Lições da Sétima Arte para a Gestão de Pessoas: Em busca da felicidade

“Os Domingos” é um filme de 2025 de Alauda Ruiz Azúa, com Blanca Soroa e Patricia López Arnaiz nos principais papéis. Tem causado impacto por ser “fora da caixa”, ao abordar um tema habitual, mas de uma forma radical: qual o sentido que queremos dar à nossa vida? Como saber o que devemos fazer no concreto de cada momento? Leia o artigo de Paulo Miguel Martins, professor da AESE Business School e investigador nas áreas de Cinema, História, Comunicação e Mass Media.

Human Resources
15 de Junho 2026 | 14:00

Por Paulo Miguel Martins, professor da AESE Business School e investigador nas áreas de Cinema, História, Comunicação e Mass Media

 

A história acompanha uma jovem rapariga no último ano do ensino secundário, antes de entrar para a universidade. As perguntas-chave são: qual o curso a escolher e o tipo de carreira a seguir? Ainara vai questionando- se, pois também sente uma inquietação interior, um chamamento para ser freira, para entregar a sua vida a Deus, a um ideal que a faz feliz e realizada. No entanto, essa vocação é estranha nos dias de hoje e difícil de ser compreendida pelos outros. Além disso, não se quer enganar a si mesma.

O filme é realista, genuíno nas dúvidas e situações que apresenta, porque a realizadora não é católica, mas ateia, sem nenhum tipo de prática religiosa. Por isso, quer compreender melhor a questão da motivação interior. Vai, então, aprofundar o tema da descoberta da missão pessoal que cada um vai enfrentando na vida. Qual a razão pela qual “fazemos o que fazemos e estamos onde estamos”? É por dinheiro? Para desenvolver as capacidades que se possui? Pela oportunidade que surgiu? Pelos conselhos de outros e pela pressão social? Como saber o que se deve fazer?

A rapariga reflecte. Pede conselhos a “entendidos” sobre o que significa uma vida religiosa, falando com um padre e outras freiras. Mas fica claro que ela não se deixa “manipular”, nem “enfeitiçar” pelo que lhe dizem. Ela abre-se também com outros que são opostos a esse estilo de vida: envolve-se com um rapaz por quem se sente atraída, o que lhe revelará se é valorizada ou só usada.

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Não é nenhuma “naif”… Nas conversas com amigas e colegas de turma, toma consciência do que poderá perder e terá de abandonar, bem como do que poderá ganhar. Não se fecha em si mesma e fala com os familiares. O pai fica perplexo e fala-lhe no aspecto financeiro. A avó opõe-se, pois receia que a família fique sem o apoio dela. Uma tia considera-a ingénua e ataca-a violentamente por essa decisão, apesar dela própria se sentir amargurada pelo rumo da sua vida pessoal. Todas essas conversas obrigam a rapariga a pensar, ao ter de dar respostas que a confirmem na sua opção.

A lição mais forte deste filme é precisamente a necessidade de cada um reflectir, de conseguir momentos de pausa para tomar consciência das decisões a tomar. Ainara tem dúvidas. Quer acertar. Por isso sabe parar. Será numa ocasião de agitação exterior, em que a família está ocupada com a azáfama do enterro da avó, à saída da igreja, que ela pára, ficando em oração. Quer dialogar com esse Deus que ela gosta e por quem se sente amada. Essa pausa chama a atenção dos outros. Reparam que algo se passa e também param. Dão tempo. E esse espaço de reflexão será decisivo para a sua escolha. Ela sabe já o que deve fazer e que rumo dar à sua vida. Está feliz!

Muitas questões da actualidade estão patentes. A forma como alguns comunicam em discursos polarizantes que afastam, em vez de unir, extremando posições que nada esclarecem, e os problemas financeiros que afogam tantas vidas. Mas, acima de tudo, interpela-nos sobre o que vamos fazendo com a própria vida.

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Este artigo foi publicado na edição de Maio (nº. 185) da Human Resources.

Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.

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