Lay-off representa metade da despesa de combate à pandemia

Margarida Lopes
27 de Agosto 2020 | 14:15
Lay-off representa metade da despesa de combate à pandemia

As medidas de lay-off, que permitiram às empresas cortar salários e horários de trabalho aos empregados com o apoio do Estado, representam, até final de Julho, quase metade (47%) do que já foi gasto em medidas especiais para combater os efeitos da pandemia, mostram números oficiais da execução orçamental, ontem divulgados pelas Finanças. A notícia foi avançada pelo Dinheiro Vivo.

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A publicação avança que esta e outras medidas, mais o efeito inexorável da crise na economia e no emprego (logo nas contas públicas), contribuíram para que o défice público acumulado explodisse quase 1800% face aos mesmos sete meses do ano passado.

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De acordo com uma nota do Ministério das Finanças, o governo já gastou 752 milhões de euros com as medidas de lay-off, que devem ter abrangido e afectado os rendimentos de quase 900 mil trabalhadores. Este regime (simplificado) foi lançado a 26 de Março e descontinuado a 31 de Julho.

A tutela do ministro João Leão recorda que a execução orçamental dos primeiros sete meses deste ano já reflecte as «medidas extraordinárias de política de apoio às famílias e às empresas».

Segundo o Dinheiro Vivo, do lado da despesa, o acréscimo associado a medidas extra foi de 1599 milhões de euros «principalmente associado às medidas de lay-off [752 milhões de euros ou 47% desse valor em gastos especiais], aquisição de equipamentos na saúde (304 milhões de euros) e outros apoios suportados pela Segurança Social (342 milhões de euros)».

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A quebra de receita influenciada por medidas também elas de combate à crise pandémica terá ascendido a 672 milhões de euros, «reflectindo os impactos da prorrogação das retenções na fonte (IRC e IRS) e pagamento do IVA, bem como da suspensão de execuções da receita (ainda sem quantificação da prorrogação das contribuições para a Segurança Social) e das medidas de isenção ou redução da taxa contributiva».

Ou seja, há aqui uma parte substancial da descida da receita que, em princípio, é temporária. Isto porque os impostos em causa terão de ser pagos mais à frente e as execuções de receita em questão estão apenas suspensas.

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O Dinheiro Vivo revela que em todo o caso, até Julho, somando a despesa a mais e a receita a menos, as contas públicas sofreram «uma degradação adicional do saldo de pelo menos 2271 milhões de euros» por via das referidas medidas especiais de combate aos efeitos da pandemia.

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No entanto, como referido, as contas públicas também se ressentiram directamente como um todo com a grave crise que se instalou.

Assim, o défice público global acumulado no período de Janeiro a Julho deste ano atingiu os 8332 milhões de euros, o que representa um aumento do desequilíbrio na ordem dos 1770% face aos mesmos sete meses do ano passado (o défice em Julho de 2019 estava nos 445 milhões de euros), segundo os novos dados avançados pelas Finanças e cálculos do Dinheiro Vivo.

De acordo com o ministério, em apenas um ano (até final de Julho último) houve um «agravamento do saldo orçamental em resultado da pandemia de 7.853 milhões de euros face ao período homólogo». É o «efeito combinado de contracção da receita (-10,5%) e de crescimento da despesa (5,3%)».

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A receita fiscal registou uma descida de 14,6% «com a generalidade dos impostos a evidenciar quebras que resultam da contracção da actividade económica».

O IVA colapsou quase 13%, mas as Finanças argumentam que está em curso uma «forte desaceleração desta queda em termos mensais face aos dois meses anteriores».

«A quebra de receita é em grande medida influenciada pelo impacto no IRC do adiamento do pagamento do primeiro pagamento por conta para Agosto de 2020», observa o gabinete de João Leão.

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