Imprescindível para qualquer pessoa, o acesso à saúde é um direito constitucionalmente garantido. Espelhado no artigo nº. 64 da Constituição da República Portuguesa, o acesso à saúde é uma prerrogativa de todos os cidadãos, seja qual for a sua condição económica, e uma obrigação do Estado social moderno, a quem cabe assegurar cuidados de saúde de qualidade.
Por Nuno Neves, CEO da Precise
Mas, e apesar de ter havido um aumento revelante do investimento efectuado na saúde, a realidade tem sido “madrasta” para os cidadãos, se olharmos para os últimos dados divulgados pelo Portal dos Cuidados de Saúde Primários, que revelam que, actualmente, são 1.7 milhões os portugueses que não têm médico de família.
Logo, a constatação óbvia é que ainda há muito a fazer para que os investimentos na área da saúde, seja nos profissionais ou nas instalações, resultem efectivamente na melhoria da qualidade dos serviços prestados a quem deles precisa, quer em termos da rapidez de resposta, quer no atendimento que é feito ao cidadão comum.
As dificuldades que o Estado tem tido para levar esta missão a bom porto têm feito com que o recurso ao outsourcing seja, cada vez mais, encarado como uma alternativa muito válida pelos prestadores públicos, e privados também, para gerir os recursos disponíveis. Nada de mal nisto, se o cidadão sair a ganhar.
Sabemos que, num mundo ideal, o trabalho regular básico do serviço de saúde em contexto hospitalar e de cuidados primários deveria ser assegurado pelos seus quadros, e que a contratação externa deveria ser apenas pontual. Mas o mundo ideal é uma utopia. Por isso, e perante a escassez de profissionais de saúde, ou a constante mobilidade destes, e o aumento dos custos dos cuidados de saúde com que se deparam hoje os diferentes prestadores do sector, o outsourcing acaba por ser um apoio positivo e fundamental para que a “máquina” da saúde funcione e cumpra eficazmente a sua função.
Ainda está certamente presente na memória de todos o impacto que tiveram os parceiros de outsourcing especializados em saúde durante o período da pandemia de Covid-19, altura em que asseguraram o desafio de alocar milhares de profissionais a nível nacional.
É verdade, ninguém estava preparado para os desafios de uma pandemia. Num momento de tamanha urgência, só assim foi possível dar resposta a esta gigante necessidade de profissionais.
As vantagens são indiscutíveis. Uma vez que permitem que os sistemas de saúde se adaptem rapidamente às eventuais oscilações na procura de serviços médicos, contratando temporariamente profissionais que possam lidar com picos sazonais ou emergências e ajudando a preencher lacunas quer em determinadas regiões do país, quer em algumas especialidades.
Acresce que o outsourcing é uma forma de contratar mão-de-obra experiente e com formação para o rápido desenvolvimento dos cuidados de saúde, permitindo que mais pessoas tenham acesso a estes.
Mas nada se faz sem riscos e, nesta relação de parceria entre outsourcing e saúde, é fundamental fazer escolhas certas, porque a correcta selecção de um parceiro nesta área é crítica porque essa selecção terá um impacto directo no desenvolvimento e no desempenho das organizações.
Daí a importância de avaliar a capacidade do fornecedor se ajustar à cultura da organização e de considerar os Recursos Humanos internos, porque, para além do recrutamento, há que fazer Gestão de Pessoas. Comprometimento, qualidade e segurança dos serviços são elementos cruciais a ter em conta para garantir uma implementação responsável e equilibrada do outsourcing. Ganham as instituições de saúde e ganha também o cidadão porque o acesso a cuidados de saúde é um direito de todos.














