Recordati: Um espaço onde se cria valor

A Recordati está a redefinir o futuro do trabalho com uma cultura assente na confiança, autonomia e proximidade, colocando as pessoas no centro da estratégia.

Human Resources
27 de Agosto 2026 | 13:30
Recordati: Um espaço onde se cria valor

A Recordati está a redefinir o futuro do trabalho com uma cultura assente na confiança, autonomia e proximidade, colocando as pessoas no centro da estratégia.

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Muito além do espaço físico, o workplace é, hoje, um reflexo da cultura, da liderança e da forma como as organizações valorizam as suas pessoas. A evolução do conceito de local de trabalho trouxe novos desafios às empresas, que procuram criar ambientes mais colaborativos, humanos e orientados para o valor. Na Recordati, esta transformação tem sido acompanhada por uma mudança cultural assente na confiança, na autonomia e numa visão centrada nas pessoas. Em entrevista à Human Resources, Nelson Ferreira Pires, director-geral da Recordati, explica como a organização tem vindo a transformar a experiência dos colaboradores, conciliando flexibilidade, inovação, tecnologia e bem-estar para responder aos desafios do futuro do trabalho.

O conceito de workplace tem vindo a sofrer grandes transformações nos últimos anos. De que forma esta transformação se tem reflectido na Recordati e quais foram as principais mudanças implementadas?

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Na Recordati, a evolução do workplace nunca foi vista como uma adesão cega a modas corporativas, mas sim como uma transição estratégica rumo ao Value-Based Management (Gestão Baseada em Valor) e à centralidade nas pessoas (People First). A principal transformação reflectiu- se na mudança da cultura do “cumprimento de horários e controlo físico” para uma cultura de responsabilidade, confiança mútua e mérito. Substituímos a burocracia do controlo pelo foco claro nos resultados. Estruturalmente, adaptámos a nossa sede e os fluxos de trabalho para garantir que o escritório não seja apenas um sítio onde se “está”, mas sim um polo dinâmico onde se cria valor, se fomenta a inovação e se vive a identidade da marca. Por exemplo, celebramos o Dia da Família convidando todos os colaboradores a trazerem os seus filhos às nossas instalações, oferecendo um gelado orgânico a todos. Mesmo os colaboradores que estavam fora do escritório puderam usufruir desse momento.

Como é que a Recordati concilia as diferentes necessidades das equipas que trabalham em escritório, no terreno e noutras funções específicas da indústria farmacêutica?

Conciliar equipas com realidades tão distintas, desde os Delegados de Informação Médica (DIM) no terreno até às funções de escritório e operacionais, exige uma gestão individualizada e personalizada (fit to purpose), rejeitando fórmulas transversais. Para quem está no terreno, a tecnologia e a autonomia são as ferramentas-chave, garantindo eficácia na relação com os stakeholders. Para as equipas de escritório, o foco está na optimização do ecossistema de colaboração. O ponto de equilíbrio é assegurar que, independentemente da função ou da geografia, todos partilham do mesmo propósito e têm as mesmas ferramentas de excelência para executar as suas metas, baseando as dinâmicas no bom senso e na equidade, e não em regras rígidas que discriminem ou criem fossos entre funções. É aquilo a que chamo de “individualismo corporativo”.

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Qual é a actual política de trabalho híbrido da empresa? Como encontraram o equilíbrio entre flexibilidade, colaboração e as exigências próprias do sector?

Sempre assumi publicamente uma postura crítica face à formalização excessiva do teletrabalho. Considero que, muitas vezes, as organizações podem perder o essencial: a capacidade de inovar e liderar sem sentir o “smell of the place”, o que dificulta o onboarding e a criação de uma cultura organizacional sólida. A Recordati adoptou globalmente um modelo híbrido que permite até dois dias de trabalho remoto por semana. Mas cada filial pode adaptar, e em Portugal decidimos não implementar por decreto ou regras estanques. O nosso modelo assenta num regime de flexibilidade responsável, gerido com base no bom senso. Permitimos o trabalho remoto por necessidade do colaborador, e não como uma regra de afastamento. Encontrámos esse equilíbrio colocando o princípio Customer & Business First em articulação com o bem-estar das pessoas. O escritório continua a ser o nosso centro nevrálgico de coesão, criação de equipa e integração de novos talentos, garantindo a agilidade que o exigente sector farmacêutico impõe.

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De que forma os espaços de trabalho da Recordati foram pensados para promover a colaboração, a inovação e o bem-estar dos colaboradores?

