Relatório da OIT revela que problemas de saúde mental no trabalho matam 840 mil pessoas por ano

Mais de 840 mil pessoas morrem todos os anos devido a problemas de saúde associados a riscos psicossociais no trabalho, incluindo horários prolongados, insegurança laboral e assédio no local de trabalho. Os dados são de um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), agência das Nações Unidas.

Human Resources
6 de Maio 2026 | 09:40

Segundo o estudo, os riscos psicossociais relacionados com o trabalho estão sobretudo associados a doenças cardiovasculares e perturbações da saúde mental, incluindo o suicídio.

O relatório conclui que estes riscos resultam na perda de quase 45 milhões de anos de vida ajustados por incapacidade por ano, com o impacto combinado das doenças cardiovasculares e das perturbações mentais a traduzir-se numa perda anual estimada de 1,37% do PIB mundial.

Só na Europa, a OIT contabiliza 112 333 mortes, perto de seis milhões de DALY e uma perda de 1,43% do PIB. As doenças cardiovasculares representam a maioria das mortes atribuíveis, mas a perda total de anos de vida saudável é maior no caso das perturbações mentais, referem os autores.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão e a ansiedade representam cerca de 12 mil milhões de dias de trabalho perdidos por ano. Entre as condições mais comuns contam-se a depressão, as perturbações de ansiedade, o esgotamento, as perturbações do sono e a fadiga.

As dificuldades de saúde mental podem também desencadear problemas físicos, através de estratégias de adaptação pouco saudáveis frequentemente adotadas para gerir o stress e a fadiga.

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O consumo de tabaco e de álcool, a alimentação em excesso e o sedentarismo associados a problemas no local de trabalho podem conduzir à obesidade, à hipertensão e a outras doenças crónicas.

A OIT estima que, a nível mundial, 35% dos trabalhadores trabalham mais de 48 horas por semana.

Um estudo da OMS concluiu que trabalhar 55 horas ou mais por semana está associado a um aumento estimado de 35% do risco de AVC e de 17% do risco de morrer de doença isquémica do coração, em comparação com jornadas de 35 a 40 horas por semana. O bullying e outras formas de assédio e violência são igualmente destacados como uma preocupação de primeira ordem.

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O relatório indica que 23% dos trabalhadores a nível mundial já sofreram pelo menos uma forma de violência ou assédio ao longo da vida profissional, sendo a violência psicológica a mais prevalente, com 18%.

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