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O que fazer para alcançar a Igualdade de Género nas empresas?
Mudar as práticas de gestão do talento feminino, revela o estudo global da Mercer “When Women Thrive”.
A nível global, a representação das mulheres na força de trabalho é inferior a 50%. Assumindo que as organizações não vão alterar os seus padrões de comportamento, a representação feminina, ao nível da força de trabalho global, será de apenas 40% em 2025, mostra o segundo relatório anual global da Mercer.
Entre as principais conclusões do relatório destaca-se o facto de a representação das mulheres dentro das organizações diminuir à medida que o nível de carreira aumenta – desde as funções de suporte/administrativas até aos lugares executivos.
«As abordagens tradicionais para apoiar a progressão na carreira das mulheres não estão a alcançar o impacto desejado. A sub-representação de mulheres em todo o mundo, não só a nível da força de trabalho como ainda em lugares de topo, é um problema económico e social», refere Nélia Câmara, directora da Mercer Portugal. «Tem-se constatado uma maior preocupação das empresas neste tema, tendo resultado no recrutamento e promoção de mais mulheres em cargos de topo. No entanto, a retenção das mulheres nesses lugares não está a ser feita, o que põe em causa a paridade no futuro e a anulação dos sucessos já alcançados», acrescenta.
O estudo da Mercer revela que, não obstante as mulheres terem actualmente 1,5 vezes mais possibilidades de serem contratadas para funções executivas do que os homens, as mulheres estão também a abandonar as organizações no que respeita a funções de topo a uma velocidade 1,3 vezes superior à dos homens, pondo em causa os benefícios que se poderia alcançar ao ter mais mulheres a serem promovidas para lugares de topo.
Diogo Alarcão, country leader da Mercer Portugal reforça: «Este é o momento para agir. Todas as organizações podem escolher entre: a) manter o status quo e esperar que a paridade aconteça naturalmente; b) fazer parte do grupo que está a contribuir para que a igualdade de género seja efectivamente uma realidade, aproveitando o talento disponível, sejam eles homens ou mulheres.»
De acordo com o relatório, as mulheres representam globalmente: 33% dos gestores, 26% dos gestores seniores e 20% dos executivos . Em Portugal e Espanha as mulheres apenas representam 24% dos executivos de topo, mais 4% mais que a média global e mais 3% que a média europeia (21%).
O estudo prevê ainda que a América Latina aumente a representação feminina na força de trabalho de 36% em 2015 para 49% em 2025, atingindo a paridade e sendo a única região do mundo a fazê-lo neste período de tempo. Esta região é seguida pela Austrália e pela Nova Zelândia, crescendo de 35% para 40%. Os EUA e o Canadá apresentam melhorias de apenas 1%, de 39% para 40%. A Europa mantém-se estagnada em 37% ao fim de 10 anos. Especificamente em Portugal prevê-se um ligeiro crescimento, de 44% em 2015 para 45% em 2025. Por fim, a Ásia posiciona-se em último lugar com 28% das mulheres na força de trabalho, registando uma pequena subida a partir dos 25% em 2015.