Para esta marca portuguesa, o propósito não é apenas um valor inscrito na cultura: é o motor que orienta decisões, pessoas e impacto social. Reconhecida pela inovação em Recursos Humanos, a Salsa Jeans mostra como o compromisso com a inclusão e o desenvolvimento humano pode transformar vidas – dentro e fora da organização.
Por Tânia Reis
Foi criada em 1994, em Vila Nova de Famalicão, e quatro anos depois inaugurava-se a primeira loja própria, no Porto. Em 2002, a Salsa Jeans iniciou a sua estratégia de internacionalização, um movimento que impulsionou o crescimento da empresa na década seguinte. Actualmente, a marca portuguesa produz cerca de um milhão de pares de calças de ganga por ano, estando presente em mais de 40 países, com uma rede de 190 lojas em mercados como Espanha, França, Irlanda e Emirados Árabes Unidos, entre outros.
Recentemente, foi distinguida com o prémio “Inovação RH” pelos Game Changers do Futuro do Trabalho, o que vem confirmar «que a inovação em Recursos Humanos (RH) acontece quando o propósito encontra as pessoas», revela Mónica Ovaia, People & Talent manager. «Significa que estamos no caminho certo, ao colocar as pessoas no centro da nossa estratégia e ao assumirmos um papel activo na construção de uma sociedade mais justa e inclusiva.»
O reconhecimento deveu-se ao Reborn, um projecto que, «mais do que vestir pessoas, nasceu da vontade de transformar vidas» e «mostra que uma marca de moda pode e deve ser agente de mudança social, sem perder a sua identidade ». Tudo começou em 2023, quando a Salsa identificou a necessidade de apoiar mulheres em situação de vulnerabilidade social. «Muitas destas mulheres carregam talento e vontade, mas enfrentam barreiras invisíveis: falta de rede, de confiança, de oportunidades», explica a responsável.
Considerando que cerca de 80% dos cargos de liderança são ocupados por mulheres, fazia todo o sentido colocar essa força a impulsionar esse grupo em risco, criando o pequeno impulso que faltava, «através de orientação prática, ferramentas relevantes, auto-estima e um plano de acção concreto para que cada mulher volte a sentir-se confiante e empoderada para regressar ao mercado de trabalho». Além de «unir propósito e negócio, reforçando os valores de diversidade, equidade e inclusão», contribuiu para aproximar as equipas da comunidade, «criando uma cultura interna mais humana e consciente».
O segredo do Reborn
Como em qualquer projecto, surgiram desafios. Mónica Ovaia destaca três. Primeiramente, a relevância dos conteúdos para perfis muito diversos, «com impacto real na vida destas mulheres». Nesse sentido, a parceria com o Incorpora, da Fundação “la Caixa”, apoia na identificação dos perfis em cada edição e a calibrar necessidades reais.
Em segundo lugar, a mobilização e sustentabilidade do voluntariado interno. Apostam «numa narrativa clara de propósito e numa comunicação transparente e próxima, de partilha genuína e com muita abertura, para que os voluntários participem activamente com sugestões nas temáticas a abordar».
Por fim, a escalabilidade e replicabilidade. Para tal, foi concebido «um modelo modular de 10 sessões, facilmente adaptável a novas geografias e públicos».
Desde 2023, o Reborn já apoiou mais de 40 mulheres, dinamizou mais de 30 sessões de capacitação e contou com cerca de 20 colaboradores voluntários, partilha a People & Talent manager. «Várias participantes conseguiram reintegrar- se no mercado de trabalho e todas reportaram ganhos significativos em auto-estima, autoconfiança e sentido de pertença.»
Para Mónica Ovaia, o segredo é o enriquecimento mútuo: «quem dá também recebe». Dinamizado por colaboradores voluntários – o que, a seu ver, também reforça o compromisso colectivo –, cada sessão é um espaço de partilha e esperança. «Os nossos voluntários regressam com novas perspectivas e sentido de propósito. Reconhecemos contributos, partilhamos histórias e oferecemos flexibilidade. » E confessa que, «às vezes, um pequeno impulso é tudo o que precisamos para renascer: é isso que nos move».
Na verdade, o Reborn é um pilar estratégico para a Salsa Jeans, uma vez que traduz, de forma prática, o propósito da marca: “Pushing them forward”. Esse compromisso não se limita aos clientes, estende-se à comunidade e às suas pessoas. «O projecto integra a estratégia de People & Talent porque promove diversidade, inclusão e desenvolvimento humano », enquanto reforça a responsabilidade social da empresa e cria uma cultura onde cada acção tem impacto real: «empoderar mulheres, desenvolver competências nos colaboradores e aproximar a empresa da sociedade», sublinha.
Este ano, já está a ser preparada uma nova edição, e a responsável confirma que terá «mais mulheres, novos temas, mentoria por ex-participantes, novos voluntários e parcerias».
Leia o artigo na íntegra na edição de Janeiro (nº. 181) da Human Resources.
Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.














