Lições da Sétima Arte para a Gestão de Pessoas: A união faz “mesmo” a força

De Kaouther Ben Hania, com Saja Kilani e Motaz Malhees nos principais papéis, “A voz de Hind Rajab” (no título original, “Sawt Hind Rajab”) é um filme baseado em factos reais e foi um dos nomeados aos Óscares deste ano. Leia o artigo de Paulo Miguel Martins, professor da AESE Business School e investigador nas áreas de Cinema, História, Comunicação e Mass Media.

Human Resources
19 de Maio 2026 | 12:50

Por Paulo Miguel Martins, professor da AESE Business School e investigador nas áreas de Cinema, História, Comunicação e Mass Media

 

O conflito no Médio Oriente e a situação na Faixa de Gaza são uma tragédia que, infelizmente, se arrasta no tempo, com milhares de vítimas, tanto palestinianas como israelitas. Todos se acusam, mutuamente, de não quererem um acordo de paz duradouro para toda a região e, assim, as consequências da guerra não são sofridas por pessoas em abstracto, mas por seres humanos, cada um com um nome concreto. Neste caso, seguimos a história de uma criança chamada Hind. A personagem encontra- se dentro de um carro com vários familiares quando são atingidos por disparos no meio de um tiroteio. Morrem todos os ocupantes do automóvel, excepto ela.

O filme segue os registos gravados da ligação telefónica que a criança faz a um tio e, a partir daí, à organização humanitária árabe Crescente Vermelho (Cruz Vermelha). Falando por telefone com um rapaz dessa organização que estava de serviço, constata-se que é um caso de vida ou de morte. Hind pede ajuda! O rapaz prontifica- se a solucionar tudo e, de imediato, vai ter com o seu superior. Sabe que sozinho nada conseguirá.

Pede auxílio a uma responsável mais experiente em chamadas telefónicas para que fale com a criança de uma forma mais acessível. O envolvimento emocional dos dois ao telefone é intenso, pois sentem que a criança não tem mais ninguém que a possa salvar. O rapaz dirige-se de novo ao superior do serviço. Precisa de uma resposta rápida. Está desesperado com a demora da ordem aos socorristas para avançarem com o salvamento. O seu superior explica que é necessário seguir vários procedimentos para garantir a segurança da ambulância que lá for, mas acabam a discutir por causa dos atrasos que isso provocaria. No entanto, tudo o que acontece daí em diante originará acções e decisões que são aprendizagens inspiradoras, em situações difíceis de grande pressão.

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O superior do serviço sabe controlar-se para serenar o ambiente. Fica em silêncio e não responde aos ataques do rapaz. Vai ter com uma psicóloga ali presente para que o ajude a acalmar os colegas. Depois, continua a lidar com eles, sabendo corresponder a pequenos estímulos positivos, como partilhar um cigarro (apesar de ser proibido fumar), só para sinalizar que partilha das preocupações de todos; quer evitar a precipitação na tomada de decisões. Mais do que uma vez, explica como é urgente garantir a segurança dos socorristas, para que cheguem sãos e salvos ao destino e resgatem a criança.

Além disso, para não actuar apenas por palavras, demonstra com gestos e factos que tudo faz para conseguir que os procedimentos sejam activados, telefonando a todos os que podem apressar a resolução, incluindo israelitas dispostos a ajudar.

Todo o filme se passa no mesmo piso de um único edifício, o que aumenta a tensão. Entre eles há divergências e diferentes opiniões, mas sabem que só mantendo a coesão do grupo é possível ir ultrapassando os obstáculos, um após outro, tentando sempre contemplar novas alternativas.

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Não corre tudo bem e os socorristas morrem no tiroteio. Porém, a equipa do Crescente Vermelho não desiste. Há momentos angustiantes em que tudo parece perdido, só resta esperar. Mas esperam unidos, apoiando-se. Sabem que estão a dar o melhor de si e, no final, Hind salva-se.

 

Este artigo foi publicado na edição de Abril (nº. 184) da Human Resources.

Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.

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