O propósito saiu do powerpoint. E agora?

Human Resources
20 de Junho 2025 | 14:40

O que está em causa não é “ter um propósito”, é viver esse propósito. A vontade existe, mas há ainda um longo caminho a percorrer para que o propósito seja respirado e transpirado por todos na organização.

 

Por Bárbara Bárcia, partner do Purpose Lab e CEO da On Partners

 

Durante muitos anos, o propósito das organizações vivia bem nas apresentações institucionais e nos quadros emoldurados à entrada da empresa. Ajudava na decoração. Mas isso mudou. Hoje, o propósito já não pode ser apenas enunciado, tem de sair das molduras e das paredes e passar para a existência das organizações; tem de ser vivido, sentido e, acima de tudo, praticado.

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A investigação do Purpose Lab, que envolveu mais de 14 mil profissionais em Portugal e incluiu uma análise aprofundada a 100 marcas, é clara: 83% das pessoas consideram o propósito um factor determinante na escolha de uma empresa. Mas apenas 27% acreditam que o propósito é visível nas decisões do dia-a-dia. Ou seja, há um gap entre a intenção e a prática. Entre a parede e a vivência. Essa lacuna tem uma consequência directa: a descredibilização.

O propósito tornou-se um filtro de escolha e de permanência. O propósito não é uma moda, é uma força estratégica que está a moldar a forma como as pessoas se relacionam com o trabalho, com as empresas e com os produtos. O mesmo estudo revela que 61% dos colaboradores dizem que abandonariam uma empresa cujo propósito não se alinhe com os seus valores pessoais.

Este é o novo campo de actuação das administrações, dos directores de Recursos Humanos e de Comunicação: transformar um enunciado em prática viva. O propósito tem de ser tangível na forma como se integra talento, como se lidera, como se comunica, como se toma decisões, e o impacto que gera para a sociedade. É aí que surgem os grandes desafios – e para grandes desafios, grandes oportunidades.

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O que está em causa não é “ter um propósito”. É viver esse propósito. É ser propósito. Dos líderes inquiridos pelo Purpose Lab resultam alguns insights: apenas 31% dos líderes afirmam usar o propósito como critério real de decisão e 49% sentem que a comunicação interna da sua empresa ainda não reflecte o propósito da marca.

Estes números demonstram uma realidade: a vontade de propósito existe, mas há ainda um longo caminho a percorrer para que o propósito seja respirado e transpirado por todos na organização.

 

O que fazer?
O papel dos Recursos Humanos e da Comunicação não é só o de amplificar. É o de evangelizar e operacionalizar. É garantir que o propósito está presente no onboarding, nos programas de reconhecimento, nas políticas de liderança, nas narrativas internas, nos critérios de sucesso, nos processos de decisão e no ADN da organização/marca.

O propósito saiu do PowerPoint. Agora é altura de o (re)desenhar nos bastidores da cultura, de o (re)programar na linguagem dos líderes, de o (re)imprimir nas microdecisões do quotidiano, de o “tatuar” em cada colaborador, para que o propósito seja um ser vivo e não apenas uma imagem na moldura.

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Este artigo foi publicado na edição de Maio (nº. 173) da Human Resources, nas bancas.

Caso prefira comprar online, tem disponível a versão em papel e a versão digital.

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