Nível de vida em Portugal está em queda face à UE (ficando abaixo da Roménia). Há sobretudo dois factores que o justificam

Margarida Lopes
3 de Outubro 2023 | 08:30
Nível de vida em Portugal está em queda face à UE (ficando abaixo da Roménia). Há sobretudo dois factores que o justificam

A publicação “Economia e empresas: tendências, perspectivas e propostas”, do novo Gabinete de Estudos Económicos, Empresarias e de Políticas públicas (G3E2P) da Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP), revela que a previsível revisão em alta da população portuguesa nos dados do Eurostat irá piorar ainda mais o nível de vida relativo, colocando Portugal abaixo da Roménia, na sexta pior posição em 2022 (75,9% da UE), em vez da sétima pior nos dados oficiais (77,1%).

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No primeiro capítulo, a decomposição e análise do nível de vida de Portugal face à União Europeia (UE) mostra que a perda relativa entre 1999 e 2022 resultou do pior comportamento relativo da produtividade por empregado e da taxa de desemprego e, em menor medida, da redução da vantagem relativa na taxa de catividade da população.

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Até 2030, tendo em conta projecções do Ageing Report de 2021 da Comissão Europeia e o recente aumento da idade de reforma em França, há ainda o risco de uma diminuição relativa da taxa de actividade da população, que penalizaria ainda mais o nosso nível de vida relativo.

Por outro lado, os sinais de reversão das vantagens relativas temporárias de Portugal desde o início da guerra na Ucrânia, ao nível do turismo (pela imagem de destino bonito e seguro, longe do conflito) e da energia, são claros, pelo que tenderão também a piorar o nosso nível de vida relativo proximamente.

A análise deste capítulo aponta ainda para uma forte sobrestimação da queda do número de horas por empregado oficiais entre 2019 e 2022 em Portugal face à evolução efectiva da jornada de trabalho, resultando numa subida da produtividade horária muito acima da registada na UE, mas sobretudo em termos históricos e face à variação modesta da produtividade por empregado.

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Há estudos sobre teletrabalho que apontam para um aumento das horas trabalhadas em reflexo de perdas de produtividade, sobretudo a tempo integral, embora haja vantagens, como a conciliação com a vida familiar. Tal indica uma maior segurança na utilização dos indicadores da produtividade por empregado face aos de produtividade horária, pelo menos durante a transição para novos modelos de trabalho.

A descida do nível de vida relativo no período alargado de 1999 a 2022 reflectiu a evolução relativa do PIB per capita a preços constantes.

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A análise conduzida evidencia ainda que o peso no PIB dos factores geradores de riqueza encolheu em favor dos impostos e contribuições, ao contrário da UE, ajudando também a explicar o nosso menor crescimento económico, pois é preciso primeiro gerar riqueza antes de a repartir.

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A fatia para o Estado tem sido cada vez maior, explicando o máximo de 36,4% do PIB de carga fiscal em 2022 que, após relativizada pelo nível de vida relativo, se traduz num esforço fiscal 17% acima da média da UE, o quinto maior. Isto significa que Portugal teria de reduzir o rácio de carga fiscal em 17%, para o mesmo nível de vida, para ficar na média europeia. A redução deveria ser ainda maior para nos tornarmos fiscalmente competitivos face a concorrentes mais directos, como as economias de leste da Europa, ou mesmo a Irlanda.

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