Os 100 pássaros da exposição são da dupla de criadores de aves da Golegã, Mandarins Brogueira.
Numa área aproximada de 500 m2, o visitante é convidado a percorrer uma sala preenchida por vinte guitarras eléctricas tocadas por 100 intérpretes pouco usuais: pequenas aves, 50 machos e 50 fêmeas diamantes-mandarins, de várias mutações, que ao pousar e interagir livremente com os instrumentos produzem sons amplificados. O resultado é uma paisagem sonora imersiva.
A exposição convida a reflectir sobre a forma como escutamos o mundo e sobre as relações entre seres humanos, animais e espaço urbano, através de uma instalação que tem despertado curiosidade nos vários países por onde tem passado.
«Enquanto compositor, Boursier-Mougenot cria estruturas sonoras no espaço que, funcionando como partituras físicas, fazem a sua música ganhar vida naturalmente no domínio das artes visuais. (…) Ao integrar o vivo na instalação, o espaço torna-se um ecossistema onde o visitante se vê como o elemento circundante de um estado natural desconhecido: uma sociedade de pássaros músicos com necessidades, uma vida comunitária, rituais de sedução dos quais gostamos de supor que a música é a expressão imediata. O visitante faz parte da partitura», explica o curador François Quintin, director do museu de arte contemporânea Collection Lambert, em Avignon, França.
Céleste Boursier‑Mougenot apresentou a primeira versão desta obra em 1995. Desde então, e com algumas adaptações aos diferentes contextos expositivos, From here to ear foi apresentada em instituições como o Copenhagen Contemporary (Dinamarca), Museu de Belas Artes de Montreal (Canadá), Centre d’Art Contemporain Yverdon-les-Bains (Suíça) e Hangar Bicocca (Milão, Itália), entre outras. No MAAT apresenta a 26.ª versão da obra.
«As instalações de Céleste Boursier-Mougenot nunca estão verdadeiramente terminadas, uma vez que cada apresentação é encarada pelo artista como uma nova composição», descreve François Quintin.
A exposição pode ser visitada até 31 de Agosto.
Veja aqui imagens da exposição (créditos Bruno Lopes):












