Despertar os sentidos para o bem-estar

Human Resources
16 de Janeiro 2024 | 11:00

O envolvimento dos nossos sentidos numa “experiência sensorial” tem impacto nos nossos pensamentos, emoções, comportamento, desempenho e no nosso bem-estar geral.

Por Joana Lacerda, Project leader na Openbook  

 

Alguns locais como supermercados e hospitais têm tirado partido desta abordagem. A título de exemplo, num estudo levado a cabo numa superfície comercial que passava música francesa, verificou-se que a maioria do vinho comprado era francês. No entanto, a maior parte da arquitectura é concebida pensando só no impacto visual.

Os escritórios são espaços em que a população activa passa uma grande parte do seu tempo. Por si só, esta é uma razão que justifica que se reflicta mais sobre os potenciais benefícios de uma abordagem multissensorial.

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São várias as características visuais dos elementos que compõem um espaço físico que podem condicionar as nossas emoções. Um escritório com linhas e ângulos rectos pode transmitir uma sensação de ordem e eficiência. Por outro lado, espaços com mobiliário circular e curvas suaves podem criar uma atmosfera mais acolhedora e amigável. Já locais com muita assimetria podem despertar curiosidade e criatividade, adicionando uma dose de dinamismo ao ambiente.

A psicologia da cor desempenha também um papel crucial; por exemplo, os tons de azul, associados à tranquilidade, são mais apropriados para ambientes onde o trabalho requer maior concentração.

Por norma, os projectistas concentram os seus esforços no isolamento acústico, enquanto a importância do som ambiente é frequentemente esquecida. Uma das queixas mais frequentes dos colaboradores é o ruído elevado, principalmente nos open spaces, que poderá ter efeitos prejudiciais à saúde psicológica. Ao considerarmos a sonoridade como parte integrante do projecto, é possível criar espaços que atendam às necessidades sonoras e emocionais dos utilizadores.

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Assim que entramos num edifício, somos expostos a inúmeras interacções físicas com diversos elementos, desde o puxador da porta até ao tecido de um sofá. A experiência da arquitectura é palpável e quer as texturas quer a temperatura dos materiais são atributos tácteis que devem ser valorizados, com especial relevo para os materiais naturais.

Podemos não sentir, literalmente, o sabor dos materiais de um edifício, mas o design pode ter um impacto na nossa resposta ao espaço físico.

O conforto dos espaços de refeição e descanso é crucial. Ambientes que promovem o bem-estar e o relaxamento podem criar um ambiente propício para apreciar e saborear as refeições, enquanto espaços desconfortáveis podem resultar em experiências menos agradáveis e não reparadoras.

O olfacto está ligado a funções emocionais e de memória do cérebro, e pode ter um efeito na produtividade no local de trabalho. Os aromas florais melhoram a função cognitiva, aumentando a concentração e poderão ser usados em espaços de mindfulness, por exemplo. Por outro lado, a posição de coffee stations junto aos locais de trabalho, pode não ser apenas conveniente, mas impactar nos níveis de energia dos colaboradores.

A expectativa é que a prática do design arquitectónico incorpore cada vez mais a nossa crescente compreensão dos sentidos humanos e da forma como estes se influenciam mutuamente. Espera-se que esta abordagem multissensorial conduza ao desenvolvimento de edifícios e espaços públicos que promovam o nosso desenvolvimento social, emocional, cognitivo e, consequentemente, a produtividade e bem-estar geral.

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