Employee Experience: “quero” versus “preciso”

Titiana Barroso
18 de Junho 2018 | 12:44

Apesar da complexidade que é gerir pessoas numa organização, é a junção dos factores culturais, físicos e tecnológicos que fazem a diferença na experiência proporcionada ao colaborador.

Por Cláudia Vicente, directora da Galileu

 

Afinal, o que é Employee Experience? Employee Experience, ou a experiência de um colaborador, não é mais do que o conjunto das experiências vividas por um colaborador durante o período em que está ligado a uma organização. Ou seja, engloba todos os factores, sejam eles culturais, físicos ou tecnológicos, que têm impacto na experiência do colaborador e que são fundamentais para a tomada de decisão de querer ficar ou partir para novos desafios.

 

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Entre os factores culturais, físicos ou tecnológicos, historicamente, as organizações tendem a sobrevalorizar a cultura organizacional, em detrimento dos demais. Talvez por se tratar do factor menos tangível e também do mais emocional. Ou seja, é o sentimento que cada um tem em relação ao seu trabalho e ao local onde trabalha. É algo que se sente e se vive no dia-a-dia, embora não seja visível. É a identificação, a (auto) motivação, que leva cada um a fazer e dar um pouco mais.

Mas, o contrário também é verdade, e uma experiência negativa pode levar à quebra deste vínculo emocional. Normalmente, esta cultura é transmitida através do exemplo, hierarquicamente falando, dos valores, das atitudes, das práticas e da missão de cada organização.

 

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Os factores físicos, ou o ambiente que nos rodeia, são tudo o que se pode ver, ouvir, cheirar, tocar ou provar, desde a cadeira, as luzes ou a copa até à planta murcha no canto da sala; factores fundamentais porque é neste espaço que se passa a maior parte do tempo útil de trabalho. Um espaço escuro, sujo, barulhento, com temperaturas desajustadas, má qualidade do ar ou iluminação desadequada vai, certamente, influenciar negativamente o trabalho de cada um e interferir com a concentração, bem-estar, desempenho ou produtividade. Por outro lado, colaboradores satisfeitos com seu ambiente físico estão mais propensos a fazer um trabalho melhor.

 

Por último, mas não menos importante, surgem os factores tecnológicos, ou seja, contempla todas as ferramentas úteis que um funcionário precisa para realizar a sua actividade, seja qual for a função ou a sua situação. Nos dias de hoje, tendo em conta as mudanças estruturais e mentais do mercado laboral, incluem-se nestes factores a muito valorizada possibilidade de se trabalhar remotamente, novas maneiras de comunicar, reunir e partilhar feedback e, talvez o mais importante, permitir a aplicação dos dados. Uma situação prática que confirma a teoria, verifica-se na América, onde mais de 43% dos funcionários realizaram trabalho remoto em 2016, uma realidade que só foi possível graças aos avanços da tecnologia móvel.

 

Apesar da complexidade que é gerir pessoas numa organização, é a junção dos factores culturais, físicos e tecnológicos que fazem a diferença na experiência proporcionada ao colaborador; que distinguem o sentimento de cada um de “querer” trabalhar numa organização ou de “precisar” de trabalhar naquela organização.

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Também do ponto de vista da entidade empregadora esta situação se verifica. Quando as empresas assumem que as pessoas precisam de trabalhar, dão-lhes apenas os mínimos para desempenharem as suas funções (telefone, computador, uma mesa e uma cadeira). Quando querem captar o melhor talento, então as empresas esforçam-se por criar um ambiente onde as pessoas desejem, naturalmente, estar.

Contudo, quando se trabalha com pessoas, não existe apenas uma realidade ou uma solução que sirva a todos. Existem inúmeros pontos de vista, embora todos válidos e verdadeiros.

Para se conseguir proporcionar a melhor Employee Experience, cada líder deve saber “colocar-se nos sapatos do outro”. Deve conhecer todas as realidades da sua empresa e saber que necessidades cada uma tem para o melhor desempenho das suas pessoas, proporcionando a solução mais adequada a cada uma.

 

Cada líder deve saber fazer de cada colaborador o seu melhor embaixador e nunca, nunca, esquecer: só uma experiência positiva faz a diferença entre o “querer” ficar ou “precisar” de ficar.

 

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