Já “transformou” um colega num meme ou sticker do WhatsApp? Há um país que o vai considerar assédio no trabalho

Human Resources com Lusa
27 de Novembro 2025 | 20:55

Uma nova iniciativa do México vem regular as interacções digitais, sinalizando uma mudança global em direcção à inteligência emocional no trabalho.

 

No início de Novembro, conforme noticiado pelo “El Heraldo de México”, o Ministério do Trabalho e Segurança Social mexicano (STPS) anunciou que utilizar a imagem de um colega de trabalho sem autorização — mesmo para um meme ou sticker — pode ser considerado assédio no local de trabalho.

De acordo com o artigo 133.º da Lei Federal do Trabalho, tais acções são reconhecidas como criadoras de um ambiente hostil ou humilhante, e os empregadores são obrigados a impedi-las.

À primeira vista, pode parecer excesso de burocracia até se analisar como, actualmente, a comunicação digital está a moldar o comportamento no local de trabalho, revela o Allwork.Spaces.

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Segundo os dados mais recentes, 93% dos utilizadores de internet no México utilizam o WhatsApp, tornando-o não só uma ferramenta pessoal, mas a plataforma de comunicação padrão para milhões de profissionais. À medida que as vidas profissionais se desenrolam cada vez mais através de chats, emojis e memes, as linhas que separam a brincadeira amigável do assédio estão a tornar-se mais ténues.

Na cultura mexicana, o humor é rápido, sarcástico e, muitas vezes, autodepreciativo. Gozar, provocar e transformar colegas em piadas sempre fizeram parte da forma como as equipas se unem e sobrevivem a ambientes stressantes. Mas o que acontece quando esta cultura sai do mundo real e torna-se eterna no digital? Um único sticker — uma vez enviado — pode viver para sempre, ser partilhado noutros grupos, retirado do contexto e usado para ridicularizar.

De acordo com o Inquérito Nacional sobre Discriminação (ENADIS 2022), 23,7% dos adultos no México referiram ter sofrido discriminação entre Julho de 2021 e Setembro de 2022 — e o assédio no local de trabalho continua a ser uma das formas mais comuns. Em 2022, o Instituto Nacional de Estatística e Geografia (INEGI) registou também mais de 109 mil pedidos de demissão relacionados com maus-tratos ou assédio psicológico.

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E à medida que estas experiências migram para os canais digitais, a definição legal de “local de trabalho” está a expandir-se para incluir tudo, desde conversas no Slack a grupos de WhatsApp.

Ainda que esta nova política laboral possa parecer culturalmente específica, reflecte uma mudança global no sentido da responsabilização digital no trabalho.

As “Cross-Sectoral Guidelines on Violence and Harassment at Work” da UE abrangem explicitamente os espaços digitais, enquanto o Japão e o Reino Unido introduziram directrizes semelhantes que reconhecem o assédio online como uma infracção no local de trabalho.

O que o México está a fazer (intencionalmente ou não) é estabelecer um precedente legal para a era digital, onde a cultura do local de trabalho já não se limita à porta do escritório.

O respeito está a evoluir. Já não se trata apenas de títulos, tom de voz ou comportamento físico, mas sim de como uma pessoa se apresenta nos espaços digitais, como usa a imagem de alguém e se se lembra que por detrás de cada sticker, meme ou mensagem, está uma pessoa real.

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