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Desenhámos o nosso espaço físico com uma abordagem profundamente humana. Defendo que o ambiente físico dita a qualidade das relações interpessoais. Por isso, os espaços da Recordati foram reconfigurados para quebrar silos: temos áreas de open space que convidam à partilha imediata, zonas de co-criação tecnológica e salas específicas para dinâmicas de inovação. No entanto, a maior parte dos colaboradores dispõe também de gabinete individual e pode personalizar com as suas fotografias de família. Por exemplo, eu tenho uma galeria de arte em duas salas porque aprecio bastante pintura. Paralelamente, investimos em infra- estruturas de bem-estar personalizadas, como postos de carregamento para veículos eléctricos e espaços individuais customizados, transformando o escritório num ecossistema acolhedor, onde as pessoas querem efectivamente estar e trabalhar em conjunto.

O bem-estar tem assumido um papel cada vez mais relevante nas organizações. Que iniciativas têm vindo a desenvolver para promover a saúde física, mental e emocional das vossas equipas?

O bem-estar na Recordati vai muito além dos pacotes de benefícios tradicionais; faz parte da nossa cultura de Compliance e Ética. Desenvolvemos iniciativas disruptivas e tangíveis, destacando-se a criação de programas de medicina curativa no escritório, extensíveis às famílias dos colaboradores, apoio à saúde mental e emocional com canais de acompanhamento especializado, e a facilitação de serviços de conveniência no local de trabalho (como a recepção e gestão de entregas pessoais online) para libertar tempo de qualidade na vida pessoal dos nossos profissionais. Promovemos activamente o equilíbrio real através do alívio da carga de stress quotidiana da nossa “família corporativa”.

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Que papel desempenha a tecnologia na forma como os colaboradores trabalham e colaboram diariamente? Que ferramentas ou soluções têm sido determinantes nesta evolução?

A tecnologia é um facilitador essencial da nossa agilidade operacional, operando sempre sob uma forte governação de cibersegurança e em arquitecturas Zero Trust. Implementámos plataformas integradas de comunicação e gestão de projectos em tempo real (ecossistema cloud corporativo) que ligam as equipas de todo o mundo num clique. Além disso, a introdução progressiva de automação e inteligência artificial na análise de dados e processos de suporte tem sido determinante para eliminar tarefas redundantes, inpermitindo que as nossas equipas se foquem naquilo que é verdadeiramente diferenciador: o pensamento estratégico, a criatividade e o contacto humano de alto valor. A nível comercial estamos a percorrer um percurso omnichannel há cerca de dois anos, promovendo o reskilling e upskilling de todos os colaboradores, para que ninguém fique excluído.

Como garantem que todos os colaboradores, independentemente da sua função ou localização, se sentem envolvidos na cultura da empresa e têm acesso às mesmas oportunidades de desenvolvimento?

Garantimos isso através de uma comunicação interna omnicanal, transparente e altamente exposta. Ao passarmos de uma empresa historicamente discreta para uma organização mais reconhecida e premiada, reforçámos o orgulho de pertença. As oportunidades de progressão e formação (como os nossos programas de desenvolvimento executivo que já formaram 50% dos colaboradores numa universidade de prestígio) assentam exclusivamente na meritocracia e nos resultados do Value-Based Management.

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Realizamos fóruns de alinhamento regulares onde as lideranças partilham os sucessos e os desafios com toda a organização, assegurando que um colaborador em campo ou numa delegação internacional sinta o mesmo pulsar cultural e estratégico de quem está na sede. Promovemos pequenos-almoços rotativos com colaboradores, realizamos reuniões trimestrais com toda a equipa para uma comunicação mais próxima e disponibilizamos ferramentas de formação contínua através da nossa intranet. Mas a melhor forma de promover a cultura é através do exemplo, “walk the talk” a partir dos nossos três valores: “better together, never settle, always deliver”.

Que resistências ou dificuldades encontraram ao implementar estas mudanças no workplace? Como foram ultrapassadas?

A principal resistência reside sempre na barreira do hábito e no receio inicial da perda de controlo por parte de algumas chefias intermédias, ou na ansiedade dos colaboradores perante novas exigências tecnológicas e de autonomia. O desconhecimento também contribuiu para essa resistência inicial. Ultrapassámos estas dificuldades com dois pilares: liderança pelo exemplo e formação contínua. Não impusemos processos de cima para baixo de forma autoritária; usámos a influência, explicámos exaustivamente o “porquê” de cada mudança e demonstrámos na prática que a flexibilidade com responsabilidade beneficiava os resultados de todos. Quando as pessoas percebem que a liderança vive genuinamente os valores que apregoa, a resistência dá lugar à adesão.

