Intelcia: Construir uma cultura de empresa única

Na Intelcia, a Comunicação Interna assume uma importância estratégica, tanto ao nível dos Recursos Humanos como do negócio. Carla Marques acredita que é por aí que passa a resposta para fazer face a um grande desafio que têm atualmente: criar uma cultura única.

No último ano e meio temos vivido algo até então impensável. Empresas e colaboradores viram-se na urgência de uma adaptação forçada de novos modelos de trabalhos e novas rotinas. Neste contexto de verdadeiro turbilhão para as empresas, a Comunicação Interna assumiu um papel fundamental. É nisso que acredita Carla Marques, country-manager da Intelcia Portugal, que partilhou com a Human Resources o porquê, dando o exemplo da empresa que gere.

Ressalvando que a sua importância não é “de hoje” (ou seja, do “tempo pandemia”), a responsável constata que, num tempo de incerteza, a comunicação revelou-se ainda mais fulcral. «Esta comunicação tem de ser espelhada naquilo que é a comunicação interna e naquilo que é a comunicação externa», defende. «Não podemos comunicar externamente um propósito que depois não seja praticado internamente, e este foi o foco na Intelcia no último ano.»

A empresa conta hoje com cerca de seis mil colaboradores, sendo que, em 2020, em pleno período de pandemia foram integradas cerca de cinco mil pessoas. Ora, com as limitações de presença física, é fácil perceber o papel verdadeiramente estratégico que a comunicação assumiu. «Foi de facto um desafio integrar cinco empresas com estilos de liderança – e de comunicação – diferentes, num período em que não pudemos juntar as pessoas, pondo assim à prova a comunicação remota e nós próprios, pois tivemos que saber fazer as coisas de modo diferente.»

É inquestionável que a pandemia trouxe muitas incertezas e formas de trabalhar diferentes, e, com isso, dificuldades e novos desafios à Gestão de Pessoas, que passou a ser feita à distância. Simultaneamente, todos se aperceberam que o mundo do trabalho não voltará a ser igual. «Todos tiveram que se adaptar, mas a comunicação interna foi de facto o eixo estratégico fundamental para nós, até porque implementámos uma série de iniciativas transversais a todas as geografias onde a Intelcia opera.»

 

Encurtar a distância
Perante a nova realidade, a Intelcia não se limitou a criar novas formas de comunicar. Foi mais longe e “chamou” os colaboradores para a comunicação. «Ao contrário do que é habitual nas organizações, são as nossas equipas que desenvolvem as newsletters de comunicação interna», revela Carla Marques. «Nelas os colaboradores relatam episódios, desafios e questões do seu dia-a-dia, ao mesmo tempo em que partilham as suas vivências particulares e como se sentem como participantes activos na vida da organização.»

Ao mesmo tempo, a Intelcia desenvolveu diversos surveys e morning conversations junto dos colaboradores. «Mas também aqui marcámos a diferença», afirma a responsável. «Fomos a todos os pontos de contacto dos nossos colaboradores, desde o recrutamento até à sua saída, o que nos dá um verdadeiro diamante para explorar.» A participação tem sido muita por parte dos colaboradores, com cerca de 80% a participar no último survey. «Isto revela que as pessoas querem participar. Da nossa parte, temos de estar atentos àquilo que elas valorizam.»

O feedback que a empresa recebe por parte dos colaboradores sobre quais são os eixos estratégicos para a organização durante os próximos três anos é muito importante, assim como importante é o facto de os colaboradores receberem eles próprios feedback do CEO. «Assim, sentem-se parte do processo de fazer da Intelcia uma única empresa, sendo que para este resultado também contribuiu o programa de embaixadores que implementámos», partilha Carla Marques.

O Programa de Embaixadores, implementado a nível internacional, «foi fundamental para a Intelcia fundamentar a sua marca no mercado, ao mesmo tempo em que envolveu os colaboradores. Mais uma vez, quem interveio não foram os líderes, mas sim os colaboradores», faz notar Carla Marques. «Foram as pessoas da produção que seleccionaram os embaixadores. Os quais, cerca de 50, estão a formar outras equipas, esclarecendo-as sobre quais as competências que a Intelcia espera dos seus colaboradores e quais os valores seguidos pela organização: We Dream, We Care and We Do.»

 

Dar cor à comunicação
Não obstante a importância e relevância da comunicação para o engagement dos colaboradores, Carla Marques reconhece que, não raras vezes, é «uma palavra cinzenta». Explica: «A verdade é que, dentro da comunicação, existe muita coisa. E para ser eficaz é fundamental que seja sempre transparente. Por outro lado, tem de ser igual para dentro e para fora da organização. Não se pode correr o risco de comunicar para fora aquilo que não pratica dentro.» Assim, e porque acredita que quando se convidam as pessoas para participarem na comunicação, elas estão efectivamente envolvidas naquilo que é transmitido para fora, a participação activa dos colaboradores da Intelcia tem vindo a ser promovida.

A country manager acredita que este posicionamento faz com que os colaboradores da empresa sejam, de forma efectiva, os seus melhores embaixadores. «São os nossos colaboradores que dão feedback aos nossos clientes e que, de alguma forma, espalham a nossa reputação num passa a palavra essencial, pois não podemos esquecer que Portugal é um país pequeno», faz notar.

A necessidade aguça o engenho e por isso, durante a pandemia, foi preciso criar soluções alternativas para manter a comunicação com os milhares de colaboradores. Mas Carla Marques admite que a comunicação presencial tem mais impacto. «Permite estarmos com as pessoas, sentirmos a sua emoção, o que no remoto se torna mais difícil. Prefiro visitar as equipas e as operações sempre que possível e em total segurança, pois desta forma consigo ter conversas mais personalizadas, perceber aquilo que as equipas estão a sentir, as suas dificuldades e a sua satisfação pessoal na organização.» Para colmatar esta falta durante a pandemia, a Intelcia implementou as morning conversations, «com o intuito de conseguir estabelecer uma comunicação mais activa com todos os colaboradores».

Para o curto prazo, a responsável identifica como grande desafio conseguir construir uma cultura de empresa única. «A integração de cinco empresas obriga a um repensar da nossa cultura, que tem que ser una e única, uma vez que queremos ser um grande player no mercado.»

 

Este artigo faz parte do Caderno Especial “Comunicação Interna” na edição de Setembro (n.º 129) da Human Resources nas bancas.

Caso prefira comprar online, tem disponível a versão em papel e a versão digital.

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