A diversidade e inclusão nas lideranças: três iniciativas-chave para a promover

Human Resources
7 de Fevereiro 2022 | 14:00
A diversidade e inclusão nas lideranças: três iniciativas-chave para a promover

Três iniciativas-chave para fomentar a diversidade e inclusão nos membros do board e nos senior leaders das organizações, e cinco recomendações para acelerar o progresso neste âmbito.

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Por Maria João Gomes, partner da Odgers Berndtson Portugal

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Diversidade. Há anos que este assunto me é caro. Já escrevi inclusivamente alguns pensamentos sobre o assunto, um apelo à nossa responsabilidade, enquanto líderes, mas sobretudo enquanto seres humanos, pensando no legado que queremos deixar aos nossos filhos. Quero deixar um mundo melhor, fazer a minha parte e poder influenciar, por via dos meus actos e das minhas decisões, aqueles que comigo se cruzam.

Hoje, faço parte de uma marca que me representa tão bem nesta ambição, nesta procura por um mundo mais inclusivo, mais justo e diverso, com a qual partilho os mesmos valores, com sentido de responsabilidade e orgulho.

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Há três anos, quando me juntei à Odgers Berndtson, num mundo pré-pandémico, tive oportunidade de conhecer, numa conferência internacional de partners em Roma, praticamente todos os meus colegas. Éramos 205 partners de cerca de 30 geografias diferentes. A experiência foi, desde o primeiro dia, diferente: as pessoas apresentavam-se sem filtros ou preconceitos, apresentavam os seus companheiros/as com abertura e sem temer qualquer juízo de valor. Partilharam- se casos de estudo onde se tinham colocado mulheres em cargos de liderança nos Emirados Árabes, CEO assumidamente gays e movimentos de inclusão de pessoas com deficiência.

Acompanhámos as dinâmicas e resultados criados por “injectar diversidade” nos clientes: pessoas que mudaram o discurso, o perfil de recrutamento, a forma de fazer o business plan (integrando inputs das equipas ao longo da organização), a abertura para ouvir clientes na discussão da estratégia, a activação de parceiros para ideação no âmbito de posicionamento de marca, resultando em impactos visíveis de como as equipas diversas são mais criativas e produtivas.

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Na Odgers Berndtson, esta temática está no topo da nossa agenda. Como uma das principais empresas de Executive Search do mundo, temos o compromisso de usar a nossa voz e rede global para mudar a desigualdade e a injustiça social.

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Este ano, participámos em Portugal no fórum Leading Together, um espaço dedicado ao tema das lideranças equilibradas em termos de género nas posições de topo das empresas, onde explorámos o nosso working paper “UK Leadership Diversity Report 2021”.

Este estudo, sobre as tendências de diversidade nas lideranças no Reino Unido, foi realizado em conjunto com a BoardEx, onde foram inquiridos mais de 600 directores não executivos e membros de C-suite de um conjunto alargado de organizações no Reino Unido, com o objectivo de compreender as principais diferenças entre as organizações mais e menos diversas.

Os resultados do estudo são claros e mostram que as organizações com boards mais diversos demonstram maior probabilidade de continuar a potenciar o aumento da diversidade nas suas lideranças e de apostar em iniciativas de Diversidade e Inclusão (D&I). As organizações mais progressivas são também as que continuam a escalar os seus esforços neste sentido, o que acaba por ampliar cada vez mais o gap entre as organizações mais e menos diversas.

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Três iniciativas-chave
Dividindo a amostra entre empresas “diversas” e “não diversas”, os resultados mostram que as organizações diversas implementam três iniciativas-chave para fomentar a diversidade e inclusão nos membros do board e nos senior leaders:

1. Criação de parcerias com organizações de Diversidade e Inclusão
Comparadas com as organizações não diversas, as organizações mais diversas têm três vezes mais probabilidade de estabelecer parcerias com instituições ou organizações de D&I. No entanto, mesmo entre as organizações diversas, ainda pouco mais de um terço participa nestas iniciativas.

 

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2. Definição de objectivos de Diversidade
As empresas diversas têm duas vezes mais probabilidade de estabelecer objectivos de diversidade, tanto para o board como para a equipa de liderança, quando comparadas com as empresas não diversas. Estes objectivos ajudam a aumentar a diversidade em funções com maior senioridade. São medidas poderosas do sucesso e do progress, o e demonstram o comprometimento das organizações em atrair e reter talento diverso.

 

3. Implementação de medidas para reduzir o viés inconsciente durante o processo de selecção
As organizações diversas possuem mais do dobro de probabilidade de terem implementado medidas para reduzir o viés no recrutamento do que as organizações não diversas. Para além da implementação destas medidas, é importante garantir que todos os colaboradores têm conhecimento da sua existência, de forma a reter os colaboradores que cada vez mais valorizam trabalhar em organizações que reflictam os seus próprios valores.

 

O desejo do aumento da diversidade nas organizações está a crescer
O compromisso inequívoco com a D&I é cada vez mais uma componente essencial de qualquer negócio responsável e bem-sucedido. Partilhamos cinco recomendações que as organizações poderão implementar para acelerar o seu progresso:

  • Analisar, e até mesmo compreender, as taxas de diversidade do seu board e da sua equipa de liderança, bem como da sua concorrência;
  • Identificar e estabelecer parcerias estratégicas com organizações de diversidade, de forma a manterem-se conectados com o talento diverso;
  • Estabelecer objectivos de diversidade realistas e possíveis de serem atingidos;
  • Garantir que todos os colaboradores têm conhecimento dos esforços e medidas de D&I implementados para reduzir o viés;
  • Integrar a sensibilização e o comprometimento com a D&I na cultura e prática da organização, e medir o seu impacto de forma consistente.

 

Não é da noite para o dia que as organizações conseguem alcançar os níveis de diversidade na liderança que desejam. Cabe, por isso, a cada um de nós nas organizações, cultivar uma mentalidade mais diversa, definir padrões e estimular práticas organizacionais que podem mudar comportamentos.

Na empresa, como na vida, precisamos de desafiar a forma como comunicamos e nos posicionamos face à diversidade, mesmo que isso nos gere desconforto. Precisamos de questionar e actuar de acordo com valores maiores de justiça e equidade, assumindo posições tantas vezes dissonantes do pensamento do grupo onde nos inserimos. Porque é isto que nos é exigido para deixarmos um mundo melhor: assertividade, clareza e coragem para agir.

 

Este artigo foi publicado na edição de Janeiro (nº. 133) da Human Resources, nas bancas. Caso prefira comprar online, tem disponível a versão em papel e a versão digital.

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