A empresa de recrutamento Michael Page lançou o estudo anual sobre a evolução das principais tendências de recrutamento para o próximo ano para quadros executivos, em empresas de grande dimensão.
Segundo o estudo, a inflação persistente, taxas de juro elevadas e instabilidade geopolítica, estão a transformar o sector de Banking, levando as instituições a adoptar uma gestão mais prudente e reforçando áreas críticas para garantir resiliência e controlo.
Como tendência salarial, para a função de Corporate Finance a remuneração pode situar-se entre 25 mil a 84 mil euros, e um director de Agência até 50 mil euros, enquanto um responsável financeiro pode auferir até 70 mil euros. A nível salarial, deverá manter-se a estabilidade em 2026, com um crescimento dos benefícios sociais para atrair e reter o talento.
As funções de risco, compliance e controlo interno estão entre as mais procuradas, não apenas pela crescente complexidade regulatória, mas também pela necessidade de mitigar riscos operacionais e reputacionais. A escassez de talento qualificado nestes domínios intensificou a competitividade entre instituições e valorizou significativamente estes perfis. Paralelamente, há maior procura de profissionais em contabilidade, controlo financeiro e controlo de gestão, funções que asseguram fiabilidade na informação e apoio à decisão.
Com a aceleração tecnológica, perfis especializados em análise de dados e transformação digital, como data analysts, business analysts e project managers, têm vindo a ganhar protagonismo, sobretudo em projectos de modernização de sistemas core, reporting automatizado e integração de soluções de RPA em middle e back-office. Nas operações de mercados financeiros mantém-se a procura por profissionais tecnicamente sólidos, com experiência em plataformas como Bloomberg, Calypso ou SWIFT.
Portugal tem vindo a afirmar-se como hub estratégico internacional, recebendo centros de competências de grandes players globais, sobretudo em investment banking e wealth management. Esta tendência projecta o país como um polo de atratividade, aumentando a exposição a operações complexas e exigindo perfis mais especializados e fluentes em línguas estrangeiras.
No que respeita às motivações, 50% dos profissionais estão satisfeitos com a sua actual função. Os candidatos privilegiam sobretudo propostas salariais competitivas, modelos de trabalho flexíveis e projectos com impacto tangível. As instituições que se têm destacado são as que ajustaram a sua proposta de valor, combinando melhores condições, flexibilidade e progressão interna ágil. Num sector reconhecido pela sua robustez, a diferenciação passará menos pela estabilidade e mais pela capacidade de responder com rapidez às expectativas dos profissionais.
A área financeira em Portugal continua a evoluir, reflectindo um mercado cada vez mais complexo e especializado. Profissionais analíticos e orientados para o negócio assumem um papel central, permitindo às organizações tomar decisões mais informadas, antecipar riscos e impactos futuros e optimizar o desenvolvimento estratégico do negócio. Este tipo de talento transforma-se num verdadeiro diferencial competitivo, capaz de converter dados em insights estratégicos que apoiam a gestão de topo em decisões críticas.
A complexidade crescente dos mercados globais, aliada à necessidade de acesso contínuo a informação e indicadores actualizados, valoriza significativamente candidatos com competências avançadas em análise de dados e em ferramentas de business intelligence. Essas soluções não apenas automatizam tarefas repetitivas, libertando tempo para a interpretação de informação relevante, como também geram recomendações de elevado valor acrescentado, integrando dados financeiros e não financeiros na formulação da estratégia organizacional.
As organizações procuram, hoje, profissionais que combinem conhecimentos técnicos sólidos, elevada capacidade analítica, espírito crítico e domínio de ferramentas tecnológicas, capazes de traduzir números em decisões estratégicas e de contribuir para uma gestão mais ágil e informada. Este perfil híbrido é essencial para enfrentar os desafios atuais do sector, fomentar a inovação e assegurar que a análise de indicadores financeiros se articule de forma consistente com a definição da estratégia de negócio e com os objectivos de crescimento da empresa.
Num mercado cada vez mais competitivo e dinâmico, a capacidade de interpretar dados, antecipar tendências e fornecer recomendações estratégicas transforma o papel do profissional financeiro, tornando-o decisivo no sucesso e na sustentabilidade das organizações, e com impacto directo na performance global e na tomada de decisões estratégicas.
Os níveis salariais aumentaram neste último ano. No topo da tabela de remuneração, o director Financeiro pode auferir até 160 mil euros enquanto o responsável financeiro aufere até 90 mil euros e para a função de controller Financeiro até 50 mil euros. A função de contabilista certificado tem o teto máximo de 60 mil euros.
Já o sector de seguros em Portugal tem registado uma crescente procura por perfis especializados, especialmente nas áreas de consolidação, reporting, contabilidade e planeamento e controlo de gestão. A conjuntura económica actual reforçou a atenção para temas de compliance e reporting, face a exigências regulatórias cada vez mais rigorosas.
As áreas de Transformação e Inovação têm vindo a ganhar relevância, impulsionadas pela inteligência artificial e pela necessidade de garantir competitividade e capacidade de resposta aos clientes. Nas áreas técnicas, observa-se um reforço contínuo em Subscrição, Data Analytics e Atuariado, reflectindo a crescente complexidade e especialização do mercado.
O modelo híbrido de trabalho tornou-se dominante, sendo também a preferência mais procurada pelos candidatos neste setor. No segmento dos correctores, o mercado apresenta uma consolidação através de operações de M&A, implicando redistribuição de funções e integração de novos FTE’s. Os principais correctores expandem o seu âmbito de actuação, transformando-se em consultoras de risco com múltiplas unidades de negócio, atraindo profissionais de outros setores e com diferentes formações académicas.
No que respeita à compensação, verifica-se uma atenção crescente à inclusão de benefícios flexíveis, aumentando a atratividade e liquidez das ofertas para potenciais colaboradores. Os candidatos valorizam não apenas condições salariais competitivas, mas também modelos de trabalho flexíveis, oportunidades de desenvolvimento e diversidade de experiências profissionais.
Num contexto em rápida transformação, o sucesso na atração e retenção de talento no sector de seguros depende da capacidade das organizações em conjugar inovação, flexibilidade e proposta de valor diferenciada, reforçando a competitividade e sustentabilidade do setor.
Destacam-se ainda os aumentos salariais neste sector, com 78% dos profissionais a indicar que tiveram um aumento no último ano.
A título de exemplo, as remunerações para funções técnicas como a de gestor de Sinistros começam nos 21 mil euros (na zona do Porto) até 68 mil para o actuário sénior na zona de Lisboa. Nas funções de negócio, um director Comercial Rede de Mediadores pode auferir até 57 mil euros, na zona de Lisboa.














