A utilização de redes sociais está a aumentar e a prejudicar a saúde mental. Confira os sinais de alerta (e adopte o minimalismo digital)

Hoje, 30 de Junho, assinala-se o Dia Mundial das Redes Sociais.

Human Resources
30 de Junho 2026 | 21:00

No Dia Mundial das Redes Sociais, que se celebra hoje, dia 30 de Junho, a Intrum revela que quase um quarto dos consumidores portugueses (24%) admite que o conteúdo que vê nas redes sociais os faz sentir-se mal consigo próprios ou com o seu estilo de vida. Esta percepção reflecte o peso crescente da comparação digital e o impacto que o mundo online está a ter na saúde emocional e no bem-estar financeiro dos portugueses.

De acordo com o ECPR – European Consumer Payment Report, os hábitos de utilização das redes sociais diferem entre os diferentes grupos socioeconómicos, com o estudo a indicar que adolescentes de famílias com menor rendimento são mais propensos a referir comportamentos aditivos. O aumento da utilização das redes sociais entre consumidores de baixo rendimento pode estar a conduzir a gastos problemáticos. O inquérito realizado revela que os consumidores classificados como “Frágeis” são os mais propensos a fazer compras por impulso e a contrair dívidas na tentativa de acompanhar os estilos de vida de influenciadores.

O bem-estar destes consumidores é também o mais afectado. Cerca de quatro em cada dez (38%) afirmam que os padrões de vida de influenciadores prejudicaram a sua saúde mental (média EU 41%), comparado com 19% dos consumidores financeiramente classificados como “Resilientes” (média EU 22%). Não são apenas os níveis de rendimento que influenciam a utilização das redes sociais. O estudo mostra que os consumidores mais jovens, são mais afectados negativamente do que as gerações mais velhas. Cerca de um quinto (19%) da geração Z afirma ter-se endividado tentando replicar estilos de vida que veem nas redes sociais e quase metade (46%) reporta uma deterioração da saúde mental.

O estudo realizado revela ainda que 76% dos portugueses consideram que as redes sociais promovem expectativas financeiras pouco realistas, uma percentagem acima da média europeia (70%). A exposição constante a estilos de vida idealizados e consumos aparentes alimenta sentimentos de inadequação e insegurança, gerando um ciclo de frustração que compromete decisões financeiras equilibradas.

As redes sociais não afetam apenas o estado emocional, também têm um impacto directo nos comportamentos de consumo. De facto, 34% dos portugueses afirmam ter feito compras por impulso após ver publicidade nas redes sociais. Ainda assim, este valor representa uma diminuição face a 2024 (40%), o que sugere que os consumidores portugueses estão hoje mais cautelosos nas suas decisões de compra online. O estudo refere ainda que 14% dos consumidores portugueses afirmam que a pressão causada pelos influenciadores os levou a contrair dívidas.

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Esta dinâmica torna-se ainda mais preocupante com a crescente adesão a soluções como o “Compre Agora, Pague Depois” (BNPL). Em Portugal, 31% dos consumidores admitem sentir-se mais inclinados a comprar quando esta opção está disponível, o que pode aumentar o risco de endividamento — sobretudo quando se trata de compras não essenciais. Esta tendência é ligeiramente mais acentuada entre os homens (32%) do que entre as mulheres (30%). A nível regional, destaca-se uma menor influência desta modalidade no Algarve (24%) e nas regiões autónomas da Madeira e dos Açores (25%), onde o impacto do BNPL na propensão de compra é inferior à média nacional.

 

Também a propósito do Dia Mundial das Redes Sociais, Cláudia Ganhão, especialista em Organização Pessoal Minimalista, explica que, ao simplificar a utilização das redes sociais e do telemóvel, privilegiando a qualidade em detrimento da quantidade, é possível reduzir a distracção, recuperar tempo e utilizar o digital de forma mais intencional e equilibrada.

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Para saber a que sinais de alarme deve estar atento e como poderá aplicar o Minimalismo no uso da tecnologia, Cláudia Ganhão partilha um passo a passo que deve ter em conta.

Sinais de Alarme a que deve estar atenta(o)

. mais de 1h e meia de utilização diária do telemóvel

. não conseguir estar sem o telemóvel (dependência)

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. não conseguir ver TV sem verificar o telemóvel

. quando acorda, a primeira coisa que faz é verificar o telemóvel

. privação do sono

 

Como aplicar o Minimalismo na utilização da tecnologia

1. Fazer um Detox Digital
A utilização excessiva do telemóvel e das redes sociais, para além de nos consumir tempo, desfoca-nos, distrai-nos, rouba a atenção do que é realmente importante, causa danos na saúde e prejudica as relações interpessoais… e todos nós, utilizadores do mesmo, sabemos isso. É essencial termos períodos diários de descanso e de não utilização do telemóvel, fazendo um detox digital.

 

2. Desligar as Notificações
Manter as notificações ligadas distrai-nos frequentemente das tarefas que estamos a fazer. Uma acção simples, para ser mais produtivo e verdadeiramente presente nas tarefas, é desligar as notificações das redes sociais, grupos de whatsapp, email, etc.

 

3. Deixar de seguir algumas contas que já não nos inspiram
Muitas vezes seguimos nas redes sociais pessoas, marcas, entre outras contas, que no momento presente já não fazem sentido ou já não nos inspiram. Essas contas, que ainda aparecem no nosso feed, estão a competir pela nossa atenção e a desviar-nos das contas que queremos realmente ver e deixar que nos inspirem.

 

4. Sair de grupos de Whatsapp que não nos trazem valor acrescentado
Devem ser poucos os que não estão em grupos de Whatsapp que já nem sabem para que servem ou com que intuito foram criados. Grupos que passam o dia a apitar no nosso telemóvel. Que passam o dia a enviar-nos mensagens e estímulos que não queremos e que não nos trazem valor acrescentado. Educadamente, informem o administrador que vão sair desse grupo, e saiam!

 

5. Não usar o telemóvel antes de dormir
Muitas vezes, antes de apagarem a luz, dão aquela espreitadela “rápida” ao telemóvel, às redes sociais, ao email, ao whatsapp e vão dormir. Só que, em vez de um sono reparador, de um sono profundo, acabam por adormecer super estimulados, acordando cansados e sem energia. Na altura de se deitarem, troquem o telemóvel por um livro. E, se puderem, deixem o telemóvel noutra divisão, assim não cedem à tentação de o irem espreitar.

 

6. Deixar de verificar o telemóvel mal acordarmos
Pois é, mal acordam dão uma olhada ao telemóvel e inundam o cérebro, que não está totalmente recuperado, nem processou o excesso de informação do dia anterior, de mais informação, notícias, fotos, textos, afazeres, etc. Que descubramos todos o prazer de acordar devagar, de deixar os nossos pensamentos fluir e de sermos verdadeiramente os donos do nosso tempo.

 

7. Aplicar o Mindfulness no dia-a-dia
Não só por uma questão de saúde e segurança, mas também de sanidade mental, temos todos de parar urgentemente de fazer várias coisas ao mesmo tempo. Já repararam que caminhamos de telemóvel na mão? Que conduzimos de telemóvel na mão? Que vemos espetáculos de telemóvel na mão, só para captar a melhor foto ou vídeo? Que falamos com os nossos filhos com o telemóvel na mão? São pequenas mudanças, mas que poderão ter um grande impacto na nossa vida.

Cláudia Ganhão sugere ainda que, se tiver dificuldade em gerir o tempo que passa nas redes sociais, instale uma app que bloqueia o seu uso, assim que exceda o tempo definido.

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