Sara Silva, L’Oréal: Tudo começa pelo sentimento de pertença

Human Resources
25 de Janeiro 2023 | 14:00
Sara Silva, L’Oréal: Tudo começa pelo sentimento de pertença

Se a marca comercial dispensa apresentações, a marca de empregador da L’Oréal também não deixa os créditos por mãos alheias. As mãos são as das suas pessoas. São elas que são e dão o testemunho real da proposta de valor da gigante de beleza; são «narradores do orgulho de pertencer a esta casa», afirma Sara Silva.

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Por Ana Leonor Martins | Fotos Nuno Carrancho

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Sara Silva está na L’Oréal há mais de 20 anos. Foram os valores e as pessoas que a cativaram, e isso não mudou. Mas o mundo do trabalho sim. Acredita que o que os diferencia enquanto empregador são, precisamente, «as pessoas e quatro forças únicas: crescimento, diversidade, espírito empreendedor e o propósito “Criar a beleza que faz avançar o mundo” ». E os colaboradores reconhecem-no – são os melhores embaixadores da L’Oréal –, mas a directora de Relações Humanas sabe que, para os jovens que agora começam a sua vida profissional, a forma como vêem as empresas é muito diferente do que há duas décadas. Diferentes (e mais complexos) são também os desafios na Gestão de Pessoas que – não tem dúvidas – têm impacto directo no negócio. Por isso, «envolver colaboradores, uni-los e dar- -lhes o empowerment e a motivação certos para caminharem lado a lado com a organização», é prioridade.

 

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Assumiu a função de directora de Relações Humanas na L’Oréal em Julho do ano passado. Antes de mais, tenho uma curiosidade, porquê a mudança de designação? Antes era direcção de Recursos Humanos…
Apesar de não ser nova na L´Oréal, esta designação é mais pertinente do que nunca. Mais do que recursos, acreditamos que a nossa principal missão é gerir relações.

A L´Oréal tem como visão criar uma cultura centrada nas pessoas, uma cultura inclusiva, inovadora e inspiradora para inventar o futuro da beleza. Os recursos podem ser ilimitados neste sentido, mas se não nos focarmos nas relações entre pessoas, ficaremos certamente mais longe da nossa ambição.

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Já trabalhava estas matérias de aquisição de talento, diversidade, igualdade, inclusão… mas agora a abrangência é maior. E, por volta da mesma altura em que assumiu as novas funções, a L’Oréal criou um cluster ibérico, com sede em Madrid. Que impacto prático isso veio trazer, nomeadamente na sua função e na gestão de Relações Humanas, agora em Portugal e Espanha?
Na prática, ocupo o cargo de directora de Relações Humanas da L’Oréal em Portugal, inserido num Comité de Relações Humanas mais alargado, que gere os dois países. O cluster com sede em Madrid permite uma maior especialização da equipa em áreas como Compensação & Benefícios, Learning & Culture ou Talent Management, que até então, em Portugal, eram asseguradas on top por funções mais generalistas, como HR Business Partners.

Desta forma, a equipa em Portugal consegue dedicar-se a um trabalho de maior proximidade com os colaboradores e stakeholders locais.

 

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E como é que as pessoas encararam esta “novidade”? Foi noticiado que iria haver saída de trabalhadores da filial nacional. Isso chegou a acontecer? Como foi gerido o tema internamente?
Mais de 90% dos colaboradores tiveram uma proposta para ficar nesta nova organização, em Portugal ou reforçando a nossa equipa de talentos portugueses pelo mundo. Em Janeiro de 2022, 50 colaboradores transitaram de Portugal para funções a partir dos escritórios de Madrid em equipas do cluster. Cá, permaneceu uma equipa de 300 colaboradores para impulsionar a estratégia de consumer e client centricity no País e promover uma maior proximidade local com clientes, parceiros e consumidores.

O cluster oferece não só aos actuais, como aos futuros colaboradores, uma experiência intercultural mais rica, percursos de carreira mais atractivos e oportunidades de desenvolvimento para as equipas, bem como maiores responsabilidades em muitas funções.

Reforço também que continuamos a recrutar em Portugal e vamos continuar a ser uma verdadeira “escola de talentos” e impulsionar a aprendizagem e o desenvolvimento pessoal de jovens, através da experiência de trabalho prática e da participação em workshops, conferências e inúmeros projectos e iniciativas transversais.

 

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Quais foram os primeiros ou principais desafios, quando assumiu as novas funções?
Posso dizer que tivemos dois grandes desafios: um relacionado com a criação de uma equipa única, integrando colaboradores e culturas de dois países distintos, e outro mais relacionado com a uniformização de processos, num ano de grandes transformações internas e do negócio.

 

O que definiu como prioridades de actuação?
Temos estado focados em três grandes prioridades: a saúde e o bem-estar, físico e mental, dos colaboradores, sendo que, além de um alinhamento de cluster do programa de benefícios Share & Care, inaugurámos em Setembro novos escritórios, pensados para uma melhoria na produtividade e conforto dos colaboradores; promover uma maior conexão entre managers e equipas, para reforçar o sentimento de orgulho e pertença; e a já referida simplificação de processos. Não posso deixar de destacar que o cluster Portugal e Espanha foi piloto para a implementação do mais importante projecto de transformação da L’Oréal no mundo neste âmbito.

 

Quais são actualmente os principais desafios na Gestão de Pessoas?
Continuamos focados em construir a equipa mais inclusiva, empenhada e produtiva. Num contexto cada vez mais volátil e de permanente inovação, uma cultura corporativa forte, baseada na transparência, diversidade, equidade, flexibilidade e inovação, é uma vantagem competitiva.

Temos de estar permanentemente atentos às tendências, e até criá-las, mas colocando sempre cada uma das nossas pessoas no centro das decisões –a nossa visão people-centric. É por isso importante escutá-las em todos os momentos, para que seja uma “história” partilhada e co-construída.

 

Qual a importância que estes temas assumem nos objectivos do negócio?
A gestão de relações humanas é cada vez mais estratégica para as empresas. Não são apenas o departamento que contrata e que dá formação, são fundamentais para manter a agilidade e a produtividade dos colaboradores, o que se traduz em competitividade da empresa e, logo, tem impacto no negócio. Premente na L’Oréal é conseguirmos envolver os nossos colaboradores, uni-los e dar-lhes o empowerment e a motivação certos para caminharem lado a lado com a organização e garantir o seu desempenho. Tudo isto resulta numa equipa da L’Oréal em Portugal mais forte, alinhada e focada.

 

Leia o artigo na íntegra na edição de Janeiro (nº.145)  da Human Resources, nas bancas.

Caso prefira comprar online, tem disponível a versão em papel e a versão digital.

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