Contratações do sector tech no Médio Oriente: “Honestamente, nunca vi um cenário assim”, revelam recrutadores

Com o avançar do conflito no Médio Oriente, as mudanças a nível corporativo reflectiram-se nas contratações.

Human Resources
7 de Abril 2026 | 20:50

As empresas da região do Médio Oriente estão a esforçar-se para adaptar as suas cadeias de abastecimento, alterar as rotas logísticas e priorizar a segurança dos colaboradores. Segundo o Business Insider, os recrutadores de tecnologia afirmam que alguns clientes suspenderam as contratações, enquanto outros afirmam que os expatriados procuram empregos que lhes permitam mudar-se para a Europa e a Ásia.

Os Emirados Árabes Unidos (EAU) tornaram-se um pólo cada vez mais importante no Médio Oriente para as empresas tecnológicas se ligarem a grandes fontes de financiamento, clientes e talentos. Durante cerca de uma década, os estrangeiros representaram cerca de 90% da população do país. Cerca de metade são trabalhadores de escritório, alguns dos quais estão agora a reavaliar os seus planos à medida que o conflito continua.

Vahid Haghzare, director da Silicon Valley Associates Recruitment, com sede no Dubai, revelou que as candidaturas a vagas de emprego caíram a pique desde o início da guerra. «Até recentemente, o volume era avassalador. A equipa da SVA Recruitment recebia mais candidaturas dos Emirados Árabes Unidos do que aquelas que conseguíamos processar, e o meu próprio escritório privado estava sempre com a agenda cheia de executivos a consultar sobre a mudança para a região.»

«Honestamente, nunca vi a situação tão calma», acrescentou. A sua empresa opera na Ásia e nos Emirados Árabes Unidos e as contratações regionais também estão a ser canceladas.

Zahra Clark, responsável pela região do Médio Oriente e África da Tiger Recruitment, garante que os clientes ainda estão a contratar, mas estão a tornar-se mais selectivos e a dar prioridade a funções-chave.

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Enquanto isso, os expatriados procuram regressar à Ásia ou à Europa.

«É muito semelhante ao que a nossa empresa vivenciou em Hong Kong durante os protestos de 2019 e as restrições da Covid — as mesmas preocupações, as mesmas dúvidas», disse Vahid Haghzare. «Em períodos de incerteza, os expatriados internacionais têm normalmente menor tolerância ao risco, e estamos a ver este padrão repetir-se aqui.»

Os habitantes locais estão a ficar, o que lhes dá uma vantagem, realçou Haghzare. A concorrência caiu drasticamente devido ao menor número de candidaturas estrangeiras, e ao facto de os estrangeiros não poderem viajar para a região.

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O recrutamento voltou ainda a adoptar medidas semelhantes às da pandemia. «Estamos a ver mais entrevistas a serem realizadas online, com o onboarding a ser feito também de forma mais flexível e remota», disse Clark, da Tiger Recruitment.

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