Saiba como competir além-fronteiras. E vencer.

Margarida Lopes
16 de Outubro 2019 | 11:01
Saiba como competir além-fronteiras. E vencer.

As empresas têm cada vez mais colaboradores de diferentes nacionalidades, fruto da globalização. Isso leva a problemas como a falta de comunicação ou os confrontos culturais, mas também há oportunidades que podem ser aproveitadas, se houver uma boa gestão.

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No último relatório do The Economist, “Competir além das fronteiras”, os analistas defendem que, devido à fraqueza dos mercados locais ou às oportunidades estrangeiras, a internacionalização é um facto e coloca um novo desafio, o multiculturalismo.

As empresas assumem que precisam de ter pessoas de diferentes culturas e países, mas é a forma como lidam com essa diversidade que pode ser a diferença entre o sucesso e o fracasso.

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Idioma vs Comunicação
A vice-presidente da Netflix da Europa, África e Médio Oriente, María Ferreras, explicou que um dos problemas da empresa é que, quando terminam cada reunião, ela faz um balanço com os participantes e parece que cada um esteve numa realidade diferente. Todos percebem inglês perfeitamente, mas para cada expressão, cada um atribui  conotações diferentes, que podem transformar o encontro num sucesso ou no maior fracasso. O problema não é o idioma, mas a cultura de cada membro. A vice-presidente da Netflix comentou isso durante o seu discurso na conferência da CEOE sobre mulheres e liderança.

A comunicação adequada entre culturas “é a chave” para o sucesso financeiro, de acordo com o relatório acima citado. Prova disso é a pesquisa, baseada na resposta de mais de 700 executivos, que destaca que 51% das falhas de comunicação são atribuídas a diferenças culturais, enquanto apenas 27% são devidas a idiomas.

José Javier Romero, CIO, DPO do grupo IFA e investigador da diversidade cultural nos negócios da UNIR, explica que esse é um dos principais problemas das empresas deslocalizadas. Para ele «a linguagem é apenas um meio de transporte e, com a multiculturalidade, essa falta de entendimento pode ser um problema».

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Por isso, recomenda que os líderes insistam para que a mensagem chegue bem à equipa.

 

Tradições diferentes, objectivos distintos
O CIO do grupo IFA destaca ainda que, além da falta de comunicação, é um risco, trabalhar com pessoas com outra visão do mundo empresarial e que isso pode criar grandes conflitos culturais. Acrescentando que a forma como são geridos pode ser decisivo para o futuro da empresa.

Um exemplo disto são as recompensas dos colaboradores. Em determinadas culturas, o dinheiro pode ser menos eficaz do que o reconhecimento profissional ou condições de trabalho e vice-versa.

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Mas se uma empresa multicultural se traduz em problemas de comunicação e confrontos culturais a serem geridos, qual é o objectivo?

De acordo com José Javier Romero, há duas coisas que são vantagens objectivas. Mais culturas significa mais acesso ao talento, e para expandir uma empresa num determinado país, ter pessoas com essa cultura vai ajudar o negócio.

Por outro lado, o coach de negócios César Piqueras destaca como um activo importante, poder potenciar os aspectos mais benéficos das culturas e adaptá-los a tarefas mais específicas, além de fornecer pontos de vista diferentes.

Actualmente, a inovação no sector privado está frequentemente ligada a empresas com muita diversidade cultural. Nos Estados Unidos, de acordo com a Fundação Nacional de Políticas Americanas, 51% dos CEOs de empresas de ‘unicórnios’ (startups que atingiram mais de 1 bilião de euros em faturamento) são pessoas que não nasceram nos Estados Unidos.

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