Mais de 30% das organizações prevê uma redução da força de trabalho de 3% ou mais no próximo ano

Margarida Lopes
17 de Dezembro 2025 | 08:40
Mais de 30% das organizações prevê uma redução da força de trabalho de 3% ou mais no próximo ano

O relatório “The State of AI in 2025: Agents, Innovation, and Transformation”, desenvolvido pela McKinsey & Company, revela que 32% das organizações prevê uma redução da força de trabalho de 3% ou mais no próximo ano. Além disso, segundo a McKinsey & Company, são as empresas de maior dimensão aquelas que mais frequentemente preveem reduções de emprego associadas à inteligência artificial (IA).

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Já 13% das empresas antecipam um aumento de cerca de 3% no número de colaboradores devido ao uso destas tecnologias, sobretudo em organizações que estão a acelerar a sua transformação.

O estudo mostra que a maioria (88%) das organizações já IA em pelo menos uma função de negócio, um crescimento face aos 78% registados em 2024.

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Ao mesmo tempo, o relatório assinala que a gestão dos riscos associados à IA está a ganhar maior importância. Desde 2022, o número de riscos que as organizações afirmam estar a mitigar passou de dois para uma média de quatro, reflectindo uma maior consciência sobre as potenciais consequências destas tecnologias.

Entre as empresas que utilizam IA, 51% reconhece ter sofrido algum efeito negativo, e quase um terço aponta problemas decorrentes da inexatidão das respostas geradas pelos modelos, tornando este um dos riscos mais mencionados. Em contraste, a falta de explicabilidade, ou seja, a dificuldade em compreender como e porquê a IA chega a determinadas conclusões, continua a ser um dos riscos menos abordados, embora muitas organizações o considerem um desafio recorrente.

Este novo contexto sublinha a necessidade de reforçar a governação e de adoptar quadros de responsabilidade mais robustos, de forma a avançar para um uso eficaz, escalável e seguro da inteligência artificial.

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Apesar da disseminação da tecnologia, apenas um terço das organizações afirma estar a conseguir escalar os seus programas de IA a nível global, e o estudo revela uma clara diferença entre empresas de maior e menor dimensão. Entre as organizações com mais de cinco mil milhões de dólares em receitas, quase metade já alcançou uma fase de escala efetiva. Em contraste, apenas 29% das empresas com menos de 100 milhões de dólares de faturação atingiram o mesmo nível de maturidade, evidenciando que capacidades de investimento, talento disponível e infraestruturas tecnológicas continuam a desempenhar um papel determinante no sucesso destas iniciativas.

O estudo destaca que os agentes de IA – sistemas capazes de planear e executar múltiplos passos de forma autónoma – estão a ganhar terreno dentro das empresas, com 62% a relatarem que estão a testar estes agentes e quase um quarto a afirmar que já estão a escalar pelo menos um agente. No entanto, a sua utilização continua concentrada em áreas específicas, como Tecnologias da Informação (TI), gestão de conhecimento, marketing e vendas, onde os casos de uso mais maduros incluem automação de processos, suporte ao cliente e optimização de estratégias comerciais. A nível setorial, a utilização é mais frequentemente reportada no setor tecnológico, media e telecomunicações, e no setor da saúde.

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Apesar do aumento da adopção, o relatório mostra que o impacto financeiro directo da IA continua a ser reduzido. Apenas 39% das organizações reportam efeitos positivos no EBIT atribuídos à tecnologia, e a maioria desses impactos permanece inferior a 5%. Ainda assim, começam a emergir sinais claros de transformação, com a maioria das empresas a admitir melhorias na capacidade de inovar, bem como um aumento na satisfação dos clientes e uma maior diferenciação competitiva. Para algumas funções, como engenharia de software, manufatura ou TI, observam-se já reduções tangíveis de custos, enquanto em áreas como marketing, vendas e desenvolvimento de produto os ganhos estão sobretudo associados ao crescimento das receitas.

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O estudo identifica, assim, um conjunto de organizações mais avançadas na adopção de IA, designadas de “high performers”. Representando cerca de 6% da amostra, estas empresas de elevado desempenho destacam-se por abordarem a tecnologia como um vetor estratégico de transformação, e não apenas como um mecanismo de eficiência.

Estas organizações são mais propensas a redesenhar de forma profunda os seus fluxos de trabalho, a escalar rapidamente casos de uso da tecnologia, a integrar agentes de IA de forma mais ampla e a assegurar um forte envolvimento das equipas de liderança. Estas empresas canalizam cerca de 20% do seu orçamento digital para iniciativas de IA, o que lhes permite acelerar a maturidade tecnológica e capturar valor de forma mais consistente.

Segundo o estudo da McKinsey, o verdadeiro potencial da IA nas empresas continua por materializar. A transição de iniciativas de experimentação da tecnologia para uma adopção em escala é um desafio, mas também uma oportunidade. As organizações que encararem a IA como um elemento central na redefinição de processos, na aceleração da inovação e na criação de vantagem competitiva estarão mais preparadas para liderar esta nova fase tecnológica e ganhar vantagem competitiva.

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