Mais do que nunca, temos de requalificar a força de trabalho

Nos últimos anos, muito se tem falado sobre requalificação dos recursos humanos, devido à escassez de talento que se tem vindo a fazer notar e que a pandemia Covid-19 veio intensificar.

Por Maria João Oliveira, Human Capital Director da Abaco Consulting

 

Neste sentido, inúmeras empresas e departamentos de Recursos Humanos foram obrigados a aprimorar e requalificar as forças de trabalho para o futuro. Isto significa que sentiram a necessidade de treinar e formar os seus colaboradores em áreas distintas e disruptivas, para que tenham mais capacidade e soft skills de adaptação a novas realidades. Algo que na teoria parece simples, mas que na prática é bastante complexo.

No entanto, esta necessidade de requalificar os talentos foi reconhecida por outras organizações muito antes da crise sanitária global; assim como as avaliações de desempenho e a gestão de políticas, o preenchimento das lacunas de formação sempre foi uma responsabilidade presente no departamento de Recursos Humanos. Porém, a velocidade com que os Recursos Humanos implementam este tipo de iniciativas de qualificação é que apenas acelerou num momento de crise com a pandemia Covid-19. Desta forma, à medida que as condições sociais, de negócios ou macroeconómicas mudam, estes profissionais devem re-imaginar a força de trabalho no futuro.

Infelizmente, não há e muito provavelmente não haverá nunca um guia para um plano de formação bem-sucedido, na medida em que as necessidades das empresas variam ao longo do tempo. Desde Março de 2020, as empresas privadas canalizaram os seus esforços para contratar e aprimorar as habilidades dos colaboradores e para melhorar o seu desempenho, enquanto as entidades de serviços públicos já estavam a meio de uma requalificação – dando aos funcionários uma responsabilidade maior ou mais estratégica à medida que a tecnologia inteligente passou a fazer parte da rotina. Embora as especificidades e a intensidade dos esforços de formação tenham variado de setor para setor, a crise da Covid-19 forçou as empresas a apostar, rapidamente, na requalificação dos seus colaboradores.

Várias pesquisas qualitativas e quantitativas mostram que as empresas enfrentam uma guerra de talentos, recrutando agressivamente candidatos com conjuntos de skills iguais ou semelhantes. Para algumas das posições, pode ser menos dispendioso treinar os colaboradores existentes na empresa para ocupar uma posição de nível superior – ou uma função totalmente nova. No entanto, é um processo moroso e com um grau bastante elevado de complexidade. Desta forma, é imperativo combinar o recrutamento eficaz com uma estratégia de formação, uma vez que investir na força de trabalho melhora a retenção, produtividade e inovação.

Hoje, no entanto, há mais urgência. O compromisso com a qualificação e a requalificação foi uma das chaves que as empresas necessitaram para sobreviver à crise da Covid-19, prosperando logo depois que a pandemia termine, além de alimentar a estabilidade e o crescimento a longo prazo de uma organização.

O truque é que agora e num futuro próximo, os profissionais de Recursos Humanos necessitam de encontrar o equilíbrio certo entre a contratação, formação e demissões. Compreender as necessidades organizacionais e ser capaz de respondê-las rapidamente será a chave, não apenas para as carreiras dos profissionais de Recursos Humanos, mas para todas as organizações.

O caminho do trabalho remoto para a qualificação e requalificação

Actualmente, encontramo-nos já numa fase final da crise sanitária Covid-19 e assim esperamos continuar, na qual as empresas e até as pessoas no geral, começam já a normalizar a sua vida e, nesse sentido, é importante olharmos para o contexto empresarial e entendermos de que forma as organizações conseguiram mudar tanto em tão pouco tempo. No final de 2019, se algum director de Recursos Humanos entrasse no escritório do CEO e sugerisse que a empresa começasse imediatamente a planear o futuro com foco no trabalho remoto, muito provavelmente, seria ignorado. A verdade é que, hoje, o trabalho híbrido é o futuro do mundo laboral.

A principal aprendizagem é que as empresas mostraram que são mais ágeis do que inicialmente se pensava. Portanto, se todos podem fazer a transição para o trabalho remoto e ainda assim conseguem ser eficazes e eficientes, certamente uma organização pode formar colaboradores com novas skills, para responder aos objetivos de negócios. Oferecer estas novas habilidades num ambiente de trabalho híbrido será um desafio, mas também uma necessidade. E é importante ter a consciência de que estamos constantemente a adquirir conhecimento.

Há algumas décadas atrás, nos departamentos de Recursos Humanos, mudar os registos que estavam em papel para computadores era um processo bastante lento e complexo. No entanto, hoje em dia, este tipo de trabalho passou a ser realizado por sistemas de Inteligência Artificial. Isto quer dizer que os Recursos Humanos estão a aprimorar o seu trabalho e a sua função de alinhar as metas de formação com as necessidades da empresa.

Uma estratégia de formação relevante e ágil, pronta a ser implementada a qualquer momento, representa uma oportunidade para os Recursos Humanos na procura pelos melhores talentos para a organização. Pois só assim conseguirão garantir que têm os melhores nas suas equipas.

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