Por Shakil Satar, co-fundador e head of Growth da sheerME
Reter talento deixou de ser apenas uma questão de salários competitivos ou benefícios tradicionais. A competição pelo capital humano tornou-se global, intensa e exigente. Estamos perante uma realidade em que é a experiência e a vontade do colaborador que dita a escolha entre permanecer numa empresa ou procurar oportunidades noutro lugar.
Estudos recentes mostram que o tédio, o stress e a falta de propósito estão entre os maiores factores de rotatividade. Segundo a Aon, a retenção de talento é hoje um dos maiores desafios das empresas, não só pelo factor financeiro, mas porque os colaboradores procuram sentido, valorização e equilíbrio entre a sua vida pessoal e profissional.
É nesse contexto que entra o conceito de “salário emocional” ou bem-estar corporativo. Entidades como a Mercer, a Adecco e a Forbes destacam que programas que promovem a saúde física e mental, flexibilidade, desenvolvimento pessoal e um ambiente de trabalho positivo estão a tornar-se numa moeda de retenção e atracção de talento. Em muitos casos, o bem-estar é mais valorizado do que aumentos salariais.
Acredito que uma equipa saudável é uma equipa produtiva. Criar ambientes nos quais os trabalhadores se sentem apoiados e ouvidos é, além de uma estratégia de Recursos Humanos, uma estratégia de negócio. Empresas que investem no bem-estar registam maior envolvimento, produtividade e lealdade. Está comprovado que os colaboradores que são valorizados e apoiados emocionalmente têm menos probabilidade de abandonar a empresa.
Mas o que é afinal o bem-estar nas empresas? Muito mais do que a saúde física. Estamos a falar de flexibilidade, oportunidades de crescimento, inclusão e reconhecimento. Estamos a falar de criar culturas que humanizam o trabalho, que permitem que a vida e o trabalho coexistem de forma equilibrada. É esse o tipo de cultura que atrai e retém os melhores talentos, especialmente nas novas gerações – que priorizam o propósito e a qualidade de vida a par dos bónus financeiros. Apenas as organizações que entendem que cuidar das suas pessoas não é um custo, é o melhor investimento que podem fazer!, conseguirão reduzir a rotatividade, fortalecer a sua marca, melhorar a produtividade e construir equipas resilientes e motivadas.














