Destacam-se, em particular, os sectores da energia, indústria, construção e retalho, que têm vindo a integrar a sustentabilidade de forma estrutural nos seus modelos de negócio e cadeias de valor.
Apesar do crescimento expressivo do número de empregos verdes, nem sempre existe correspondência imediata entre as necessidades das empresas e as competências disponíveis no mercado. Observa-se uma escassez de perfis seniores com experiência prática em sustentabilidade, bem como dificuldade em recrutar talento com competências híbridas — técnicas, gestão e visão estratégica. Esta realidade tem intensificado a concorrência entre empresas pelos mesmos perfis, sobretudo em sectores como energia, indústria, construção e retalho.
Entre os perfis mais procurados destacam-se gestores de sustentabilidade e ESG, especialistas em ambiente, saúde e segurança (EHS), engenheiros ambientais e de energia, técnicos de eficiência energética, economia circular e gestão de resíduos, bem como especialistas em reporting não financeiro e compliance ambiental.
A procura por funções ligadas à sustentabilidade e aos empregos verdes está maioritariamente concentrada nas regiões com maior densidade económica, industrial e de investimento em transição energética, com predominância na Grande Lisboa, Grande Porto, Alentejo e Região Centro.
Embora as grandes áreas urbanas e polos industriais continuem a concentrar a maioria das oportunidades, observa-se uma progressiva descentralização destas funções, acompanhando a localização de projectos de energia renovável, indústria e infraestruturas sustentáveis.
Relativamente aos perfis, o sector é actualmente caracterizado pela coexistência de diferentes gerações. Verifica-se uma forte presença de profissionais seniores em funções de liderança e decisão estratégica, complementada por perfis intermédios e mais jovens em áreas técnicas e analíticas, criando um ecossistema equilibrado.
O emprego na economia ambiental cresceu mais de 60% na última década, mas a oferta de talento não tem acompanhado o ritmo da procura. A escassez de competências é hoje um dos principais factores limitadores do crescimento do sector, afectando uma parte significativa das empresas e dificultando a implementação das suas estratégias de sustentabilidade.
Esta evolução é impulsionada por factores como a entrada em vigor da Directiva europeia CSRD (Corporate Sustainability Reporting Directive), a execução dos investimentos associados ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e o avanço de projectos de transição energética e descarbonização.
«Ao contrário de ciclos anteriores, o crescimento de empregos verdes não resulta de um impulso conjuntural, mas de uma transformação estrutural. O verdadeiro sucesso desta transição dependerá da capacidade de alinhar políticas públicas, formação adequada e estratégias de atracção e retenção de talento», refere Filipe Forte, Executive manager, Michael Page.














