PRR: “Grande ambição” na execução apenas possível com “participação activa” de empresas

Human Resources com Lusa
14 de Julho 2021 | 16:30
PRR: “Grande ambição” na execução apenas possível com “participação activa” de empresas

A Confederação Empresarial de Portugal (CIP) defendeu que só com a «participação activa» das empresas será possível realizar a «grande ambição» de executar o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

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Em comunicado, a entidade realçou «a necessidade de o Governo passar rapidamente do plano à concretização», no dia em que o Conselho Ecofin aprovou os primeiros 12 planos de recuperação e resiliência, entre os quais o de Portugal, que nas próximas semanas receberá o primeiro desembolso do ‘bolo’ global de 16,6 mil milhões de euros.

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«Nos próximos nove anos, Portugal terá de executar, em média, mais de seis mil milhões de euros anuais de fundos europeus, incluindo o PRR, contra os três mil milhões que tem vindo a executar nos melhores anos», recordou a organização, destacando que esta é «uma grande ambição que apenas será realizável se contar com participação activa das empresas».

«São conhecidas as críticas que a CIP teve oportunidade de dirigir ao PRR», lembrou a organização, garantindo que «Portugal compara mal com diversos Estados-membros na prioridade concedida às empresas no desenho dos respectivos» planos.

«Por exemplo, no que respeita aos apoios à transição digital, Itália afeta à digitalização das empresas mais do dobro das verbas destinadas à digitalização da Administração Pública (13,4 e 6 mil milhões de euros, respectivamente), contra pouco mais de metade em Portugal (650 milhões de euros e 1.251 milhões de euros, respectivamente)», lê-se na mesma nota.

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Além disso, disse a CIP, «ao contrário de outros países, como a Grécia, que decidiu baixar a taxa de imposto às empresas para, assim, impulsionar a retoma económica, Portugal tem mostrado grande resistência em acionar a política fiscal e encetar reformas nesta área», em complemento aos investimentos que o PRR implicará.

De acordo com a organização, a decisão tomada agora «inaugura uma nova fase» na qual “Portugal vai passar do plano da discussão à fase da concretização».

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«Neste sentido, é preciso colocar imediatamente no terreno os há muito prometidos instrumentos de capitalização das empresas», bem como «executar com transparência, com processos de seleção abertos, com critérios de escolha adequados e conhecidos à partida», segundo o comunicado.

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A CIP defendeu ainda que «é preciso ajustar os procedimentos e o funcionamento das estruturas à realidade das empresas e às suas necessidades» e «associar os investimentos previstos às reformas que criem um ambiente de negócios mais favorável ao relançamento industrial e à competitividade das empresas».

«A destruição provocada pela pandemia e pelas medidas que ainda hoje restringem a liberdade de ação das empresas e das pessoas» colocam «Portugal numa situação de fragilidade económica e financeira extrema», referiu António Saraiva, presidente da CIP, citado na mesma nota.

«Para que este investimento extraordinário tenha êxito e não seja mais uma ocasião desperdiçada, o que seria terrível para os portugueses, é fundamental que o Governo desça do pedestal e envolva realmente as empresas», advertiu o líder associativo, salientando que «a velha política não serve os tempos difíceis» que se vive.

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Reunidos em Bruxelas, os ministros das Finanças da UE aprovaram formalmente, sem surpresa, o primeiro pacote de planos formulados pelos Estados-membros e já validados pela Comissão Europeia para acederem aos fundos do pacote de recuperação ‘NextGenerationEU’, dando o seu aval – a chamada «decisão de execução do Conselho» – aos PRR de Portugal, Alemanha, Áustria, Bélgica, Eslováquia, Espanha, Dinamarca, França, Grécia, Itália, Letónia e Luxemburgo.

Uma vez aprovado este primeiro pacote de planos nacionais de investimentos e reformas, resta a Comissão Europeia celebrar com os 12 Estados-membros os acordos de financiamento – que regulam a transferência das subvenções – e os acordos de empréstimos, o que deverá suceder nos próximos dias, para que comecem a ser libertados os primeiros fundos, ao abrigo do pré-financiamento de 13% (do montante total de cada PRR) previsto no regulamento, o que deverá então suceder ainda este mês ou no início de agosto.

Portugal, cujo PRR ascende a 16,6 mil milhões de euros – dos quais 13,9 mil milhões de euros dizem respeito a subvenções a fundo perdido, sendo os restantes 2,7 mil milhões na forma de empréstimos em condições particularmente favoráveis -, deverá assim receber em breve cerca de 2,1 mil milhões de euros, equivalente a 13% das verbas a que tem direito e que deverá executar até 2026.

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