Liderar pessoas hardy em trabalho remoto

Human Resources
4 de Novembro 2025 | 11:00

Por Isabel Moço, coordenadora e professora da Universidade Europeia

No trabalho remoto, as “pessoas hardy” distinguem-se pela sua capacidade de manter o compromisso, sentir que têm controlo sobre o seu percurso e encarar os desafios como oportunidades. Para as lideranças, este perfil representa, tantas vezes e para além de um enorme desafio, tanto uma vantagem como uma responsabilidade: se bem orientadas, estas pessoas podem tornar-se pilares de resiliência e inovação. Mas, se mal geridas, podem sentir frustração, desmotivação ou até afastar-se. É, por isso, essencial que os líderes reconheçam e canalizem o compromisso destas pessoas, “validando” e reconhecendo o seu esforço, trabalho e resultados, mas ajudando também a definir limites saudáveis. Sendo altamente ligadas aos objetivos, correm o risco de assumir demasiadas responsabilidades e acumular carga de trabalho Além do regular, pelo que a distribuição equilibrada de tarefas se torna fundamental para proteger o bem-estar e assegurar a sustentabilidade do desempenho – entendido aqui, como responsabilidade das lideranças.

Outro aspeto crítico nas pessoas com este perfil “hardy”, é a autonomia. “Pessoas hardy” valorizam fortemente a capacidade de decidir e de gerir o seu próprio trabalho, mas no contexto remoto, uma autonomia excessiva pode gerar desalinhamento. Por outro lado, esta autonomia pode ser condição essencial para um bom desempenho em trabalho remoto – o equilíbrio entre as duas coisas, é que é difícil, e sê-lo num momento, não significa que no seguinte também o seja. A liderança deve, assim, oferecer liberdade acompanhada de direção clara, com objetivos bem definidos, métricas transparentes e espaço para escolha do método. “Encontros” de alinhamento, que podem não ser reuniões, devem ser curtos e regulares e contribuir para manter a coerência da equipa sem cair na falácia da microgestão.

O desafio, para as “pessoas hardy”, é frequentemente encarado como uma oportunidade de aprendizagem e crescimento. Cabe à liderança transformar essa energia em motor coletivo, criando projetos experimentais ou task forces onde possam inovar e contagiar os colegas com a sua atitude positiva. Estimular a partilha de boas práticas entre pares amplia ainda mais o impacto e reforça a cultura de colaboração.

Apesar da resiliência que geralmente apresentam as “pessoas hardy”, é importante não cair em armadilhas comuns. A primeira é presumir que não precisam de apoio: a sua autoconfiança pode dar a ilusão de autossuficiência, mas continuam a valorizar feedback e reconhecimento. A segunda é sobrecarregá-las constantemente com os projetos mais difíceis, já que, pela sua postura ativa, tendem a ser vistas como “refúgio” dos líderes em momentos de maior pressão. A terceira é ignorar sinais de desgaste, pois mesmo os mais resilientes têm limites, e um líder atento deve observar sinais subtis de fadiga ou distanciamento.

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Quando as lideranças conseguem gerir eficazmente “pessoas hardy” em trabalho remoto, híbrido ou mesmo presencial, para além destas, tendencialmente, “entregarem muito mais e melhor”, pode resultar em maior autonomia das equipas, em mais inovação e “adaptabilidade”, assim como um maior alinhamento com o propósito comum. Mais do que gerir tarefas, as lideranças devem focar-se em gerir energia, confiança e crescimento, aproveitando o melhor destas pessoas – e naturalmente das outras também, sem perder o equilíbrio organizacional.

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