Cerca de 64,7% dos profissionais afirma ter pouca ou nenhuma preocupação relativamente à substituição do seu posto de trabalho por Inteligência Artificial (IA). Esta é uma das principais conclusões do estudo “IA – Impacto e Futuro 2025”, apresentado pela Magma Studio em parceria com a Confederação Empresarial de Portugal (CIP) e com o apoio da Data Science Portuguese Association (DSPA).
A Inteligência Artificial deixou de ser uma tecnologia emergente em Portugal e passou a fazer parte do quotidiano da maioria dos profissionais e estudantes. A dimensão organizacional apresenta, no entanto, sinais de atraso: apenas 30,3% dos participantes acredita que a sua empresa está a adoptar IA generativa de forma estruturada e estratégica.
A falta de capacitação surge como o principal obstáculo ao crescimento da maturidade digital. Cerca de 64,6% dos participantes não realizou qualquer formação em IA generativa no último ano e, entre os que o fizeram, a maioria frequentou apenas acções de curta duração, quase sempre introdutórias. Para a Magma, esta assimetria cria o risco de Portugal consolidar um cenário de utilizadores superficiais, sem capacidade para transformar conhecimento em produtividade avançada.
De acordo com os resultados, 94,8% dos inquiridos já recorreram a ferramentas de gen-AI pelo menos uma vez e 73,1% fazem-no semanalmente. Quase metade (48,2%) utiliza IA todos os dias, evidenciando uma normalização acelerada destas tecnologias. O ChatGPT é a ferramenta mais usada, com 87,5% das referências, seguido do Copilot, com 37,6%.
A análise por áreas profissionais mostra maior intensidade em Tecnologia e Inovação (29,5%), Suporte ao Cliente (27,8%) e Marketing e Comunicação (24,8%), sectores que revelam já rotinas consolidadas de utilização.
O estudo analisa ainda padrões de utilização e revela que a maioria dos casos de uso permanece nos níveis iniciais de maturidade. A criação de conteúdos lidera entre os profissionais (50,4%), seguida da investigação (43,5%), do estudo e da ideação (42,6%). Entre os estudantes, predomina a utilização para investigação académica (64%), automatização de tarefas (42,8%) e brainstorming (40,7%).
A Magma defende que a evolução para níveis mais avançados depende do domínio de ferramentas capazes de integrar automação, análise de dados, agentes autónomos, geração de código e integração com sistemas empresariais.
A distância entre uso individual e adopção organizacional é outra fragilidade identificada. Quase um terço dos profissionais não sabe em que áreas da sua empresa a IA já está a ser utilizada, o que demonstra a ausência de comunicação interna estruturada e de governance. A Magma considera essencial a criação de directrizes claras, equipas dedicadas à identificação de casos de uso e integração de objectivos de IA nos planos de produtividade, inovação e eficiência operacional das organizações.
A Magma apresenta ainda um conjunto alargado de recomendações para o futuro de Portugal. Defende a criação de programas de requalificação de média e longa duração, com certificações modulares e formação prática por função; uma estratégia nacional de IA responsável inspirada nos modelos britânico e alemão; incentivos para empresas que utilizem IA como complemento e não substituição do trabalho humano; um índice anual que monitorize a maturidade nacional; e um programa público dedicado ao apoio de PME com consultoria subsidiada, kits de casos de uso e formação setorial.
A investigação recolheu 2762 respostas entre Junho e Outubro deste ano.














