Nove em cada dez portugueses tem medo de falhar a nível profissional

Nove em cada dez portugueses têm medo de fracassar profissionalmente, segundo o primeiro estudo nacional sobre o medo, realizado pela ConsumerChoice, que identificou os 100 principais receios da população nas áreas da vida profissional, saúde e bem-estar e relações familiares.

Margarida Lopes
13 de Abril 2026 | 12:50
O medo manifesta-se de forma praticamente igual na vida pessoal e na vida profissional (25% em ambas), seguido da esfera emocional (19%). Também se faz sentir nos relacionamentos (15%) e na vida familiar (14%), onde é alimentado por expectativas e receios de decepção.
No contexto profissional, 43% dos inquiridos reconhece já ter sentido impacto negativo no desempenho. Entre os principais receios, destacam-se o medo de falhar ou de não atingir metas (28%), o fracasso em projectos e tarefas (25%) e o receio de despedimento (17%).
O medo revela-se também ao falar em público (15%), em relação à progressão na carreira (11%) e o receio do julgamento dos colegas (16%). Apesar disso, 92% acredita que superar o medo é a chave para o sucesso e 54% reconhece que pode ser transformador quando bem gerido.
Os pais transmitem, muitas vezes de forma inconsciente, medos profundos aos filhos, incluindo o receio de falhar (29%), perigos físicos ou financeiros (28%) e de não ser aceite socialmente (18%). Estas influências reflectem-se nas crianças, que tendem a evitar riscos, tornando-se mais inseguras e retraídas.
Entre os dez principais medos, oito estão relacionados com a saúde, destacando-se a perda de mobilidade (85%), o risco de hospitalização (85%), as doenças incuráveis (83%), a surdez (83%), a cegueira (81%), as doenças em geral (81%) e os acidentes (79%), a par do receio de envelhecer sozinho (79%) na esfera pessoal.
O medo é percepcionado como uma emoção com duplo impacto: 46% dos portugueses considera-o um mecanismo de protecção e 27% como uma ferramenta de aprendizagem, enquanto apenas 15% o encara como impeditivo. Apesar desta dualidade, o impacto nas decisões é claro: 46% admite já ter evitado uma decisão importante por medo e 38% reconhece que este condiciona escolhas relevantes. Ao mesmo tempo, 28% identifica-o como uma oportunidade de crescimento, evidenciando o seu potencial transformador.
Os resultados são revelados no novo livro “Medo – Como Transformar Ameaças em Forças”, do empresário José Borralho, apresentado hoje, às 18h na FNAC do Colombo, em Lisboa, com a participação de Maria Seixas Correia e Eduardo Madeira. A obra cruza investigação estatística com experiências pessoais e profissionais do autor para reflectir sobre o papel do medo e o seu potencial transformador.
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