Multinacional oferece emprego qualificado em Mirandela mas não tem candidatos

Human Resources com Lusa
27 de Setembro 2021 | 10:00
Multinacional oferece emprego qualificado em Mirandela mas não tem candidatos

Um engenheiro de Mirandela regressou à terra para instalar na cidade transmontana o polo principal de uma nova multinacional na área da energia que está a recrutar, mas não consegue candidatos para emprego qualificado.

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Manuel Lemos é um dos fundadores da Enline, que escolheu Mirandela para sede em Portugal da empresa, que tem 25 clientes nos cinco continentes, entre eles as eléctricas nacionais de vários países que usam o software desenvolvido para monitorizar remotamente linhas e equipamentos de energia.

Portugal foi onde tentaram experimentar o produto sem sucesso e ainda hoje não têm clientes no país, onde agora se confrontam com a dificuldade de encontrar interessados para preencher as vagas de emprego que estão a oferecer.

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«Estamos a ter imensa dificuldade em encontrar profissionais principalmente para desenvolvimento de negócio, pessoas com experiência em mercados internacionais, capacidade de falar e escrever inglês, entre outras línguas», concretizou à Lusa.

A empresa já abriu concursos e continua com «sete ou oito vagas», que incluem também profissionais com experiencia no sector eléctrico ou softwares e das especialidades de Tecnologias da Informação e de Marketing.

«Acho que é muito importante tornar público que existe uma empresa de software internacional, que actualmente exporta 100% do que faz para o mundo, que está por decisão dos accionistas em Trás-os-Montes, mas que precisamos de profissionais que queiram vir para o interior», salientou.

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A empresa recebeu apoio do programa para contratação de quadros qualificados, o COESO, e tem como parceiro estratégico o Instituto Politécnico de Bragança (IPB) que «já ajudou a contratar uma pessoa» e em conjunto estão a entrevistar outras.

Manuel Lemos tem 37 anos e é natural de Mirandela, no distrito de Bragança, estudou engenharia no Porto e emigrou para o Peru, na crise de 2008.

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Foi trabalhar para uma empresa alemã da área da energia, papel e mobilidade e foi lá que conheceu outros dois engenheiros estrangeiros com quem decidiu arriscar.

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Esta aventura começou em 2018 com o desenvolvimento de um software para monitorização de equipamentos e linhas de energia que se distinguem do que existe no mercado por não necessitar de equipamento ou idas ao terreno.

Conseguiram apoio de uma incubadora de empresas da União Europeia e um investidor português e, mais recentemente, da incubadora do Parque Natural Regional do Vale do Tua.

«Esse processo foi complicado, nós iniciamos em Portugal, onde infelizmente não tivemos sucesso», recordou.

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Foram bater a portas distintas europeias e a primeira que se abriu foi a da rede elétrica espanhola, seguindo-se a Áustria, Alemanha, e, atualmente, têm clientes «na Austrália, índia, Canadá, Estados Unidos, muitos países da América Latina, desde Brasil, Peru, Colômbia, Chile, Argentina e Uruguai».

A empresa tem escritórios no Brasil, Peru, Alemanha e agentes e revendedores em diferentes países.

«Em Portugal, estamos a tentar convencer distintos clientes como a REN, EDP, entre outros, a aplicar as nossas tecnologias, mas infelizmente ainda não está nada contratualizado, mas temos muito optimismo que possa ainda ocorrer este ano», contou.

De acordo com o sócio, a tecnologia que desenvolveram permite antecipar, prevenir e corrigir os problemas que afetam a distribuição de energia, nomeadamente os mais conhecidos dos público em geral, como os cortes no fornecimento ou incêndios causados por linhas de alta tensão.

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A empresa tem tecnologia que cria um chamado «gémeo digital» da rede ou equipamento, através do qual é possível fazer uma leitura real do que está a ocorrer e «diagnosticar e informar o cliente sobre potenciais falhas ou eventos e como corrigir antes que estas ocorram ou no momento em que estejam ocorrer».

A tecnologia destina-se também a melhorar a potência, redução de perdas até 25% ou controlo da vegetação ao longo das linhas, assim como de incêndios provocados por linhas de transmissões, através das faíscas geradas por descargas eléctricas ou curto-circuitos.

A tecnologia está a ser aplicada em «aproximadamente dois mil quilómetros de linhas em todo o mundo, sendo que as vendas oficiais começaram há pouco mais de um ano».

A perspectiva é «até ao final do ano duplicar este valor e no próximo ano atingir entre dez a 15 mil quilómetros e ir crescendo».

Manuel Lemos acredita neste crescimento com base nos números de um mercado mundial de «aproximadamente 100 milhões de quilómetros de linhas de transmissão».

O volume de negócios da Enline «ainda é pequeno» por ainda se encontrar «numa etapa de desenvolvimento de projeto-piloto com clientes estratégicos».

Manuel Lemos prevê que chegarão ao final do ano «com aproximadamente meio milhão de euros de negócios» e espera «ultrapassar um milhão» no próximo ano, com o objectivo de «chegar a cinco milhões de euros entre 2023 e 2024».

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