Ana Bernardes, Accenture: «Os nossos profissionais são cada vez mais inquietos e curiosos»

Na Accenture defende-se que a inovação, a experimentação e a partilha de conhecimento devem estar presentes desde o primeiro contacto com a empresa. E isso está espelhado de forma vincada na formação que desenvolvem internamente.

 

Accenture assume como missão cumprir a promessa da tecnologia e da criatividade humana, utilizando o poder da mudança para criar valor e partilhar sucesso com clientes, colaboradores, accionistas, parceiros e sociedade.

Ana Bernardes, directora de Recursos Humanos da consultora em Portugal sublinha que são pioneiros no conceito de “360º Value”, o qual visa ajudar os clientes a transformarem e reinventarem os negócios, a requalificarem os colaboradores ou a tornarem-se mais sustentáveis. Explica: «esta acção tem por base a rotação bem-sucedida da Accenture para o denominado “novo”, com aproximadamente 70% do negócio a nível global agora a incidir nas áreas do digital, cloud e security, o que é crítico numa altura em que a escala é importante para ajudar os clientes na transformação das suas organizações.» A verdade é que a empresa podia focar todas as atenções num pilar meramente económico, tendo como objectivo último e único a maximização do lucro.

Contudo, «acreditamos que as empresas, e não apenas os Estados, têm uma responsabilidade incontornável e mobilizadora para desenvolver a sustentabilidade social e ambiental», faz notar Ana Bernardes. Como tal, a Accenture assume o dever de fomentar uma cultura de responsabilidade e transparência que demonstre o seu impacto. «Este é o momento para que a inovação responsável, a sustentabilidade e o compromisso social sejam parte essencial do modelo corporativo das organizações, integrando-o de forma natural na sua estratégia, no propósito institucional e no dia-a-dia de todos os profissionais.

E, porque não nos podermos esquecer da força motriz por detrás de qualquer operação, continuamos a investir naquele que é o nosso maior activo: as pessoas», destaca. A Accenture crê que a criação de emprego de qualidade, que supera a intenção do antigo posto de trabalho, tem por base o total respeito pelos colaboradores e pelo percurso profissional, com uma atenção no seu potencial de crescimento.

 

A gestão de talento como pilar estratégico 
Um dos pilares estratégicos da Accenture é a gestão do seu talento, desde a sua captação e selecção ao desenvolvimento de competências. «A Accenture é dotada de equipas globais e locais com um know-how muito profundo nas diversas tecnologias emergentes, na gestão de projecto, conhecimento de indústria e sectores, soft skills e forte liderança», faz notar Ana Bernardes. «Para o assegurar, temos por base o desenho e a definição de prioridades formativas a nível corporativo/global, que serão enquadradas no alinhamento estratégico das oportunidades de crescimento de cada área de negócio, contextualizadas no mercado nacional.»

A organização concebe um plano individual de formação considerando, para além da área de negócio de cada um, a função que a pessoa desempenha, a sua competência, o seu nível de especialização e a sua categoria profissional. «Para além desta formação core/prioritária, o colaborador é incentivado a potenciar o seu crescimento na empresa, com formação complementar que lhe permita consolidar conhecimento e experiência, contribuindo de forma positiva na evolução da sua carreira», acrescenta a directora de Recursos Humanos.

A Accenture redesenhou e transformou toda a experiência formativa, adoptando metodologias e ferramentas mais colaborativas, o que permite a interacção e o envolvimento de todos. Dependendo da área, «mantemos o tronco comum na passagem de conhecimento sobre o negócio da empresa, a sua missão, valores, código de ética, assim como comportamentos de segurança, entre outras áreas de desenvolvimento».

Também o desenvolvimento da Academia Corporativa da Accenture tem por base o grande pilar de gestão do talento, que se inicia desde a experiência como candidato, até à sua integração na empresa como colaborador. A organização continua a desenvolver as suas pessoas com as foundations skills da empresa: «o que somos, acreditamos, e a nossa direcção de futuro como empresa líder de mercado».

 

O papel das universidades
Também as universidades têm na Accenture uma grande relevância, sobretudo como resposta às necessidades de contratação. Ana Bernardes revela que o objectivo anual que assumem é contratar cerca de 300 pessoas recém-formadas para as áreas de Technology, Strategy e Consulting. Para isso, a consultora tem parcerias com o Instituto Superior Técnico e a Universidade do Minho, entre outras, em que desenvolve projectos com os alunos e oferece estágios de Verão, curriculares e apoio no desenvolvimento de teses.

Exemplifica: «Criamos workshops/ talks para os alunos, por skill, de modo a fomentar o conhecimento dos mesmos em tecnologias que as universidades não oferecem no seu plano curricular.» A Accenture também participa em eventos de recrutamento e brand awerness junto de diferentes universidades para aumentar a exposição da marca no mercado. Nesse contexto, desenvolve um programa de embaixadores, o Accenture Student Abassador, com um parceiro externo, que visa seleccionar 24 alunos de diferentes backgrounds e de diferentes universidades, para serem seus representantes e divulgadores da marca Accenture nos campus universitários.

