Um colaborador da Tesla criou um site a protestar contra Elon Musk. Não imagina o que lhe aconteceu uns dias depois

Human Resources
12 de Maio 2025 | 21:00

Matthew LaBrot conduz um Cybertruck e formou os colaboradores da Tesla sobre como vender carros eléctricos em toda a América do Norte. E tinha o emprego de sonho, noticia o Business Insider. Porém, nos últimos dois anos, o desencanto foi desaparecendo, nomeadamente com o CEO.

 

Os seus sentimentos começaram a mudar após a compra do Twitter e pioraram quando Elon Musk começou a trabalhar com Donald Trump. A 24 de Abril, LaBrot criou um site de protesto contra a liderança de Musk na Tesla. Embora tenham ocorrido centenas de protestos em frente às instalações da Tesla por todo o país, os responsáveis ​​da Tesla têm evitado falar publicamente sobre o assunto. LaBrot quer mudar isso.

 

Pró-Tesla, anti-Musk

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LaBrot juntou-se à Tesla em 2019, depois de passagens pela Best Buy, Starbucks e pelo mercado imobiliário. Cresceu rapidamente na empresa, chegando a assumir uma função de gestão de programas de formação de vendas e entrega na América do Norte.

Sentiu-se inicialmente atraído pela empresa porque acreditava na missão da energia sustentável. Os produtos da Tesla e as pessoas que lá trabalham sempre o impressionaram. Também lhe proporcionou oportunidades: subiu na hierarquia, e o excelente desempenho das acções da empresa ajudou-o a comprar a primeira casa em 2022.

Começou a questionar a liderança de Musk depois de o bilionário ter comprado o Twitter em 2022. «Infelizmente, nessa altura, escolhi o caminho de simplesmente enfiar a cabeça na areia.» Porém, foi mais difícil ignorar quando Musk gastou cerca de 277 milhões de dólares em donativos para a campanha de Trump e outros candidatos republicanos antes das eleições.

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Ficou especialmente ofendido com uma saudação feita por Musk durante a cerimónia de tomada de posse de Trump, em Janeiro, que LaBrot e outros críticos acreditaram ser uma saudação nazi. «Quando o teu CEO toma uma destas decisões, leva a empresa atrás», disse LaBrot.

Em Outubro de 2024, Musk disse que não achava que as suas actividades políticas afectassem a Tesla, afirmando que as vendas estavam em máximos históricos. «Penso que as pessoas se preocupam realmente com a qualidade do produto, e não com as opiniões políticas do CEO», disse.

A experiência no terrenoo de LaBrot não corrobora a previsão de Musk. «Na altura das eleições, começámos a perceber que os clientes que esperávamos não apareciam.» O final do ano é normalmente o período em que as vendas da Tesla atingem o pico, acrescentou, e disse que a empresa estava a tentar superar os fracos números de entregas no Verão no quarto trimestre.

A equipa de formação de vendas da Tesla foi informada de que era mais importante do que nunca conquistar cada cliente que entrava nos stands. A Tesla começou a promover mais promoções de vendas e incentivos, o que era invulgar, garantiu LaBrot. A equipa de vendas tinha normalmente de lidar com uma grande quantidade de clientes; se alguém decidisse não comprar, havia alguém pronto a ocupar o seu lugar. Agora, os vendedores estavam a lutar para fechar todas as reservas.

LaBrot estava habituado a lidar com os obstáculos típicos dos veículos eléctricos: ansiedade de alcance, desinformação, erro do utilizador. Mas este era um desafio totalmente diferente. «Não tivemos de lidar com muitas objecções porque aqueles clientes simplesmente deixaram de vir.»

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No início deste ano, a equipa de vendas da Tesla atingiu outro nível de pânico quando os veículos eléctricos começaram a acumular-se nos parques de estacionamento dos stands, recorda LaBrot. Em Abril, a empresa informou que os números de entregas no primeiro trimestre caíram 13% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Segundo os analistas, há vários factores em jogo, incluindo a alienação do cliente devido às opiniões políticas de Musk, a linha de veículos antigos da empresa, o aumento da concorrência de empresas estrangeiras e o mercado geral de veículos eléctricos dos EUA.

No início de 2025, LaBrot sentia-se cada vez mais frustrado com a empresa e descontente com a falta de comunicação interna sobre como as opiniões políticas de Musk poderiam estar a afectar os números de vendas, bem como com a pouca orientação sobre como os vendedores deveriam lidar com protestos e vandalismo. «Estão a falar sobre vendas fracas e como aumentar a taxa de fecho, sem abordarem este enorme elefante na sala.»

Com o passar dos meses, LaBrot começou a expressar mais as suas preocupações com os colegas de trabalho. O ponto de viragem ocorreu a 22 de Abril, quando Musk anunciou que iria passar menos tempo no DOGE e voltar a sua atenção para a Tesla. Dois dias depois, LaBrot pôs o seu o seu site – anónimo – no ar com uma carta aberta a pedir que a Tesla encontrasse um novo CEO. «Quando foi para o ar, senti-me muito aliviado, como se um peso me tivesse sido retirado. Foi uma sensação muito boa.»

Embora a carta aberta tenha sido escrita como se tivesse vindo de vários trabalhadores da Tesla, LaBrot disse que era o único autor — mas que alguns colegas de trabalho exprimiram sentimentos semelhantes aos seus. Em conversas com mais de uma dúzia de actuais e antigos colaboradores, muitos disseram ao BI que estavam preocupados com a liderança e o foco político de Musk. Outros ignoraram o comportamento do CEO.

No dia 25 de Abril, LaBrot grafitou o seu Cybertruck com informações sobre o seu site e o slogan “Pro Clean Energy Pro Sustainability Pro EV Pro Tesla Anti Elon” e exibiu-o no exterior da Tesla. A seu ver, era o próximo passo lógico.

No dia seguinte, recebeu uma chamada do departamento de Recursos Humanos, a comunicar que o seu contrato de trabalho tinha sido rescindido por utilizar recursos da empresa para criar um site que não se coadunava com a perspectiva da empresa. LaBrot negou ter usado recursos da Tesla para construir o site.

Desde a sua demissão, LaBrot continua a participar nos protestos da Tesla e diz que recebeu apoio de alguns ex-colaboradores da empresa. Deixar a Tesla foi uma decisão difícil de aceitar, disse, mas compreendeu os riscos quando lançou o site. «Não estava a planear trabalhar em mais lado nenhum. Era muito feliz no meu emprego e poderia ter continuado a trabalhar nessa função durante toda a vida.»

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