Em média, as mulheres portuguesas ganham menos 14,4% que os homens, numa diferença de 149€ quando se tem em conta o salário-base médio bruto recebido. A diferença já foi maior, mas continua elevada.
A remuneração média das mulheres não vai além dos 886 euros. Nos homens é de 1035 euros.
Os dados são do último barómetro das diferenças remuneratórias entre mulheres e homens, feito pelo Gabinete de Estudos e Planeamento do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social a poucos meses de passarem a vigorar novas regras que pretendem reforçar as grandes empresas portuguesas a reduzirem diferenças salariais injustificadas.
A Autoridade para as Condições de Trabalho vai começar, a partir de Julho, a notificar empregadores com 250 trabalhadores ou mais para que ponham em marcha planos de avaliação nas respectivas empresas com vista a reduzir o fosso dos rendimentos. E, até lá, as empresas têm que entregar ao Governo os dados sobre os seus trabalhadores para que seja feito um balanço pelo Ministério do Trabalho. Têm ainda quatro meses para o fazer.
A diferença já foi maior
A diferença de 14,4% tem por base as remunerações declaradas pelas empresas à Segurança Social em 2018 e apontam para uma descida ligeira nas diferenças de salários. Estavam em 14,8% no primeiro barómetro divulgado pelo Ministério do Trabalho, em Junho do ano passado, e têm vindo a baixar neste indicador oficial desde 2012. O fosso era então de 18,5%.
A redução da diferença em quatro décimas nos dados agora apresentados, acontece depois de os salários das mulheres terem conhecido uma maior aceleração, em 3,1% contra uma subida média de 2,6% entre os homens.
Ainda assim, não são medidas as diferenças nos ganhos totais, incluindo suplementos e pagamento de horas extraordinárias, onde habitualmente se aprofundam as diferenças.
Já quanto ao fosso salarial é limpo de factores como antiguidade, habilitações ou representatividade na profissão, mulheres e homens ficam um pouco nais próximos. A diferença desce aos 11,1% no chamado «gender pay gap» ajustado, aquele que melhor aponta uma possível discriminação remuneratória em função do género ao comparar salários de indivíduos em iguais condições. Cai apenas uma décima em relação ao ano anterior.














