Ganhamos ou perdemos a vida?

Por Maria Duarte Bello, CEO da MDB – Coaching e Gestão de Imagem, Coach PCC & Mentor Senior

Sentimos cansaço extremo com a vida que levamos? profundamente desgastados com o que fazemos? Se sim, talvez estejamos exaustos (queimados) pelo trabalho ou ritmo de vida. Estas sensações são, por vezes, pontuais. Podem ocorrer, por exemplo, quando enfrentamos uma situação que foge do habitual; quando as férias se aproximam; quando estamos absortos num projeto muito exigente ou quando se tem um chefe complicado. Nestes casos, não há motivos para preocupações. Mas quando os sintomas são intensos e constantes e não existem fatores externos que expliquem tal sensação, corremos o risco de cair no stress crónico ou síndrome de burnout.

A Organização Mundial de Saúde reconheceu este transtorno como uma doença laboral. Estima-se que atinja 10% da população ativa no mundo. Entre os seus sintomas, incluem-se o desgaste profundo, a falta de entusiasmo com o que se faz e a sensação de não darmos conta frente ao acumular de responsabilidades. Muitas pessoas podem estar “queimadas” pelo trabalho, mas isso não significa que tenham a doença. Só poderemos evitá-la se identificarmos, de forma antecipada, as situações que nos levam a sofrê-la. Ora vejamos:

A principal armadilha para reconhecer que estamos “queimados” é gostar muito do trabalho ou considerá-lo nossa vocação. Se a vida inteira sonhámos em ser professor, consultor, jornalista ou médico, como é possível que ir ao trabalho seja tão animador quanto fazer uma volta ao mundo? Acredita-se que a maioria das pessoas com burnout tenha uma profissão que ajuda terceiros. Se este é o nosso caso, prestemos atenção em como nos sentimos agora e aceitemos que corremos esse risco.

Uma das formas de prevenir o desgaste é dedicar um tempo a nós mesmos. Horas excessivas de trabalho, mesmo que seja por paixão, e não ter cuidados connosco são fatores que trazem um risco importante. As consequências não são imediatas: aparecem depois de cinco a oito anos, segundo os especialistas. Podemos evitá-las com uma agenda rigorosa, ainda que implique uma pausa naquilo que tanto gostamos de fazer.

Em segundo lugar, ser muito exigente connosco mesmos pode trazer problemas. A autoexigência significa mais e mais horas de esforço. Esta atitude, em si, não é prejudicial; o problema surge quando a dose é excessiva, quando a necessidade de autoafirmação através do sucesso não nos permite uma trégua ou quando a própria cobrança nos leva a procurar a aprovação constante dos outros. Essas situações podem provocar o surgimento da síndrome. O antídoto é treinar a mente, ou seja: transformar os desafios em oportunidades de aprendizagem e não agir como juízes de nós mesmos. Posto isto, devemos esforçar-nos na aceitação profunda de quem somos, sem necessidade da aprovação de quem nos rodeia.

O terceiro inconveniente aparece quando você chega à meia idade trabalhando há vários anos num ritmo intenso. A síndrome de burnout exige tempo para vir à superfície. O problema é a dificuldade de detectá-la em tempo útil. Primeiro, como vimos, porque gostamos do que fazemos. Segundo, porque é um tipo de stress silencioso e constante. Não há consciência real do padecimento e vai-se insistindo até ao dia em que é possível tombar.

O antídoto é aprender a dizer não, proporcionar espaços de tempo de relaxamento e desconexão, como o mindfulness e o desporto, e repensar por que fazemos o que fazemos. Se damos tudo de nós trabalhando pelos outros, por mais que isso tenha sentido, e não cuidarmos de nós, viveremos numa prisão que nos destruirá aos poucos. Todos corremos o risco de esgotamento no trabalho ou no ritmo de vida que vivemos, seja porque gostamos do que fazemos ou porque o realizamos de corpo e alma, perdendo a noção de que devemos cuidar de nós mesmos. Se isso acontece, podemos desenvolver o síndrome de burnout no longo prazo. Os seus sintomas são mentais e físicos e especialmente prejudiciais para a saúde. Cabe a nós preveni-los.

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