Por Tânia Gaspar, professora e directora do Serviço de Psicologia Inovação e Conhecimento da Universidade Lusófona
O mundo empresarial mudou e as lideranças também mudaram. Se antigamente ter um líder empático à frente de uma organização era uma escolha ética, hoje é comprovadamente uma estratégia eficaz para maximizar o desempenho das equipas e promover o crescimento dos negócios.
A empatia é frequentemente descrita como a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro, compreendendo os seus sentimentos, os seus pensamentos, os seus problemas, sem os julgar. Sem preconceitos. E um líder empático, como é?
É alguém capaz de fazer tudo isso nas suas interacções diárias com os colaboradores, de forma consistente e genuína. É alguém que coloca o bem-estar das pessoas no centro da gestão e que promove uma cultura de confiança, inclusão e respeito mútuo dentro das organizações. Um líder empático é o actor principal na construção de ambientes laborais seguros, onde todos se sentem reconhecidos, valorizados e motivados a dar o seu melhor. E ambientes assim são ambientes de superação, onde dá gosto trabalhar, onde é fácil reter as pessoas e captar novos talentos.
Ao estabelecer laços de confiança e promover uma cultura de equipa coesa, os líderes empáticos melhoram o desempenho geral da organização, porque a sua abordagem cria um ambiente inspirador e transformador, abrindo espaço à criatividade e à inovação, mesmo em contextos difíceis e normalmente marcados pela pressão para alcançar resultados.
Empresas com lideranças empáticas são empresas mais saudáveis, sustentáveis e equilibradas, muito menos propícias a ter trabalhadores de baixa, com problemas como o burnout ou esgotados pelos conflitos entre a vida profissional e pessoal.
As lideranças empáticas são um caminho sem volta. Por isso mesmo, é urgente investir na formação contínua e no desenvolvimento de competências socio emocionais dentro das organizações.
Um bom líder já não se mede apenas por critérios matemáticos como a produtividade e os resultados. Muito longe disso. As lideranças que fazem diferença nas empresas são aquelas que fazem diferença nas vidas dos colaboradores, são aquelas que souberam desenvolver a inteligência emocional, a comunicação assertiva, a negociação e que mudaram para melhor o ADN das organizações.
Lideranças que cuidam das pessoas são lideranças que cuidam dos negócios.














