O “lifting and shifting” funciona mesmo? Estudo mostra que nem sempre gera ganhos

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Human Resources
8 de Setembro 2026 | 10:10
O “lifting and shifting” funciona mesmo? Estudo mostra que nem sempre gera ganhos

A mobilidade interna é frequentemente apresentada como uma das melhores estratégias para desenvolver talento, reter colaboradores e responder a necessidades operacionais. No entanto, um novo estudo sugere que nem todas as formas de movimentação de trabalhadores produzem os mesmos benefícios para as organizações.

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A investigação, publicada no Academy of Management Journal, analisou o impacto das transferências internas em unidades de negócio e concluiu que deslocar colaboradores individualmente tende a gerar vantagens organizacionais. Já a transferência simultânea de grupos de pessoas provenientes da mesma equipa pode não produzir os resultados esperados.

O trabalho foi liderado por Caitlin Ray, professora da Cornell University, e procurou compreender de que forma a mobilidade interna afecta não apenas os profissionais envolvidos, mas também as equipas e a organização como um todo. Segundo a investigadora, esta é uma área que tem recebido pouca atenção ao nível colectivo, apesar das suas implicações significativas para a gestão do talento.

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Para chegar às conclusões, os investigadores analisaram dados recolhidos ao longo de três anos numa empresa da Fortune 500 com mais de 1.200 lojas. O estudo acompanhou movimentos de vendedores, gestores de loja e gestores intermédios entre diferentes unidades da organização.

Os resultados mostram que a transferência de um colaborador para uma nova equipa tende a criar valor global para a empresa. O mesmo acontece quando uma equipa é formada por profissionais provenientes de diferentes unidades. Nestes casos, os ganhos registados nas equipas de destino superam as perdas sentidas pelas equipas de origem.

Já quando vários colaboradores são movimentados em conjunto a partir da mesma unidade para outra área da empresa, os benefícios desaparecem. Os investigadores explicam este fenómeno com o conceito de “capital específico da equipa” (unit-specific capital, no original): embora os colaboradores tragam consigo formas de trabalho já consolidadas e relações previamente estabelecidas, essa vantagem pode dificultar a adaptação às normas, processos e dinâmicas da nova equipa.

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Além disso, grupos transferidos em bloco tendem a acrescentar menos diversidade de experiências e perspectivas do que profissionais oriundos de diferentes unidades, reduzindo o potencial de aprendizagem e inovação.

As conclusões deixam uma mensagem importante para os responsáveis de Recursos Humanos: embora possa parecer uma solução lógica mover equipas já habituadas a trabalhar em conjunto para novos projectos ou operações, essa estratégia nem sempre maximiza o desempenho organizacional. Em muitos casos, a combinação de talento proveniente de diferentes áreas poderá gerar resultados mais positivos do que a simples replicação de equipas já existentes.

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