Transparente, eu sou transparente – Ninguém repara em mim

Human Resources
16 de Setembro 2021 | 11:00
Transparente, eu sou transparente – Ninguém repara em mim

Por Isabel Moço, coordenadora e professora da Universidade Europeia

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Recentemente tive a oportunidade de assistir à estreia da nova temporada do musical “Chicago” e recomendo vivamente como consumo cultural. Mas as coisas que vivemos devem promover a reflexão e, sobretudo, levar-nos a tirar lições de cada pequena parte da vida, para toda ela. No espetáculo, numa performance excecional, um dos atores representando o papel de Amos Hart, recordou-me a letra do fantástico (no original) Mr. Cellophane, que se transcreve uma parte de seguida, e que fez pensar nos tantos “transparentes” que existem nos contextos de trabalho.

 

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“Cellophane, Mr. Cellophane

shoulda been my name

Mr.Cellophane ‘cause you can look right through me
Walk right by me

and never know I’m there”

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Com a adaptação da letra para o espetáculo – “transparente, sou transparente, ninguém repara em mim” fui levada para o mundo da gestão de pessoas, num instantinho. Felizmente, parece que as adversidades, necessidades de adaptação e um novo significado do trabalho e das relações de trabalho, trazidos pelos tempos da pandemia, fizeram com que a dimensão humana do trabalho ganhasse uma nova dimensão e novas expressões. Mas nem sempre.

Discutia-se há muito o papel do ser humano no mundo do trabalho face a fenómenos como a robotização, a mecanização ou a digitalização, e parecia já consensual que grandes mudanças se revelam dia-a-dia a esse nível, trazendo-nos a hipótese de humanizar o trabalho de forma diferente, em que o ser humano seria, precisamente, o foco. O surgimento de uma pandemia a nível global veio então voltar a baralhar a equação, e hoje está demonstrado em diversos estudos que foram traços/competências intrinsecamente humanos que permitiram (e vão continuar a permitir) vencer as adversidades – resiliência, capacidade de inovar no sentido de encontrar soluções, gestão emocional e suporte social, são algumas que aqui se destacam.

Dois temas, portanto: Os transparentes e a forma como hoje vemos a relação pessoa/trabalho/empresa, o que nos leva a algumas perguntas – quem são os transparentes da nossa organização? Por que razão são transparentes, ou seja, porque não se dá por eles? O que fazem, porque fazem e como fazem o seu trabalho, cumprem as suas tarefas? Quem permite que sejam transparentes, ou quem faz com que o sejam? Se são transparentes, mas existem por alguma razão válida, como apreciá-los, dar-lhes oportunidades e valorizá-los? Se gere pessoas, quem são os seus transparentes? Resumindo, poderia não contar com os transparentes?

A questão de fundo desta reflexão é a importância que têm, ou podem ter, os menos visíveis e destacados num sistema de trabalho. A gestão de pessoas sempre deu bastante importância e destaque aos “key players” – as lideranças, as funções chave, os “raros e difíceis”, os “experts”, até as chefias intermédias – e está certo. São muitas vezes papéis determinantes para que tudo funcione, e a “cola” que deve agregar e traga efeitos positivos no cumprimento dos papéis e dos objetivos. Mas não se esqueça que sem estes transparentes, nada funcionaria – pelo menos da mesma forma. Se tanto do que somos e fazemos depende (também) dos transparentes, demos-lhe, também, palco.

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