Neste país muito trabalhadores não se conseguem despedir, por isso contratam quem o faça por eles (e assim não enfrentar o chefe)

Margarida Lopes
14 de Outubro 2024 | 12:50

No Japão, a rígida cultura de trabalho tem levado muitos trabalhadores a recorrer a agências especializadas em demissões, como a Momuri, para deixarem os seus empregos sem enfrentarem directamente os chefes, revelou a CNN.

 

De acordo com a publicação, pedir para sair a horas do trabalho ou tirar férias já pode ser complicado. Mais complicado ainda é apresentar a demissão, que pode ser vista como a derradeira forma de desrespeito na quarta maior economia do mundo, onde os trabalhadores tradicionalmente se mantêm ligados a um empregador durante décadas, se não mesmo durante toda a vida.

Nos casos mais extremos, os chefes chegam a rasgar as cartas de demissão e assediam os empregados para os obrigar a ficar.

Por essa razão, muitos trabalhadores têm recorrido a agências de demissões como a Momuri, agência de demissões que ajuda colaboradores tímidos a deixarem os seus chefes intimidantes. Shiori Kawamata, director de operações da Momuri, diz que só no ano passado receberam cerca de 11 mil pedidos de informação de clientes.

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Por 22 mil ienes (cerca de 140 euros) – ou 12 mil ienes para os que trabalham a tempo parcial – a empresa compromete-se a ajudar os trabalhadores a apresentar a demissão, a negociar com as empresas e a recomendar advogados em caso de litígio.

O sector já existia antes da COVID-19, mas a sua popularidade cresceu após a pandemia, depois de anos de trabalho a partir de casa terem levado até alguns dos trabalhadores mais leais do Japão a refletir sobre as suas carreiras, de acordo com especialistas em recursos humanos. Não existe uma contagem oficial sobre o número de agências de demissão que surgiram no país, mas quem as dirige confirma o aumento da procura.

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