Gerir com dados do passado está a colocar as PME portuguesas em risco, alerta a Ciphra

Muitas PME portuguesas continuam a tomar decisões de gestão com base em informação contabilística desactualizada, num momento em que a pressão sobre custos, margens e tesouraria exige uma leitura mais imediata da realidade financeira do negócio.

Margarida Lopes
21 de Julho 2026 | 12:20
Gerir com dados do passado está a colocar as PME portuguesas em risco, alerta a Ciphra

Para a empresa especializada em contabilidade, gestão e recursos humanos, o atraso no acesso à informação financeira representa um risco de gestão cada vez mais relevante. Quando os dados só chegam depois do fecho do mês, muitas decisões sobre pagamentos, recebimentos, investimento, contratação, preços ou financiamento já foram tomadas sem uma leitura actualizada da realidade da empresa.

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A pressão sobre a gestão financeira não é apenas uma percepção. De acordo com o Banco de Portugal, no primeiro trimestre de 2026, a rendibilidade das empresas situou-se nos 9,5%, enquanto 45,7% do activo das empresas era financiado por capitais próprios. Já os prazos médios de pagamento e recebimento das empresas mantiveram-se perto dos 28 dias no final de 2025, um indicador que mostra como a gestão da tesouraria continua a depender de acompanhamento próximo e informação actualizada.

A este cenário soma-se o comportamento de pagamento entre empresas. Segundo dados da Informa D&B, apenas 20% das empresas em Portugal cumprem os prazos de pagamento acordados com fornecedores, com atrasos médios de 22,6 dias. O mesmo estudo identifica ainda cerca de 43 mil empresas com risco médio-alto ou elevado de atrasos significativos nos pagamentos.

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«Quando uma empresa só percebe tarde demais que os recebimentos derraparam, que os custos aumentaram ou que a margem se estreitou, a contabilidade já não está a apoiar a decisão. Está apenas a confirmar o problema. A contabilidade em tempo real permite encurtar essa distância entre o que acontece na operação e aquilo que a gestão consegue ver», afirma Maria João de Figueiredo, directora-geral da Ciphra.

Para a Ciphra, a contabilidade em tempo real não deve ser confundida com a simples digitalização de documentos. O verdadeiro valor está na capacidade de acompanhar, de forma contínua, indicadores como facturação, recebimentos, pagamentos, custos, impostos, margens e disponibilidade financeira. Esta leitura permite detectar desvios mais cedo, antecipar necessidades de tesouraria, preparar decisões de investimento e reduzir a dependência de análises feitas apenas no final do mês ou do trimestre.

A evolução digital das empresas reforça esta necessidade. Segundo o Eurostat, 71% das PME da União Europeia tinham, em 2025, pelo menos um nível básico de intensidade digital, ainda abaixo da meta europeia de 90% para 2030. O mesmo organismo indica que 52% das PME europeias já compravam serviços cloud, sinal de que a infra-estrutura tecnológica está cada vez mais presente, mas nem sempre é traduzida em melhor informação de gestão.

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«A tecnologia, por si só, não resolve a gestão. Uma empresa pode ter ferramentas digitais, facturação electrónica e documentos em cloud, mas continuar a decidir tarde se os dados não forem organizados, lidos e transformados em informação útil. A contabilidade em tempo real não é sobre ter mais relatórios. É sobre ter melhores decisões no momento certo», acrescenta Maria João de Figueiredo.

Este modelo ganha especial importância em empresas em crescimento. Quando a actividade aumenta, também crescem as exigências sobre caixa, fornecedores, equipa, impostos e financiamento. Sem informação contabilística actualizada, vender mais pode esconder perda de margem, atrasos nos recebimentos ou pressão sobre a liquidez.

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Para a Ciphra, esta mudança representa uma evolução natural do papel da contabilidade nas PME. A função contabilística continua a ser essencial para o cumprimento fiscal, mas deve assumir também um papel mais próximo da gestão, ajudando empresários e decisores a perceber o que está a acontecer no negócio antes de os problemas se tornarem difíceis de corrigir.

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