Uma nova era da aprendizagem das empresas

Human Resources
20 de Junho 2025 | 13:30
Uma nova era da aprendizagem das empresas

No novo contexto do trabalho, aprender deixou de ser uma fase da vida profissional e tornou-se uma condição permanente.

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A exigência de actualização constante, a evolução tecnológica acelerada e a transformação das estruturas organizacionais impuseram uma mudança radical na forma como empresas e colaboradores encaram a formação e o desenvolvimento de carreira.

Mais do que uma vantagem competitiva, a aprendizagem contínua é hoje uma necessidade estrutural — tanto para indivíduos como para organizações. As empresas que sobrevivem e crescem são as que sabem cultivar talento, estimular o potencial dos seus profissionais e preparar equipas para os desafios do futuro. Neste cenário, a inteligência artificial (IA) passou a desempenhar um papel-chave, possibilitando níveis inéditos de personalização, eficiência e escala na gestão de competências.

 

A evolução do paradigma da formação
Durante décadas, a formação foi encarada como um conjunto de acções pontuais — seminários, workshops, cursos técnicos — orientadas à resposta de necessidades específicas e, muitas vezes, reactivas. Hoje, essa lógica já não serve. A formação é contínua, estratégica e integrada na própria experiência de trabalho.

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Cada vez mais, os modelos tradicionais de aprendizagem são substituídos por abordagens dinâmicas, modulares e centradas no colaborador. Plataformas digitais assumem o protagonismo e permitem acesso remoto, conteúdos personalizados, certificações internacionais e interacções em tempo real. Mas o que verdadeiramente está a transformar o paradigma da aprendizagem é a IA.

A IA aplicada à formação deixou de ser apenas uma promessa. Hoje, várias empresas já implementaram soluções concretas que tornam possível adaptar o conteúdo às necessidades específicas de cada colaborador, em tempo real.

Na Vodafone, por exemplo, a plataforma Grow with Vodafone oferece um modelo robusto de formação personalizada que já serve como referência. Com tecnologia de IA incorporada, a plataforma interpreta o perfil profissional, as experiências anteriores e as aspirações de cada utilizador para propor planos de desenvolvimento customizados. Mais do que uma biblioteca de conteúdos, trata-se de um sistema inteligente que orienta a jornada de aprendizagem de forma estratégica.

Muitas organizações de referência estão a seguir caminhos semelhantes, utilizando IA para:

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Analisar gaps de competências em equipas e áreas de negócio;

Sugerir conteúdos e percursos formativos individualizados;

Ajustar o ritmo de aprendizagem à performance e preferências de cada utilizador;

Recomendar oportunidades de mobilidade interna e crescimento profissional.

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Esta integração entre formação e progressão de carreira é um dos aspectos mais disruptivos das novas plataformas. A IA já não serve apenas para ensinar – também serve para antecipar necessidades, sinalizar oportunidades e facilitar o planeamento da carreira, alinhando as ambições pessoais com as prioridades da organização.

Outro campo onde a IA tem provocado impacto é o das simulações imersivas. Estas permitem que os colaboradores testem e desenvolvam competências em ambientes controlados e realistas, simulando cenários de decisão, liderança, negociação ou resolução de problemas complexos.

Empresas de vários sectores, da banca à saúde, estão a usar simulações com base em IA e realidade aumentada para formar equipas em contextos de alta exigência. Esta aprendizagem experiencial é particularmente eficaz na retenção de conhecimento e no desenvolvimento de soft skills, que continuam a ser decisivas para o sucesso profissional.

 

Da gestão de talentos à construção de carreiras
A formação eficaz deixou de estar isolada dos processos de talento. Hoje, é uma peça central numa visão mais ampla: o desenvolvimento de carreira como cocriação entre colaborador e empresa.

As plataformas actuais incorporam dashboards com indicadores de progressão, recomendações de carreira baseadas em dados e até trilhos personalizados que orientam o colaborador em direcções possíveis – quer seja a especialização, a liderança, a mudança de área ou a aquisição de novas competências críticas.

A Vodafone, por exemplo, articula o uso da sua plataforma com estratégias de recrutamento interno e rotatividade de funções. Este modelo permite que a formação se transforme, na prática, em mobilidade e crescimento real dentro da organização. Outros grupos internacionais estão a desenvolver lógicas semelhantes, criando marketplaces internos de oportunidades e cruzando dados de skills com as necessidades futuras de negócio.

No entanto, nem todos os profissionais vivem a formação da mesma forma. Algumas empresas estão a adpotar a segmentação dos perfis de aprendizagem para desenhar estratégias mais eficazes.

A experiência da Vodafone evidencia esta tendência: os Life Long Learners, Reactive Learners e Compliant Learners refletem três posturas distintas perante a formação. Esta segmentação permite criar acções ajustadas, desde o reforço de conteúdos motivacionais até à estruturação de clubes de aprendizagem com curadoria de especialistas internos.

Ao reconhecer que nem todos têm o mesmo mindset, as organizações conseguem intervir de forma mais eficaz — seja promovendo a autonomia na aprendizagem, seja criando momentos formais que puxem pelos colaboradores menos proactivos.

O desenvolvimento de carreira também implica garantir que a aprendizagem é reconhecida e validada. A maioria das plataformas actuais integra formações com certificação – algumas internas, outras associadas a instituições de referência como o MIT, Harvard ou a Microsoft.

A possibilidade de obter certificações, muitas vezes exigidas para funções técnicas ou de liderança, contribui para dar mais peso à formação e traduz o investimento em valor concreto – para o colaborador, que fortalece o seu perfil, e para a empresa, que vê aumentar a sua capacidade competitiva.

 

Uma cultura de aprendizagem contínua
Mais do que plataformas, simulações ou dashboards, o elemento mais importante do desenvolvimento de carreira continua a ser a cultura. Criar um ambiente onde aprender é incentivado, recompensado e reconhecido é essencial para que qualquer sistema de formação funcione.

Empresas que conseguem mobilizar as chefias, integrar o tema nas avaliações de desempenho, estimular a curiosidade e criar uma linguagem comum sobre competências estarão sempre em vantagem. A IA pode fazer muitas coisas, mas não substitui a cultura.

A aprendizagem contínua é, cada vez mais, uma responsabilidade partilhada. Os colaboradores têm a liberdade — e o dever — de escolher os seus caminhos, mas as organizações devem dar as ferramentas, os dados e o suporte necessário para que esse percurso seja possível.

O futuro do trabalho é incerto, mas uma coisa é certa: quem não aprender, fica para trás. A formação e o desenvolvimento de carreira deixaram de ser actividades acessórias para se tornarem estruturais. A integração da IA neste processo abriu portas para um novo paradigma – mais inteligente, mais personalizado e mais conectado com os desafios do mundo real.

Seja através de plataformas como a Grow with Vodafone ou de outras soluções tecnológicas em expansão, as empresas têm hoje o poder de transformar a formação numa alavanca de crescimento, inovação e retenção de talento. E os profissionais têm, mais do que nunca, a oportunidade de tomar as rédeas do seu desenvolvimento.

 

Este artigo foi publicado na edição de Maio (nº. 173) da Human Resources

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