Ciberataques a organismos e empresas crescerão «como uma bola de neve»

Human Resources com Lusa
20 de Junho 2023 | 18:40

Nas últimas semanas, um grupo de hackers com base na Rússia conseguiu infiltrar-se em mais de 60 organizações e empresas, incluindo agências do governo dos Estados Unidos, explorando uma vulnerabilidade num software amplamente utilizado, alertou um especialista.

Os últimos ataques afectaram agências do governo dos Estados Unidos, BBC, British Airways ou Shell serão apenas a ponta do iceberg, noticiou a agência Efe.

A Agência de Segurança Cibernética e Infraestrutura (CISA, na sigla em inglês) reconheceu não ter provas de que estes actuem em coordenação com o Kremlin, e os hackers também declararam não ter motivações políticas.

Os invasores exploraram uma vulnerabilidade num software chamado MOVEit, amplamente utilizado por organizações de todos os tipos para encriptar arquivos e transferir dados com segurança.

«O software em si é utilizado por diferentes organizações, desde serviços financeiros a assistência médica, governo e militares. Então, naturalmente, se um grupo encontrasse essa vulnerabilidade e tivesse tempo para explorá-la, teria uma variedade muito ampla de vítimas», salientou Satnam Narang, engenheiro sénior de investigação da empresa de cibersegurança Tenable, em entrevista à Efe.

Continue a ler após a publicidade

Narang alertou que está a ocorrer um «efeito bola de neve»: «Com o passar do tempo, a bola de neve aumenta. Vamos descobrir cada vez mais quem são essas vítimas, porque naturalmente algumas das vítimas não admitem».

Nas últimas 24 horas, o número de vítimas afetadas anunciadas pelos hackers passou de 26 para 63, segundo dados partilhados por Brett Callow, analista de ameaças da Emsisoft.

O grupo CL0p, que tem a sua base de operações na Rússia, é reponsável por ciberataques, realçou um alto funcionário do governo dos Estados Unidos em declarações à imprensa na quinta-feira.

Continue a ler após a publicidade

De acordo com Narang, o CL0p começou por volta de 2019 e é uma variante de outro malware ou ransomware, conhecido como CryptoMix.

O grupo, que garantiu numa mensagem na dark web não ter ligações políticas e apenas motivação financeira, deu às vítimas até quarta-feira para contactá-las sobre o pagamento de um resgate.

Numa outra mensagem, os hackers alertaram organismos oficiais, citando um serviço do governo, autarquia ou polícia, que não precisavam de entrar em contacto com o grupo, pois já tinham «apagado todos os seus dados» e «não tinham interesse em expor tais informações».

Para Narang, a razão para esta mensagem é que, se os hackers atacarem abertamente estes organismos, estarão «basicamente a brincar com fogo».

A Ipswitch, empresa que desenvolveu o software alvo do ataque, forneceu detalhes em 5 de Junho, em comunicado, sobre a vulnerabilidade descoberta no MOVEit, anunciando que tinha aberto uma investigação e que estava a trabalhar com os seus clientes para prevenir qualquer dano.

Continue a ler após a publicidade

Narang sugeriu ainda que as empresas que utilizam este tipo de tecnologia devem «parar e rever o seu software».

Partilhar


Mais Notícias