A idade da reforma está a aumentar na Europa. Sabe em que países se trabalha mais anos?

Human Resources
29 de Agosto 2025 | 10:40

A esperança de vida tem vindo a aumentar em toda a UE nas últimas décadas e, com isso, também a idade da reforma, o que significa que muitos europeus estão a trabalhar mais anos. O Euronews Business analisou os dados.

 

Em 2024, a esperança média de vida activa na UE era de 37,2 anos, segundo o Eurostat. Isto representa um aumento de 2,4 anos, ou 7%, em comparação com 2014 (34,8 anos).

Na UE, a esperança de vida activa varia entre os 32,7 anos na Roménia e os 43,8 anos nos Países Baixos. Portugal surge a meio da tabela, com 39,3 anos. Se os países candidatos à UE e os países da EFTA forem incluídos na equação, varia entre 30,2 anos na Turquia e 46,3 anos na Islândia.

Os países do norte da Europa — particularmente a região nórdica — registam as vidas activas mais longas. A Islândia lidera a lista, seguida pelos Países Baixos (43,8 anos) e Suécia (43 anos). A Dinamarca (42,5 anos), a Noruega (41,2 anos) e a Finlândia (39,8 anos) também apresentam números elevados, todos classificados entre o top 10 dos 35 países europeus.

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Os países da Europa Ocidental também tendem a ter durações de vida activa acima da média. Suíça (42,8 anos), Irlanda (40,4 anos) e Alemanha (40 anos) ultrapassam os 40 anos e estão entre os 10 primeiros. França (37,3 anos), Bélgica (35 anos) e Luxemburgo (35,6 anos) estão mais próximos da média da EU de 37,2 anos.

Os números são mais heterogéneos no Sul da Europa, à excepção de Portugal (39,3 anos) e Malta (39 anos), que apresentam vidas activas relativamente longas. Itália (32,8 anos), Grécia (34,8 anos) e Espanha (36,5 anos) apresentam números significativamente mais baixos.

Os países do Leste Europeu situam-se próximos ou ligeiramente abaixo da média da UE. A Hungria (37,4 anos) apresenta um desempenho moderado, enquanto outros — como a Roménia (32,7 anos) e a Bulgária (34,8 anos) — reportam vidas úteis esperadas significativamente mais curtas.

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As durações mais curtas são observadas no Sudeste Europeu e nos Balcãs, incluindo a Turquia (30,2 anos), Macedónia do Norte (31,5 anos) e Montenegro (32,1 anos).

O Prof. Moritz Hess, da Universidade de Ciências Aplicadas de Niederrhein, observou que a duração da vida activa, bem como a participação na força de trabalho na Europa, diferem por várias razões. «Em primeiro lugar, o lado da procura desempenha um papel importante: se os empregadores precisam de trabalhadores, isso aumenta a participação na força de trabalho e prolonga a duração da vida activa.»

«Em segundo lugar, o contexto institucional é importante, particularmente em relação às regulamentações do mercado de trabalho e das pensões. Um factor-chave neste sentido é a idade oficial de reforma: quanto mais elevada, maior a esperança de vida activa. Quanto menos opções de reforma antecipada um sistema de pensões oferecer, maior será a probabilidade de as pessoas permanecerem na força de trabalho», acrescentou.

Explicou ainda que a discriminação com base na idade também é relevante. Nos países onde os trabalhadores mais velhos não são discriminados e os seus contributos são valorizados, têm maior probabilidade de querer continuar a trabalhar, o que leva a uma vida activa mais longa.

Timo Anttila, Professor Sénior da Universidade de Jyväskylä, na Finlândia, salientou que os modelos familiares dos países, como o rendimento único/duplo, os sistemas de segurança social e os modelos de assistência familiar, são possivelmente factores importantes que impactam a esperança de vida profissional.

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