«Contamos com a sua irreverência e energia para partilhar esta experiência com os seus colegas e estarem lado a lado com a nossa equipa de talent acquisition nos principais eventos on campus, workshops temáticos e open days, bem como no apoio nas feiras de emprego», partilha a directora de Recursos Humanos. «O programa ajuda-nos a alavancar a nossa presença em diferentes universidades, nomeadamente Instituições de ensino politécnico, aumentar o número de candidaturas na nossa base de dados para futuras contratações e entender melhor o que os alunos procuram ao nível de formação.» LEADERSHIP DNA Estando convictos de que as organizações líderes devem apoiar-se em princípios e valores comuns que orientem o seu comportamento, a Accenture criou o Leadership DNA, formado pelas seguintes cadeias: Inovação, Inspiração, Colaboração, Agilidade e Personalização.

«Os nossos profissionais são cada vez mais inquietos e curiosos, na procura constante das últimas tendências das diferentes temáticas de conhecimento», partilha Ana Bernardes. «Nesse sentido, entendemos que a inovação, a experimentação e a partilha de conhecimento devem estar muito presentes, desde o primeiro contacto com a nossa empresa, espelhando de forma muita vincada na formação que desenvolvem internamente.» Na Accenture, o foco constante na inovação verifica-se em muitas acções, mas também na actualização anual do seu currículo formativo. «O amplo leque de opções formativas contempla os conteúdos tecnológicos mais vanguardistas e as últimas tendências em formação, tais como hackatons, project based learning ou learning boards, que permitem uma aprendizagem mais interactiva e gamificada em sessões de formação ou comunidades de aprendizagem e interesses», exemplifica a responsável de Recursos Humanos, acrescentado que a empresa mantém um sólido portefólio de formação de competências tecnológicas, soft skills e um profundo conhecimento sobre cada indústria e sector em que desenvolve a sua actividade.

Ao longo dos anos, a Accenture tem defendido que a aceleração tecnológica deve ser acompanhada pela formação dos colaboradores, permitindo uma simbiose entre as pessoas e tecnologia. «Por esse mesmo motivo, temo-nos focado na formação das nossas pessoas, através de parcerias com empresas tecnológicas como por exemplo, as Academias de SalesForce, Outsytems, Java, AI ou Cloud», releva. «Existe também um tempo e um espaço reservados para a academia interna da Accenture, onde os nossos colaboradores preparam e geram conteúdos para os novos colegas, com o objectivo de prepará-los para as competências necessárias ao trabalho que vão desenvolver dentro da Accenture». Tudo isto sem esquecer a preocupação constante de criar e gerir competências digitais. E aqui entra o programa denominado por Technology Quotient (TQ), uma iniciativa global de learning, desenvolvida para que todas as pessoas da Accenture possam entender e adquirir um conhecimento mais aprofundado das tecnologias que estão a mudar o mundo. Alguns dos colaboradores da Accenture dão aulas em diferentes Instituições, o que gera uma maior proximidade e maior rede de contacto da Accenture com o meio académico.

 

Tendências na área formativa
Para Ana Bernardes, «as tendências formativas para 2021 relacionam-se com muitas das que a Accenture já está a desenvolver desde 2020». Destaca-se precisamente a adopção do digital como ferramenta para desenvolvimento de competências. «Temos de estar preparados para ter, num espaço curto de tempo, uma percentagem significativa de pessoas a trabalhar 100% em modo remoto e outras numa estado mais híbrido», constata a responsável. Outra das tendências assenta na saúde mental e bem-estar dos colaboradores, no âmbito do qual a Accenture desenvolveu, em 2020, «iniciativas e acções concretas, tendo sempre a preocupação em garantir o bem-estar físico e mental de todos os colaboradores». Para a Accenture, a aprendizagem adaptativa é outra das tendências a reter.

«O conteúdo didático é “moldado”, baseando-se nas respostas das diferentes actividades e experiências apresentadas ao longo do percurso formativo, hiperpersonalizando os recursos à pessoa.» Concluindo, a directora de Recursos Humanos identifica uma última grande tendência: o desenvolvimento de soft skills. «Paralelamente ao avanço tecnológico, temos de assegurar que as empresas consideram o desenvolvimento pessoal das suas equipas como foco de igual importância. Num contexto como o actual, é de extrema relevância a valorização crescente de competências como a inteligência emocional, a resiliência, a liderança empática e a gestão de equipas virtuais.»

 

Este artigo faz parte do Especial “Academias de Formação”, publicado na edição de Março (n.º 123) da Human Resources, nas bancas.

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