuais face ao trimestre passado, após três trimestres consecutivos de crescimento.
Também na região EMEA, onde se situa Portugal, a difícil situação comercial e económica obrigou algumas empresas europeias a congelar as contratações ou mesmo a reduzir os postos de trabalho, nomeadamente no setor automóvel, na banca ou na indústria. A Projecção fixa-se, assim, nos +19%, 1 ponto percentual abaixo do registado nos três meses anteriores, com países como o Reino Unido (+12%), a Polónia (+11%) e a Espanha (+11%) a caírem 12, 5 e 4 pontos percentuais, respectivamente.
A região da Ásia-Pacífico (+29%) sofre também uma queda entre trimestres no que toca às intenções de contratação, com menos um ponto percentual. Embora a economia da China (+28%) tenha registado algum crescimento no primeiro trimestre do ano, a antecipação das tarifas e a guerra comercial parecem estar a abalar a confiança dos empregadores, com uma redução de quatro pontos percentuais na Projecção, face ao segundo trimestre de 2025.
Apesar deste contexto global, alguns mercados emergentes continuam a registar um crescimento do emprego. Alimentada por países como a Costa Rica (+41%) e o Brasil (+33%), a região da América do Sul e Central, com uma Projecção de +24% é a única região analisada a apresentar uma evolução positiva entre trimestres, ainda que ténue, aumentando de um ponto percentual.
O estudo trimestral do ManpowerGroup entrevistou mais de 40.600 empregadores, em 42 países e territórios. O próximo estudo será divulgado em Setembro de 2025 e divulgará as expectativas de contratação para o quarto trimestre do ano