
Miguel Farinha, EY: Liderar com propósito
No âmbito do especial dos 15 anos da Human Resources, desafiámos responsáveis de empresas a perspectivarem os pontos-chave da liderança para os próximos 15 anos.
Por Miguel Farinha, Country Managing Partner da EY, portuguese cluster
Liderar hoje da mesma forma que liderávamos ontem é escolher ficar para trás. O mundo muda a uma velocidade impressionante e com ele mudam também as pessoas, as empresas e as suas expectativas. Se continuarmos presos ao que funcionava há 10 ou 20 anos, vamos perder terreno – e rapidamente. Por isso, repensar o que é liderar é mais do que uma necessidade: é uma urgência.
Estamos a viver uma fase de transformação profunda, em que os modelos tradicionais de liderança já não são suficientes. Hoje, liderar é muito mais do que desenhar estratégias de crescimento ou gerir tarefas. É saber inspirar, dar significado ao trabalho e, acima de tudo, construir relações verdadeiras com as equipas que nos acompanham. Na EY Portugal, procuramos que a liderança seja uma força que puxa para cima, que empurra para a frente, que apoia, impulsiona e valoriza cada pessoa da equipa. Sabemos que o sucesso que queremos construir não passa só pelos números – está nas histórias, nas ambições e nas motivações de quem caminha connosco.
A transformação a que assistimos hoje tem várias frentes: a tecnologia, com a inteligência artificial a reconfigurar rotinas, mas também os recursos humanos, com a nova geração a procurar mais propósito, flexibilidade e verdade. As equipas querem sentir que fazem parte de algo maior, querem crescer com autonomia e propósito. Isso obriga-nos, como líderes, a estar mais presentes, a ouvir com atenção e a liderar com sensibilidade. As regras rígidas e as hierarquias pesadas já não funcionam – precisamos de proximidade, de diálogo e de confiança.
O líder de hoje – e do futuro – precisa de um conjunto amplo de competências. Desde a inteligência emocional à visão estratégica, passando pela capacidade de comunicar com clareza e de criar ambientes verdadeiramente inclusivos. Deve ser alguém que dá o exemplo, que desafia e apoia, que sabe quando falar e quando apenas escutar. A sua agenda deve dar prioridade ao desenvolvimento das pessoas, ao equilíbrio entre vida profissional e pessoal, à diversidade e à sustentabilidade. Estes temas são cada vez mais centrais e não vão desaparecer.
O perfil do líder ideal em 2030 combina visão com humildade, exigência com compreensão, decisão com abertura ao diálogo. É alguém que sabe liderar em tempos incertos e que promove uma cultura onde todos se sentem ouvidos, incluídos e valorizados. Alguém que entende que liderar é estar com a equipa, a puxar para o mesmo lado. No fim, o que fica não são apenas os resultados, mas as pessoas que ajudámos a fazer crescer e o impacto positivo que nelas deixámos.
Claro que este caminho não é fácil. Existem resistências à mudança e ainda há quem confunda vulnerabilidade com fraqueza, quando, na verdade, é um sinal de força e genuinidade. Também é difícil encontrar tempo para parar e reflectir neste mundo acelerado. Mas essas pausas são essenciais para uma liderança mais consciente.
Na EY Portugal, temos investido muito na formação e no desenvolvimento dos nossos líderes. Queremos líderes que sejam verdadeiros parceiros das suas equipas, que criem um ambiente onde todos se sintam seguros, motivados e valorizados. Sabemos que o talento é o nosso principal activo e que são os líderes que fazem a diferença na atracção e retenção desse talento.
A EY tem um ambiente de trabalho que privilegia a inovação, a pluralidade de perspectivas, mas, sobretudo, o bem-estar dos colaboradores, e um conjunto de benefícios pensados para promover o seu equilíbrio entre a vida profissional e pessoal. Valorizamos uma cultura inclusiva, onde a diversidade não é apenas uma meta, mas uma força viva que alimenta a criatividade e impulsiona a riqueza de ideias. As diferenças contam, enriquecem e inspiram novas formas de pensar e fazer.
Liderar hoje é, sobretudo, um acto de serviço. Não se trata apenas de indicar o caminho, mas de o percorrer lado a lado. Com coragem para fazer diferente, humildade para continuar a aprender e responsabilidade para cuidar do que mais importa: as pessoas.
É com essa visão que seguimos na EY: com propósito, com empatia, com autenticidade. Queremos construir esse futuro de forma colectiva – juntos, com os nossos talentos e com coragem para mudar. E para moldar com confiança. Como diz a nossa assinatura global, “Shape the Future with Confidence”. Queremos cultivar uma liderança com visão, coragem e humanidade, para construir uma organização cada vez mais inovadora, sustentável e inspiradora. Um lugar onde todos se sintam motivados a crescer e a contribuir para um mundo melhor.
Este artigo faz parte do Tema de Capa publicado na edição de Julho (nº. 175) da Human Resources.
Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.