Quase 60% dos empregadores de TI em Portugal pretendem aumentar as suas equipas no próximo trimestre

Margarida Lopes
12 de Março 2026 | 08:40
Para o terceiro trimestre de 2026, o sector tecnológico em Portugal mantém sinais de forte dinamismo nas contratações, com a Projecção para a Criação Líquida de Emprego a situar-se nos +50%. Estas são conclusões do mais recente Experis Tech Talent Outlook, que revelam que, dos empregadores inquiridos, 56% pretendem aumentar as suas equipas no próximo trimestre, enquanto 6% antecipam ter de reduzir a sua força de trabalho e 38% esperam manter o número actual de colaboradores.
Estes resultados traduzem, assim, um aumento de uns expressivos 25 pontos percentuais na comparação anual.
As conclusões do Experis Tech Talent Outlook para o segundo trimestre de 2026 resultam de entrevistas realizadas durante o mês de Janeiro. Nesse sentido, não reflectem os desenvolvimentos mais recentes no contexto geopolítico internacional, nem o impacto das tempestades que atingiram Portugal em finais de Janeiro e Fevereiro.
«Os resultados deste Experis Tech Talent Outlook, embora sem reflectir o impacto do atual conflito no Médio Oriente, traduzem um sentimento de confiança crescente nos empregadores de TI em Portugal, ainda em recuperação do abrandamento observado no final de 2024. A aposta em competências especializadas, desde o desenvolvimento de modelos de IA à engenharia, combinada com a valorização de soft skills essenciais, mostra que os empregadores do sector estão a construir equipas capazes de impulsionar a inovação e enfrentar os desafios da transformação digital e crescente adopção da IA, potenciando as novas oportunidades de negócio que lhes são associadas», explica Nuno Ferro, Brand leader da Experis.
Para o segundo trimestre do ano, o aumento das equipas no sector de Tecnologia & Serviços de IT é impulsionado, em primeiro lugar, pela expansão das empresas, que cria novas necessidades de contratação, apontada por 52% dos empregadores nacionais como a principal razão para o reforço do talento. Seguem-se os avanços tecnológicos, que exigem competências e funções especializadas, e que são referidos por 38%, revelando um resultado significativamente acima da média nacional, que se fixa nos 17%. Os esforços em prol da diversidade também contribuem para as contratações, com 33% das empresas a destacarem esta motivação.

Automação e reestruturações influenciam redução de equipas, ainda que com menor peso que a nível global
Entre os empregadores de tecnologia em Portugal que antecipam uma diminuição de colaboradores, destacam-se como principais motivos os ajustes face à procura actual, as reestruturações ou downsizing e o impacto da automação nas funções, todos apontados por 50% das organizações. A realidade nacional está alinhada com o cenário global, ao nível destes factores, embora com mais peso: globalmente, 36% dos empregadores apontam a automação, 32% indicam os desafios económicos e 28% referem as reestruturações ou downsizing como causas da redução de colaboradores.

 

IA domina nas competências mais difíceis de contratar, mas perfis de engenharia continuam entre os mais procurados
Entre as competências mais difíceis de recrutar, destacam-se a literacia em IA, mencionada por 35% dos empregadores de TI nacionais, e o desenvolvimento de modelos e aplicações de IA, referido por 30%. Mantém-se também a procura por perfis de engenharia, apontada por 26% das empresas. Já as competências convencionais em TI e dados, excluindo IA, são mencionadas por 20% dos empregadores.

Competências humanas como ética profissional e adaptabilidade continuam a ser valorizadas pelos empregadores tecnológicos
Para além das competências técnicas, os empregadores de tecnologia em Portugal continuam a valorizar fortemente as competências humanas. O profissionalismo e a ética no trabalho lideram entre as mais procuradas, sendo mencionadas por 52% das empresas, seguidas da adaptabilidade e vontade de aprender, referidas por 50% e pelo pensamento crítico e a capacidade de resolução de problemas, destacados por 41%.

Flexibilidade de horários lidera ações para colmatar a escassez de talento
Para lidar com a escassez de talento em tecnologia, os empregadores estão a implementar diversas estratégias de reforço das suas capacidades de atracção e fidelização do talento. A maior flexibilidade de horários é a medida mais adoptada, sendo referida por 35% das empresas, seguida do upskilling e reskilling de trabalhadores e pelo aumento de salários, ambos mencionados por 30%.

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Outras acções incluem a maior flexibilidade no local de trabalho (28%) e o recrutamento de talento global em mercados competitivos em termos de custos (22%).

 

Portugal acima da média global nas intenções de contratação
A nível global, a média da Projecção para a Criação Líquida de Emprego no sector das TI é de +45%, valor abaixo das intenções de contratação registadas em Portugal.

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Os países com as Projecções mais elevadas são a Índia (+69%), os Emirados Árabes Unidos (+69%) e o Brasil (+63%). Entre os países com intenções menos optimistas, destacam-se a Chéquia (+13%), a Suíça (+8%) e, finalmente, a Roménia (+3%).

O estudo da Experis entrevistou 4655 empresas tecnológicas, em 42 países. O próximo estudo será divulgado em Junho e divulgará as expectativas de contratação para o terceiro trimestre de 2026.

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