De que forma o workplace da Recordati contribui para a atracção e retenção de talento num sector tão competitivo? Que resultados ou indicadores reflectem esse impacto?

O nosso workplace e a nossa cultura são o nosso maior argumento de Employer Branding. Em mercados altamente voláteis, a Recordati orgulha-se de manter uma taxa de rotação voluntária praticamente nula nas posições-chave. O impacto desta estratégia está espelhado nos resultados: fomos distinguidos consecutivamente como “Melhor Empresa PME” e, pessoalmente, recebi com muito orgulho a distinção de “Melhor CEO PME” nos Prémios Human Resources. O mercado reconhece- -nos como uma empresa cada vez mais atractiva para os profissionais em Portugal, o que prova que atraímos talento pelo propósito, solidez e reconhecimento.

Como tem evoluído o papel da liderança na gestão de equipas cada vez mais flexíveis e distribuídas? Que competências considera essenciais nos líderes actuais para manter um workplace coeso e funcional?

A liderança migrou definitivamente da autoridade formal para a liderança por influência e inspiração. Como costumo dizer: “Mais vale ser influente do que ser poderoso, porque a influência perdura no tempo”. Num cenário de equipas distribuídas, as competências essenciais de um líder são a empatia, a inteligência emocional, a resiliência, a capacidade de comunicação clara e ver o copo sempre “meio cheio”, mas, acima de tudo, a coerência ética na gestão pelo exemplo. O líder moderno tem de ser um arquitecto de confiança, capaz de traduzir a visão estratégica em objectivos tangíveis e de manter a chama da cultura acesa, mesmo quando a equipa não está reunida fisicamente todos os dias. O líder tem de saber sorrir para tranquilizar a organização nos momentos difíceis. E, quando tudo corre bem, deve manter um olhar exigente para evitar o relaxamento e a rotina. Tem de ser, no fundo, um líder situacional e humano.

A cultura organizacional tornou-se um dos principais factores de diferenciação das empresas. Como é que a Recordati trabalha o sentimento de pertença e o envolvimento dos colaboradores?

Trabalhamos o sentimento de pertença através da partilha de marcos históricos e da inclusão real das pessoas no legado da empresa. Um exemplo marcante disso foi a celebração do nosso centenário com todos os colaboradores e stakeholders, reforçando o orgulho de pertença. Assim como o lançamento da nossa iniciativa “Cápsula do Tempo”, selada na nossa sede para ser aberta apenas em 2031. Gestos como este ligam o passado glorioso, o presente dinâmico e o futuro sustentável da empresa, mostrando a cada colaborador que ele é parte activa de uma história secular. Celebramos as conquistas colectivas e fazemos questão de manter viva uma matriz de proximidade familiar e de orgulho no impacto que o nosso trabalho tem na saúde e na qualidade de vida dos doentes.

Que tendências acredita que irão marcar a evolução do workplace nos próximos anos e como é que a Recordati se está a preparar para responder a essas mudanças?

O futuro do workplace será marcado pela consolidação do conceito de “blocalização” (equilíbrio entre fluxos globais e autonomia regional) e pelo impacto disruptivo da Inteligência Artificial. Assistiremos a uma exigência cada vez maior por ambientes de trabalho assentes na sustentabilidade ambiental, ética corporativa rigorosa e personalização extrema da experiência do colaborador. O “employee journey” terá de ser uma ferramenta de gestão da vida do colaborador na organização. Por exemplo, os colaboradores decidiram às sextas-feiras organizar um almoço temático nos nossos escritórios da Recordati Portugal. O último foi com o tema de Cabo Verde, México e Canadá. Cada um contribuiu com a sua especialidade, num momento totalmente dinamizado pelos próprios colaboradores. A companhia adaptou o espaço da copa para facilitar estes encontros informais. É um privilégio trabalhar neste escritório e num espaço como o Taguspark. A Recordati está a preparar-se mantendo-se fiel à sua matriz de agilidade e inovação constante: estamos a investir na digitalização segura dos processos, a reforçar as nossas políticas de ESG (Ambiental, Social e Governação) e a redesenhar o futuro do trabalho com os nossos valores. Porque, por mais tecnológica que a indústria farmacêutica se torne, o workplace continuará a ser, fundamentalmente, um espaço de e para pessoas.

Este artigo faz parte do Caderno Especial “Workplace” da edição de Agosto (n.º 188) da Human Resources.

Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.

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