Sócrates: “Conhece-te a ti mesmo”

Flávia Brito
11 de Agosto 2016 | 13:42

Num tempo onde se exige andar sempre à frente dos ponteiros do relógio, onde a preparação do futuro é feita hoje com uma capacidade de adaptação e antecipação constantes, impondo-se o multitasking e multi… tudo, investimos o nosso conhecimento e o nosso tempo a conhecer melhor os nossos mercados actuais e novos mercados, os nossos concorrentes, os nossos produtos ou serviços, sempre com uma preocupação constante com o digital.

Por Ana Porfírio, directora de Recursos Humanos da Jaba Recordati e conselheira editorial da revista Human Resources

 

Enquanto profissional de recursos humanos não posso deixar de me perguntar porque não fazemos o mesmo investimento de tempo a conhecermo-nos melhor e aos profissionais da nossa organização com quem trabalhamos todos os dias – chefia, pares e equipa. Quando foi a última vez que investi tempo meu nesta reflexão: em que é que somos individualmente mesmo muito bons? E que fragilidades individuais temos? De facto, não tenho uma resposta objectiva e temporal. Mesmo quando acontece esta reflexão, antecipo que muitos de nós acabemos por nos focar na segunda interrogação o que nos leva a preparar planos individuais de desenvolvimento e respectivos planos de acção de curto ou médio prazo, procurando desenvolver as nossas fragilidades e desfocando-nos daquilo em que somos realmente bons, que nos diferencia e que, no meu entender, deveria ser o foco do nosso desenvolvimento garantindo que passamos de bons a experts numa determinada competência ou matéria.

Não valerá a pena continuar a investir naquilo em que já somos reconhecidos como “fortes” em vez de sermos “obrigados” a dispersar a nossa energia e foco em áreas onde temos ainda muito que melhorar. Não será preferível procurar soluções de cooperação nesses casos com outros que tenham essas como as suas áreas de especialidade?

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Considero importante que as nossas organizações criem o espaço e o ambiente necessários a esta desafiante reflexão, essencial para capitalizar o nosso melhor e cuidar de avaliar os impactos que tem no nosso negócio, nas nossas relações e nas nossas pessoas. Este processo não é difícil mas é exigente considerando que implica o muitas vezes doloroso julgamento próprio e autocrítica aos quais nós, a nossa sociedade, cultura e organizações não estão muito habituados.

Deixo-vos o desafio de fazermos como Sócrates ao utilizar o aforismo grego “conhece-te a ti mesmo” como pedra angular do pensar, e potenciarmos o desenvolvimento e o expertise das nossas pessoas com o foco naquilo em que já são realmente boas sob pena de estarmos a investir e a desenvolver um conjunto de profissionais medianos em tudo.

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