Por Maria Sousa Martins, gestora de Conhecimento e Formação do BCSD Portugal
Maio trouxe, como tem vindo a trazer, conversas sobre diversidade. Mas para as empresas, a diversidade não pode ser apenas um tema de calendário, tem de ser uma decisão estratégica.
Num contexto de transformação acelerada (social, demográfica, tecnológica, económica…), as empresas que continuam a olhar para a Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) como uma iniciativa isolada de Recursos Humanos estão a perder uma oportunidade crítica de evolução. Porque DEI não é apenas sobre representação, é sobre capacidade de adaptação, inovação, atracção de talento, reputação, criação de valor partilhado… de estratégia.
As empresas mais preparadas para o futuro serão aquelas capazes de integrar diferentes perspectivas, criar culturas de pertença e garantir que todas as pessoas têm condições reais para contribuir e crescer. Não por obrigação, mas porque melhores decisões se fazem com mais vozes à mesa, e equipas mais resilientes se constroem com culturas onde as pessoas se sentem realmente parte de algo.
Ainda assim, a realidade mostra-nos que há caminho a percorrer. No BCSD Portugal temos vindo a acompanhar a maturidade das empresas na integração de DEI na sua estratégia e modelo de negócio, e numa escala de 1 a 5, a maturidade média das empresas analisadas situa-se aproximadamente no 3, um nível que demonstra intenção, desenvolvimento e algumas práticas implementadas, mas onde continuam a existir desafios importantes ao nível da integração estratégica, da medição de impacto e da transformação cultural.
E isso não deve ser visto como um problema. Sabemos que um dos maiores desafios de DEI é precisamente este: muitas empresas querem avançar, mas não sabem por onde começar, o que priorizar ou como transformar boas intenções em práticas consistentes. Outras sentem receio de errar, de não ter todas as respostas ou de abordar temas considerados complexos ou sensíveis.
É exactamente aqui que acreditamos que a colaboração ganha relevância. O (im)Pacto Pelas Pessoas, uma iniciativa focada na promoção da DEI no tecido empresarial português, nasce da convicção de que a transformação acontece mais depressa e de forma mais sólida quando as empresas aprendem umas com as outras, partilham experiências, discutem dificuldades reais e co-criam soluções. Mais do que uma iniciativa, queremos criar uma comunidade de compromisso e acção.
Porque promover DEI não significa “ter tudo resolvido”, mas sim estar disposto a evoluir.
E talvez essa seja a mensagem mais importante deste mês da diversidade: a inclusão não se constrói através de campanhas isoladas ou discursos inspiradores. Constrói-se nas decisões diárias, nos processos, na liderança, na escuta activa e na coragem de questionar modelos que já não servem as pessoas nem o futuro das empresas.
As empresas têm hoje uma oportunidade clara: deixar de olhar para DEI como um tema paralelo e começar a integrá-lo como parte central da sua estratégia e da forma como criam valor.














