Menos de 30% das mulheres podem ausentar-se do trabalho sem necessidade de justificação

O estudo “Saúde Preventiva nas Mulheres Activas”, desenvolvido pela VOH CoLab em colaboração com a CUF, revela que enquanto 74% das mulheres afirmam ter flexibilidade laboral para consultas, apenas 26% podem ausentar-se sem necessidade de justificação formal ou recuperação de horas.

Margarida Lopes
30 de Junho 2026 | 07:00
Menos de 30% das mulheres podem ausentar-se do trabalho sem necessidade de justificação

O estudo “Saúde Preventiva nas Mulheres Activas”, desenvolvido pela VOH CoLab em colaboração com a CUF, analisou os hábitos de prevenção, autocuidado e rastreio clínico de 2564 mulheres inseridas no mercado de trabalho e revela que a sobrecarga familiar, o cuidado informal e a falta de flexibilidade laboral continuam a condicionar a saúde preventiva das mulheres inseridas no mercado de trabalho.

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De acordo com o estudo, 58% das inquiridas acumulam funções profissionais com o cuidado de dependentes, resultando numa inversão de prioridades clínicas: 38% admitem colocar a saúde dos outros à frente da sua. Estes dados revelam que a prevenção não é apenas uma escolha de literacia, mas depende de condições logísticas e emocionais que, atualmente, falham no apoio à mulher activa, colocando em risco a eficácia do diagnóstico precoce.

O estudo, apresentado pela CUF Oncologia no evento “Precisamos mesmo de falar. Saúde Preventiva no Feminino”, no Auditório do Museu de Serralves, no Porto, mostra que a prevenção não pode ser vista apenas como uma escolha individual e que o local de trabalho é um fator determinante no acesso à saúde preventiva.

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Entre os principais resultados, destaca-se um contraste preocupante entre a flexibilidade laboral teórica e a realidade prática vivida nas empresas. Embora as organizações aparentem facilitar o acesso à saúde, a burocracia profissional e a quebra nas redes de apoio privado constituem entraves severos:

● Flexibilidade condicionada: Enquanto 74% das mulheres afirmam ter flexibilidade laboral para consultas, apenas 26% podem ausentar-se sem necessidade de justificação formal ou recuperação de horas.

● Isolamento na “Geração Sanduíche”: O grupo entre os 45 e os 54 anos, que acumula o cuidado de filhos e ascendentes, vive um cenário de isolamento logístico; menos de metade das mulheres com dois ou mais dependentes nesta faixa etária sente ter o apoio prático necessário para gerir a sua própria saúde.

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● Défice de apoio emocional: Nas mulheres dos 25 aos 44 anos (caracterizadas como ‘Mulheres 360º’ no estudo) a perceção de suporte emocional sofre uma quebra drástica à medida que a carga familiar aumenta, descendo de 75% (nas mulheres sem dependentes) para apenas 53% entre aquelas que cuidam de dois ou mais familiares.

 

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Em paralelo, a Psicologia surge como uma das especialidades mais procuradas, com especial incidência nas “Jovens Digitalizadas” (até aos 24 anos). Esta geração reporta uma necessidade premente de suporte emocional para lidar com as exigências de entrada no mercado de trabalho, consolidando a saúde mental como uma prioridade absoluta no espectro preventivo jovem.

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O estudo emite ainda um alerta clínico sobre a baixa adesão a rastreios fundamentais. A vigilância do cancro colorretal e de doenças intestinais apresenta níveis abaixo dos protocolos clínicos recomendados, especialmente em faixas etárias mais jovens.

Para a CUF, os resultados reforçam a importância de envolver as organizações na promoção da saúde preventiva. Medidas como maior flexibilidade para consultas, comunicação interna sobre rastreios, sessões de sensibilização e programas de saúde in-company podem contribuir para reduzir barreiras ao autocuidado e promover uma cultura de prevenção mais efectiva.

«A saúde preventiva das mulheres é também um tema de liderança, talento e sustentabilidade. Empresas que criam condições para que as suas colaboradoras cuidem da saúde estão a investir em bem-estar, retenção, produtividade e responsabilidade social», afirma Paula Brito Silva, administradora executiva da CUF.

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