Os dados são do estudo “Centralismo, oportunidades e mobilidade dos jovens portugueses qualificados: perceções, realidades e recomendações”, divulgado pelo Jornal de Notícias.
De acordo com a publicação, seis em cada dez estudantes apoiam a regionalização, enquanto mais de 90% defendem um aprofundamento da descentralização. Para o presidente da Federação Académica do Porto (FAP), Francisco Porto Fernandes, a diferença explica-se sobretudo pelo desconhecimento que continua a existir em torno do tema, uma vez que apenas 9% dos inquiridos assumem uma posição contrária, ao passo que cerca de um terço admite não ter informação suficiente para formar opinião.
O estudo, que inquiriu estudantes oriundos de diferentes pontos do país, procura perceber de que forma a concentração de investimento, organismos públicos e centros de decisão condiciona os projectos das novas gerações. É nesse contexto que surge uma das conclusões consideradas mais relevantes: a maioria dos jovens mantém uma forte ligação ao território onde vive, mas sente que, para construir uma carreira, tem de abandonar a região de origem em direcção à capital ou ao estrangeiro.
Francisco Porto Fernandes considera que esse é, hoje, o principal problema. «Dói-me encontrar mais colegas da faculdade nos supermercados em Lisboa do que aqui no Porto», confessa, atribuindo essa realidade à concentração das grandes empresas, consultoras, sociedades de advogados e organismos públicos na capital. Na sua perspectiva, o país acabou por criar um modelo em que “os jovens deixam de escolher onde querem viver”, limitando aquilo que designa como o “direito a ficar”.














