Apesar de a IA estar já a permitir aumentar a produtividade da maioria das organizações, apenas 34% dos líderes afirmam estar a utilizá-la para transformar profundamente os seus modelos de negócio.
Igualmente, embora 25% dos inquiridos considerem que a IA já tem um impacto transformador nas suas empresas (mais do dobro face ao ano anterior), apenas 30% estão a redesenhar processos fundamentais com base na tecnologia, enquanto 37% admitem utilizá-la de forma superficial, com pouca ou nenhuma alteração aos processos de negócio existentes
Segundo o estudo, o verdadeiro potencial da IA reside na sua capacidade de criar diferenciação estratégica e vantagem competitiva duradoura, indo além da optimização incremental do que já existe, o que exige repensar não apenas processos, mas também o trabalho e os modelos operacionais.
Apesar do aumento da experimentação, a passagem de pilotos para produção continua a ser um dos principais desafios. Apenas 25% das organizações inquiridas conseguiram colocar 40% ou mais dos seus pilotos de IA em produção, embora exista optimismo, com mais de metade (54%) a esperar atingir esse patamar nos próximos três a seis meses. Neste sentido, a definição e comunicação de uma estratégia clara surge como um factor crítico para reduzir a chamada “fadiga de pilotos” e acelerar a criação de valor.
Portugal acompanha a tendência internacional de crescente interesse na Agentic AI. No entanto, apenas uma minoria reporta possuir modelos de governação maduros para estes agentes e a maior parte das organizações encontra-se ainda numa fase inicial de definição de políticas, supervisão e controlo. Em concreto, 40% das empresas portuguesas não registam qualquer tipo de uso de Agentic AI; 27% reportam uma utilização mínima e outras 27% fazem já uma utilização moderada desta tecnologia. Como perspectiva para o futuro, 47% dos inquiridos prevê que a a Agentic AI venha a impactar profundamente a sua organização e sector nos próximos três anos.
O estudo destaca o rápido crescimento de Agentic AI, com quase 75% das organizações a planear a implementação de agentes autónomos nos próximos dois anos, quando actualmente apenas 23% das organizações utilizam um agente pelo menos de forma moderada. No anterior State of AI, 26% dos inquiridos revelaram que as suas organizações já estavam a explorar o desenvolvimento de agentes autónomos em grande ou muito grande escala. Esses esforços iniciais de exploração estão agora a começar a traduzir-se em utilização concreta irão impulsionar o aumento acentuado na adopção a curto prazo.
No entanto, apenas 21% afirmam ter modelos de governance maduros para estes agentes autónomos. As organizações mais bem-sucedidas estão a adoptar abordagens faseadas, começando por casos de uso de baixo risco e escalando de forma deliberada, reforçando a governação como catalisador de crescimento responsável.
De acordo com o State of AI, a resiliência organizacional na era da IA passa também pela atenção crescente à IA soberana. Actualmente, 77% das empresas consideram o país de origem dos fornecedores na selecção das suas soluções tecnológicas, e quase 60% constroem o seu ecossistema de IA maioritariamente com fornecedores locais. Em Portugal, apenas 27% das organizações dizem que o país de origem das soluções de IA é irrelevante para a escolha.
Em paralelo, a IA física, aplicada a robótica, sistemas autónomos e automação industrial, está a ganhar tração, especialmente em sectores como manufatura, logística e defesa. A adopção deverá atingir 80% das organizações nos próximos dois anos, marcando a próxima vaga de transformação industrial.
A edição de 2026 do estudo “State of AI in the Enterprise: The Untapped Edge” baseia-se num inquérito realizado entre Agosto e Setembro de 2025 a 3235 líderes empresariais e de TI de 24 países, incluindo Portugal, e em entrevistas a executivos e responsáveis de IA e ciência de dados de grandes organizações, em diferentes setores e geografias. Todas as empresas participantes têm pelo menos uma implementação de IA em funcionamento diário e/ou projectos-piloto activos. A edição deste ano do estudo inclui, pela primeira vez, respostas de 15 empresas portuguesas.














